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terça-feira, 15 de março de 2016

A reforma protestante e a espiritualidade clássica

Posted by Sidnei Moura on terça-feira, março 15, 2016 with No comments

A chamada igreja evangélica atual tem origem na Reforma, e ao longo do tempo recebeu a contribuição de diversos movimentos como: anabatismo, puritanismo, pietismo, avivamentos do século XVIII, sociedades missionárias, fundamentalismo, pentecostalismo clássico, missão integra. O conjunto destes movimentos iniciados com a Reforma é o que conhecemos como Protestantismo. Vivemos atualmente sob o impacto do controverso movimento neo-pentecostal. Foram sopros do Espírito Santo ao longo da História, intervenções de Deus para dentro da realidade humana, com suas instituições, seu poder político e econômico. Nenhum destes movimentos é perfeito, cada um deles tem sua luz e sua sombra. É um equivoco abraçar algum deles incondicionalmente. A tendência que se observa é abraçar um destes movimentos como a última e definitiva revelação de Deus e excluir os demais, considerando-os inferiores e muitas vezes até hereges.

Como cada um destes movimentos tem aspectos positivos e negativos, torna-se fácil criticá-los e combatê-los, principalmente porque geralmente a partir da segunda e terceira geração depois da visitação de Deus, a tendência é o engessamento e a institucionalização com suas estruturas de poder.

Ser evangélico hoje significa andar nos passos dos reformadores e destas outras contribuições, seja buscando alguma integração, seja na ênfase de uma só delas. No entanto, não se trata de eleger uma ou outra, mas de discernir o sopro do Espírito que, de tempos em tempos, renova algum aspecto que foi negligenciado ou esquecido da teologia e da prática de Jesus de Nazaré. Trata-se de julgar e reter o que há de bom em cada uma delas e receber com alegria esta preciosa herança, aprendendo com a História e com aqueles que trilharam o caminho da fé, da esperança e do amor antes de nós.

A Reforma aconteceu no século XVI. O que podemos aprender dos primeiros mil e quinhentos anos da história da igreja? Muitos evangélicos esclarecidos dizem: nada. Antes da Reforma só existiam duas igrejas cristãs: a Romana e a Ortodoxa. Lutero e Calvino eram agostinianos e lemos abundantes citações dos Pais da Igreja nas Institutas de Calvino. Precisamos confessar, como evangélicos, nosso preconceito e orgulho. Pois, até hoje, olhamos com suspeita para tudo o que aconteceu no seio da Igreja de Cristo anterior à Reforma, por considerar esta contribuição como Católica Romana, e achar que, do catolicismo, não pode vir nada valioso.

O fato é que, durante os primeiros mil e quinhentos anos de História da Igreja, o Espírito Santo também soprou várias vezes. A Espiritualidade Clássica engloba a contribuição dos santos e doutores da igreja nos movimentos da Patrística, da Monástica e da Mística Medieval, isto é, o vento do Espírito anterior à Reforma.

O que se observa hoje é que alguns protestantes se debruçam sobre este período, a Espiritualidade Clássica, com o desejo de aprender e integrar na experiência evangélica aquilo que há de bom. Evangélicos como Hans Burki, James Houston, Eugene Peterson, Alister McGrath, Richard Foster, Ricardo Barbosa estão redescobrindo a riqueza da Espiritualidade Clássica, como contribuições vitais para a igreja de hoje. Católicos contemporâneos também buscam resgatar esta tradição: Henri Nouwen, Anselm Grun, Thomas Merton e outros. A Comunidade de Taizé, fundada pelo reformado Irmão Roger, tem alcançado muitos jovens na Europa e outros países, com sua proposta de reconciliação, integrando o que há de bom nas tradições ortodoxa, católica e reformada.

É uma falácia achar que a Reforma do século XVI, apesar de sua importância fundamental, é o único e definitivo mover do Espírito Santo na História da Igreja, e que nada de bom aconteceu nos séculos precedentes. Felizmente para nós estes antigos movimentos estão documentados e podemos aprender com eles.

Alguns esclarecimentos que se fazem importantes acerca da Espiritualidade Clássica:

1) Não é um produto. Não é mais uma mercadoria na prateleira religiosa para um mercado ávido por consumir novidades. Mas, trata-se de um olhar mais profundo para os conteúdos e a prática da fé cristã, ancorado na experiência com a Palavra e com o Espírito Santo, para vivermos a vida de Cristo em nós.

2) Não é uma prática mística, alienante baseada em técnicas religiosas que produzem sensações agradáveis e felicidade instantânea. Suas ênfases no silêncio e na solitude, na meditação e na contemplação não são fins em si mesmo, mas meios para uma vida de santidade e serviço ao próximo. Com a Lectio Divina, nós evangélicos podemos resgatar uma leitura bíblica com o coração, com os afetos.

3) Embora a monástica seja muito mal vista pelos evangélicos, é inegável seu impacto no Ocidente. No século III, após a conversão de Constantino e do cristianismo se tornar a religião oficial do império, homens e mulheres se retiraram em regiões ermas e remotas para orar e ler a Bíblia. Surgiram os mosteiros e as regras. Ao redor do mosteiro floresceu a civilização ocidental: a biblioteca gerou a academia, o espaço do sagrado atraiu artistas, o ora et labora desenvolveu tecnologias de cultivo, preparo e conservação de alimentos.

4) O resgate da Espiritualidade Clássica não busca resultados, ou conquistar o mundo, muito menos ainda causar um impacto na Igreja. Ao contrário se remete ao simples, ao pequeno, ao fraco. Não é para ser marketeado, sistematizado, explicado, reproduzido. Não busca uma recompensa imediata. Não é para ganhar nada, mas um caminho para aqueles que amam o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para aqueles que abriram mão do poder e querem simplesmente crescer na comunhão com Deus, ouvir sua voz e responder com dedicação e consagração. 

A multiforme sabedoria de Deus não uma experiência de conhecimento que pertence a um indivíduo ou a um grupo, ou a movimento. Mas engloba o patrimônio de revelação de Deus através da História da Igreja. Ou seja, as muitas vezes que o Espírito Santo revitalizou, renovou, corrigiu, avivou e despertou o povo de Deus de seus desvios e acomodações ao longo dos séculos e através da nações, nas três confissões cristãs: Ortodoxa, Romana e Reformada.

Para isto há que se vencer o preconceito evangélico, que considera que tudo o que é católico é herético e, ao fazer isto, se auto-proclama dono da verdade. Assim rejeita o Pastor de Hermas, Clemente, Justino, Inácio de Antioquia, Orígenes, Policarpo, Pacomio, Antão, Bento, Atanásio, Crisostemo, Gergório Nazianzeno, Basilio, Agostinho, Bento, Bernardo de Claraval, Francisco de Assis, Tomas de Aquino, Catarina de Siena, Inácio de Loyola, Savonarola, João da Cruz, Tereza D’Ávila, Bartolomeu de las Casas, Tereza de Calcutá e muitos outros.  Estou certo que a leitura dos pais orientais, dos santos místicos e dos doutores do passado e a apreciação do exemplo de suas vidas podem contribuir decisivamente para a Igreja do Século XXI.

E, claro, integrando com a contribuição de John Wyclif, Jun Huss, Lutero, Calvino, Zwinglio, George Fox, John Bunyan, John Knox, Conde Von Zinzendorf, John Wesley, Philip Jacob Spener, Geroge Whitefield, Charles Finney, Jonathan Edwards, D.L.Moddy, William Carey, Hudson Taylor, David Livinstone, Willian Both, Karl Barth, Paul Tillich, Dietrich Bonhoeffer, Martin Luther King, John Stott, René Padilha, Samuel Escobar e tantos outros.

Sim, sou um reformado evangélico: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria. E aberto para aprender e integrar a Espiritualidade Clássica na minha experiência cristã. Aprecio e sou edificado com o que aconteceu em Nicéia (325), Monte Cassino (529), Assis (1223), Wittenberg (1517), Westminster (1647), Azuza Street (1905), Medelin (1968) Lausanne (1974), e com outros momentos que o Espírito soprou na História da Igreja. E acho importante e promissor este diálogo entre a Reforma Protestante e a Espiritualidade Clássica, integrando o que é de bom nestes movimentos.

E prossigo no meu caminho: na intimidade com o Pai, sob a direção da Palavra e a inspiração do Espírito Santo; buscando a santidade de Cristo e, com a Igreja, anunciando o Evangelho e servindo aos pobres. E quando falho, me arrependo, experimento a graça perdoadora e recomeço.

Fonte: Teologia Brasileira     

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A autorreferência e a pobreza da teologia evangélica brasileira

Posted by Sidnei Moura on sexta-feira, dezembro 11, 2015 with No comments





Gutierres Fernandes Siqueira

A Igreja Evangélica Brasileira é o segundo ou terceiro maior ajuntamento de protestantes do mundo, mas não reflete essa grandeza na produção teológica. Evidente que vários fatores influenciam esse quadro, mas há um ponto que, na minha visão, é determinante no empobrecimento da teologia brasileira: o espírito de gueto.

Talvez esse mal não seja apenas brasileiro, mas só posso falar daquilo que conheço. Há, infelizmente, uma forte tendência à autorreferência e, também, ao fechamento sectário em pequenos grupos. O cristianismo é muito amplo e multiforme para que a teologia viva o tempo todo em compartimentos.

Vejamos alguns pontos: 

1. Este texto não é contra a ideia de referência. É obvio que todos nós nos identificamos com uma ou outra teologia e procuramos valorizá-la. Este blog tem um nome que já mostra a preferência do editor. O que condeno aqui é o apego excessivo ao objeto de admiração e estudo.

2. Já li textos e livros que pretendiam trabalhar uma doutrina cristã genericamente e até exaustivamente (como a eclesiologia ou pneumatologia, por exemplo), porém só citavam autores da sua própria escola teológica.

3. Digamos que eu queria escrever ou pregar profundamente na Epístola aos Romanos. Será que posso ignorar comentários de Karl Barth ou Martyn Lloyd-Jones só porque não sou nem neo-ortodoxo e nem calvinista puritano? Será que posso ignorar dois grandes comentaristas da epístola só porque eles não são parte do meu mundo teológico?

4. Sempre procuro ler João Calvino quando quero expor um texto bíblico. Faço isso porque vejo nos comentários de Calvino uma ótima qualidade exegética e uma impecabilidade homilética, mas não porque eu seja adepto de toda a teologia do reformador francês. Pelo contrário, prefiro a soteriologia de Armínio. Todavia, por que desprezarei o melhor de Calvino só porque não sou calvinista? E, infelizmente, talvez não haja grupo mais sectário do que os calvinistas brasileiros. Talvez, ludibriados pela qualidade de muitos teólogos calvinistas (e do próprio reformador) esquecem que há vida além desse espaço.  

5. E o que dizer dos nossos congressos? Sempre os mesmos nomes, os mesmos temas, os mesmos debates e até as mesmas respostas para perguntas que ninguém nem está fazendo.

Ou mudamos esse quadro ou continuaremos na mediocridade. O calvinista pode aprender com o pentecostal que pode aprender com o wesleyano. O anglicano pode aprender com o puritano que pode aprender com o metodista. Sim, todos nós podemos desfrutar o melhor da teologia evangélica, basta um pouco de humildade.


Gutierres Fernandes Siqueira é blogueiro e professor de Escola Dominical na Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Ministério do Belem. É formado em Comunicação Social - Jornalismo, e pós graduado em Mercado Financeiro. É editor de um dos blogs  mais acessados da blogosfera evangélica brasileira - o blog Teologia Pentecostal.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Mediocridade teológica e inversão de valores

Posted by Sidnei Moura on quinta-feira, novembro 12, 2015 with No comments



Carlos Eduardo B. Calvani

Sou um professor de Teologia em crise com a dificuldade que eu e outros colegas enfrentamos nos últimos anos diante dos novos seminaristas enviados para as faculdades de teologia evangélica. Tenho trabalhado como Professor em Seminários Evangélicos desde 1991 e, tristemente, observo que nunca houve safras tão fracas de vocacionados como nos últimos três anos.

No início de meu ministério docente, recordo-me que os alunos chegavam aos seminários bastante preparados biblicamente, com uma visão teológica razoavelmente ampla, com conhecimentos mínimos de história do cristianismo e com uma sede intelectual muito grande por penetrar no fascinante mundo da teologia cristã. Ultimamente, porém, aqueles que se matriculam em Seminários refletem a pobreza e mediocridade teológica que tomaram conta de nossas igrejas evangélicas.

Sempre pergunto aos calouros a respeito de suas convicções em relação ao chamado e à vocação. Pois outro dia, um calouro saiu-se com a brilhante resposta: “não passei em nenhum vestibular e comecei a sentir que Deus impedira meu acesso à universidade a fim de que eu me dedicasse ao ministério”…

A grande maioria dos novos vocacionados chega aos Seminários influenciada pelos modismos que grassam no mundo evangélico. Alguns se autodenominam “levitas”. Outros, dizem que estão ali porque são vocacionados a serem “apóstolos”. Ultimamente qualquer pessoa que canta ou toca algum instrumento na Igreja, se autodenomina “levita”. Tento fazê-los compreender que os levitas, na antiga aliança, não apenas cantavam e tocavam instrumentos no Templo, como também cuidavam da higiene e limpeza do altar dos sacrifícios (afinal, muito sangue era derramado várias vezes por dia), além de constituírem até mesmo uma espécie de “força policial” para manter a ordem nas celebrações.

Porém, hoje em dia, para os “novos levitas” basta saber tocar três acordes e fazer algumas coreografias aeróbicas durante o louvor para se sentirem com autoridade até mesmo para mudar a ordem dos cultos. Outros há, que se auto-intitulam “apóstolos”. Dentro de alguns dias teremos também “anjos”, “arcanjos”, “querubins” e “serafins”. No dia em que inventarem o ministério de “semi-deus” já não precisaremos mais sequer da Bíblia.

Nunca pensei que fosse escrever isso, pois as pessoas que me conhecem geralmente me chamam de “progressista”. Entretanto, ultimamente, ando é muito conservador. Na verdade, “saudosista” ou “nostálgico” seriam expressões melhores. Tenho saudades de um tempo em que havia um encadeamento lógico nos cultos evangélicos, em que os cânticos e hinos estavam distribuídos equilibradamente na ordem do culto. Atualmente os chamados “momentos de louvor” mais se assemelham a shows ensurdecedores ou de um sentimentalismo meloso. Pior: sobrepujam em tempo e importância a centralidade da Palavra e da Ceia nas Igrejas Protestantes. Muitas pessoas vão à Igreja muito mais por causa do “louvor” do que para ouvir a Palavra que regenera, orienta e exige de nós obediência. Percebo que alguns colegas pastores de outras igrejas freqüentemente manifestam a sensação de sentirem-se tolhidos e pressionados pelos diversos grupos de louvor. O mercado gospel cresceu muito em nosso país e, além de enriquecer os “artistas” e insuflar seus egos, passou a determinar até mesmo a “identidade” das igrejas evangélicas. Trata-se da “xuxização” (“todo mundo batendo palma agora… todo mundo tá feliz? tá feliz!”) do mundo evangélico, liderada pelos “levitas” que freqüentemente aprisionam ideologicamente os ministros da Palavra. O apóstolo Paulo dizia que a Palavra não está aprisionada. Mas, em nossos dias, os ministros da Palavra, estão – cativos da cultura gospel.

Tenho a impressão de que isso tudo é, em parte, reflexo de um antigo problema: o relacionamento do mundo evangélico com a cultura chamada “secular”. Amedrontados com as muitas opções que o “mundo” oferece, os pais preferem ter os filhos constantemente sob a mira dos olhos aos domingos, ainda que isso implique em modificar a identidade das Igrejas. E os pastores, reféns que são dos dízimos de onde retiram seus salários, rendem-se às conveniências, no estilo dos sacerdotes do Antigo Testamento. Um aluno disse-me que, no dia em que os evangélicos tomarem o poder no Brasil acabarão com o carnaval, as “folias de rei”, os cinemas, bares, danceterias etc. Assusta-me o fato de que o desenvolvimento dessa sub-cultura “gospel” torne o mundo evangélico tão guetizado que, se um dia, realmente os evangélicos tomarem o poder na sociedade, venham a desenvolver uma espécie de “Talibã evangélico”. Tal como as estátuas do Buda no Afeganistão, o “Cristo Redentor” estará com os dias contados.

Esses jovens que passam o dia ouvindo rádios gospel e lendo textos de duvidosa qualidade teológica, de repente vêm nos Seminários uma grande oportunidade de ascensão profissional e buscam em massa os seminários. Nunca houve tanta afluência de jovens nos seminários como nos últimos anos. Em um seminário em que trabalhei, os colegas diziam que a Igreja, em breve teria problemas, pois o crescimento da Igreja não era proporcional ao número de jovens que todos os anos saíam dos Seminários, aptos para o exercício do ministério. A preocupação dos colegas era: onde colocar todos esses novos pastores? Na minha ingenuidade, sugeri que seria uma grande oportunidade missionária: enviá-los para iniciarem novas comunidades em zonas rurais e na periferia das cidades. Foi então que um colega, bastante sábio, retrucou: “Eles não querem. Recusam-se! Querem as Igrejas grandes, já formadas e estabelecidas, sem problemas financeiros”.

Na maioria dos Seminários hoje, os alunos sabem o nome de todas as bandas gospel, mas não sabem quem foi Wesley, Lutero ou Calvino. Talvez até já tenham ouvido falar desses nomes, mas são para eles, como que personagens de um passado sem-importância e sobre o qual não vale a pena ler ou estudar. Talvez por isso eu e outros colegas professores nos sintamos hoje em dia como que “falando para as paredes”. Nem dá gosto mais preparar uma aula decente, pois na maioria das vezes temos sempre que “voltar aos rudimentos da fé” e dar aos vocacionados o leite que não recebem nas Igrejas. Várias vezes me vi tendo que mudar o rumo das aulas preparadas para falar de assuntos que antes discutíamos nas Escolas Dominicais. Não sei se isso acontece em todos os Seminários, mas em muitos lugares, o conteúdo e a profundidade dos temas discutidos pouco difere das aulas que ministrávamos na Escola Dominical para neófitos.

Sei que muitos que lerem esse desabafo, não concordarão em nada com o que eu disse. Mas não é a esses que me dirijo, e sim aos saudosistas como eu, nostálgicos de um tempo em que o cristianismo evangélico no Brasil era realmente referencial de uma religiosidade saudável, equilibrada e madura e em que a Palavra lida e proclamada valia muito mais que o último CD da moda.

Publicado originalmente com título "Sobre levitas, apóstolos e outros modismos".

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A fórmula do sucesso

Posted by Sidnei Moura on sexta-feira, setembro 11, 2015 with No comments
Imagem: e-vanzolini


Uma resposta bíblica aos proponentes dum evangelho fast-food


Sidnei Moura

>A procura pelo sucesso 

Você com certeza têm percebido a crescente e até frenética busca pelo sucesso em nossos dias, não é verdade? 

Pois é, vivemos dias em que ser próspero e bem-sucedido na vida profissional, familiar , saúde e sentimental tem sido o maior anseio de uma humanidade que, por causa do pecado original, degradou-se de seu estado inicial quando tudo fora criado de forma perfeita. Ser bem-sucedido na vida, ter prosperidade em todas as áreas de maneira nenhuma será uma desvantagem para um verdadeiro filho de Deus. Porém, como tem sido essa procura pelo sucesso, pela prosperidade e pelo bem estar individual?

>Existem fórmulas para o sucesso?

Vivemos dias trabalhosos, difíceis. No entanto, proponentes de um novo evangelho, antropocêntrico totalmente desvinculado da realidade bíblica de tempos em tempos tem surgido com novas maneiras, novas formas, novas fórmulas, baseadas em “novas revelações” no intuito de “criar atalhos” pra que a prosperidade tão desejada seja alcançada de forma eficaz e num prazo de tempo mais curto do que se realizaria através da dedicação ao trabalho com afinco. E como resultado disso, multidões os aclamam e os reverenciam, lotam seus auditórios e fazem com que os seus índices de audiência subam vertiginosamente em rádios e TVs por todo o mundo. São os novos “apóstolos”, cuja missão, como afirmam alguns, é a de “pregar milagres”, “anunciar a prosperidade”, e proclamar que estes tempos são tempos de sucesso para os que “crêem” em suas mágicas e formulas, que, segundo eles, são “divinas”. No entanto fica a seguinte questão: De fato, existe fórmula para o sucesso? Ou ele é conseqüência de um estilo de vida regrado em princípios e valores?

> O exemplo de Josué

Antes de entrarmos na questão das fórmulas apresentadas pelos Mestres e doutores da prosperidade e do sucesso, analisemos a vida de um homem conhecido na bíblia pelas proezas que realizou, pelo sucesso que alcançou a frente de um povo levando-os a conquistar as promessas de Deus: Josué, filho de Num.Moisés já estava farto de dias, e se fazia necessário ainda muito trabalho para alcançar a Terra prometida. 

Dificuldades ainda eram palpáveis, e, além disso, Deus em seu desígnio já havia determinado que Moisés não os introduziria na Terra prometida. Foi quando Deus escolheu a Josué, um jovem que havia dedicado seu tempo em auxiliar Moisés, e que havia alcançado graça aos olhos do Senhor pelo seu otimismo ao espiar a terra de Canaã, otimismo esse que nascia na confiança do poder de Deus mesmo nas causas mais difíceis.Chega então o momento. Moisés morre e é sepultado pelo Senhor, e Josué inicia uma jornada inimaginável. Deus aparece a ele, animando-o, confirmando a sua eleição para tal ofício, e exortando-lhe a permanecer na posição de acordo com a sua soberana vontade, e lhe propõe as condições que lhe levariam a obter êxito e alcançar os objetivos de tão dura missão, conforme registra a Bíblia em Josué 1:7-9.De forma categórica e resumida, segundo o registro bíblico, poderíamos definir o segredo do sucesso de Josué da seguinte maneira:O sucesso de Josué dependeria da sua confiança em Deus + vontade própria + obediência as normas que Deus estabeleceu em sua Lei. 

Confiar em Deus sempre foi importante para qualquer situação, no entanto Josué deveria fazer a sua parte, animando-se, tendo coragem de lutar e esforçando-se mesmo quando enfrentasse situações desanimadoras. O que cabia a Josué, Deus não faria por ele, e sendo assim, era necessário estar submisso as suas leis, pois elas como verdadeira lâmpada levaria Josué a uma vida ética e abençoada, pois é na palavra do Senhor que encontramos a resposta para todas nossas indagações.Sendo assim, Josué iniciou sua jornada. Segundo o mesmo relato bíblico que acabamos de analisar, uma das promessas que Deus o fez foi a de que “..ninguém se susterá diante de ti todos os dias da sua vida: assim como fui com Moisés serei contigo. Não te deixarei nem te desampararei”.(vs. 5). 

Segundo o relato bíblico, Josué de fato levou a sério as orientações de Deus, sendo vitorioso em suas campanhas. Abriu o Jordão, venceu trinta e um reis e foi capaz de submeter quase toda a terra onde pisou seus pés a Israel, como confirmação de que as orientações de Deus foram suficientes para levá-lo ao pódio dos vencedores (Josué 11:23, 12:24). Josué não precisou de técnicas como as do Novo Pensamento, Pensamento da Possibilidade e da Teologia da Confissão Positiva, do Determinismo, de sessões espirituais em busca de sucesso e descarrego de possíveis encostos negativos e nem das fórmulas para o sucesso, como propõe os mestres de movimentos modernos.

>Fórmulas

As pessoas buscam o sucesso, e nessa busca desesperada, e muitas vezes até histérica, acabam aceitando conselhos que na maioria das vezes não funciona de verdade, e isso não é de se admirar, pois a história de Josué confirma que o sucesso, o êxito, e a prosperidade real está em Deus, e não em fórmulas.Os livros de auto-ajuda, esoterismo e de “faça assim”, que propõem um resultado rápido para aqueles que desejam “atalho” para o sucesso encabeçam as listas de best-sellers por todo o mundo. Pessoalmente, acredito que no caso destes livros, a procura pelos mesmos em livrarias tem se tornado crescente mais pelo simples fato de proporem soluções rápidas, do que de realizações propriamente ditas. As pessoas não os procuram pelo fato de terem apresentado resultados, mais simplesmente por aparentarem solucionar seus problemas. Raramente relacionam a conquista da prosperidade ao trabalho honesto e laboroso. Assim também acontecem com as fórmulas no meio evangélico: seus proponentes as recheiam de aparente relação com a bíblia, citando textos isolados e fora de seus contextos, e aplicando-os segundo a necessidade de seu público. 

Ansiosos pelo progresso, e firmados na aparente autoridade bíblica em que tais formulas parecem se apoiar, embarcam em praticas que simplesmente os levam a acreditar que suas vidas serão mudadas como em um passe de mágica, pelo simples fato de utilizarem estas formulas em sua vida diária.Em 5 de abril de 2001, o jornal de maior expressão a nível mundial, o norte-americano The New York Times, assim como vários outros periódicos e meios de comunicação divulgavam o best-seller do momento nos EUA: um livro sobre oração, com o título A Oração de Jabez*, que de forma sensacional havia ultrapassado outros grandes best-sellers e alcançado o topo. Tratava-se de um livro que trazia a história da oração de um quase desconhecido personagem bíblico, que pelo fato de ter alcançado resposta as suas orações, tornou-se notável. Porém, não se tratava de um livro que tinha a intenção de simplesmente abordar a história de um personagem bíblico, mais de transformar sua oração em uma fórmula de sucesso para todos que orassem como Jabez orou, que o levou a ser publicado em diversos idiomas, inclusive em português.E a febre pegou. Campanhas, simpósios, reuniões, programas e palestras passaram a ser realizadas por todos os lados, com o intuito de demonstrarem a importância de se orar como Jabez orou, a fim de se conseguir o mesmo êxito do personagem supracitado. 

Confesso que em toda minha carreira no evangelho nunca tinha ouvido tantas preleções baseadas na história de Jabez! Com certeza, não foi esta a intenção do autor do texto bíblico, e nem muito menos de Deus, que o inspirou a registrar o fato nas escrituras sagradas. Em nenhum lugar encontramos Deus apresentando fórmulas, nem seus profetas ou apóstolos, muito menos o próprio Cristo. A cada história de oração onde respostas foram obtidas, analise o contexto e chegará a conclusão de que os propósitos de Deus em relação ao fato registrado para exemplo nosso teve como maior propósito mostrar os princípios que os levaram a acontecer, e não simplesmente aos exemplos demonstrados. 

Foi assim com a conhecida oração do Pai Nosso proferida por Cristo. Seus discípulos O consultaram a fim de saberem como orar, e queriam a resposta naquele mesmo instante. Jesus, conhecedor de seus corações palpitantes pelas respostas aos seus mais profundos anseios ensinou-lhes a disciplina da oração e de toda vida cristã através do Pai Nosso, uma oração curta e de palavras simples, porém recheadas dos princípios mais importantes do evangelho. Depois de algum tempo, a igreja deixando a autoridade da palavra de Deus (provavelmente durante a obscura Idade Média), passou a ter a oração do Pai Nosso como um recitativo constante, desconsiderando as palavras do próprio Cristo que diz “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos”. (Mateus 6:7).

Quando nos utilizamos de fórmulas, estamos de forma declarada fazendo exatamente o contrario do que seus próprios proponentes apresentam, pois se a fórmula do sucesso é uma atitude de fé, por que fazer da mesma uso constante? Em outras palavras, os propositores das formulas do sucesso contradizem a si mesmos.Acima de tudo, precisamos nos convencer de que as fórmulas são uma verdadeira demonstração de falta de confiança nos eternos princípios divinos. Jesus não afirmou que os gentios achavam que por muito falarem seriam ouvidos? Ora, Deus é poderoso para responder as nossas orações mesmo quando elas não são tão perfeitas quanto deveriam ser, pois ainda que não hajam palavras em nossos lábios, o Senhor tudo conhece, afirmou certa vez o salmista. 

Não há nada de errado quando tomamos para nossas vidas os exemplos de homens que alcançaram bom êxito através de suas orações como Salomão ao pedir sabedoria, Josué ao orar pela interrupção da passagem do tempo, e do próprio Jabez, desde que o principio reconhecido e aprendido através de cada um deles seja de que oração sincera gera resposta divina no tempo certo.

>Princípios, e não fórmulas

Voltemos a história de Josué. E lembremo-nos de que não existem fórmulas para o sucesso no âmbito espiritual. A maneira correta, e acima de tudo bíblica é de que Deus deseja que apliquemos nos nossos caminhos durante nossa existência os princípios que ele nos entrega e demonstra em cada exemplo de oração respondida, e em cada conquista realizada pelos seus filhos no passado, a fim de que a cada dia sejamos alcançados pela sua sabedoria e aprendermos com elas com o propósito de que obtenhamos sucesso, êxito e prosperidade para que sejamos abençoados, e que a cada vitória o nome dEle seja glorificado. A Ele o domínio e o poder para sempre!

(Sinopse de mensagem que ministrei na noite do dia 16 de janeiro de 2008, em São Carlos/SP)

* Hank Hanegraaff em seu livro A Oração de Jesus (CPAD) comenta com maiores detalhes e responde com autoridade bíblica a mesma questão que comento neste post. Recomendo leitura.


Sidnei Moura é licenciado em Letras e professor de Língua Portuguesa e literatura. É editor do blog Sidnei Moura, filiado à UBE - União de Blogueiros Evangélicos, e  reside em São Carlos - SP
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sábado, 16 de agosto de 2014

A verdade sobre profecia de morte de Eduardo Campos

Posted by Wilma Rejane on sábado, agosto 16, 2014 with No comments


A suposta profecia não falou de morte


Wilma Rejane


Confesso: pesquisei muito sobre a suposta profecia feita por uma irmã da Assembléia de Deus em Abreu e Lima (Pernambuco) prevendo a morte de Eduardo Campos,  nada de concreto encontrava.  Fiquei receosa de comentar ou republicar algo nesse sentido, por dois especiais motivos:

- A profecia que circula não é clara e tanto poderia estar descrevendo sua morte como sua vitória a presidência da República:

" Grande será o cortejo para ti, homem de honra. A tua vida está em minhas mãos, e na esteira do tempo, determinarei os teus dias"

- Nenhum pastor ou quem quer que seja da Assembléia de Deus em Abreu e Lima (Pernambuco) se pronunciou sobre o ocorrido. Obs: Após publicação desse artigo(no blog Tenda na Rocha) o pastor presidente da igreja emitiu nota, veja no final desse artigo.

Julguei confiável então, republicar  artigo do pastor Jarbas Aragão  em  Gospel Prime , ele traz informações detalhadas e de fontes seguras sobre o caso :

***

Após a morte de Eduardo Campos, ex-presidenciável falecido esta semana, surgiram dezenas de matérias elogiando a sua vida e trajetória política.

Infelizmente, como acontece muitas vezes também surgiram muitas noticias falsas. Uma delas, que ganhou notoriedade nos últimos dias é que ele seria filho de um presbítero da Assembleia de Deus e que teria recebido uma profecia sobre sua morte em um culto.


O portal Gospel Prime pesquisou a biografia do pai de Eduardo, Maximiano Accioly Campos, falecido em 1998, e verificou que essa informação não procede. Na página com a biografia de Maximiano, do Instituto que leva o seu nome, consta que ele era advogado e escritor.

Na notícia que vem sendo veiculada nas redes sociais e em alguns sites gospel, é citada uma reportagem da revista Época dando conta que Eduardo chegou a liderar o conjunto de jovens da igreja por 4 meses. Uma pesquisa no site da Época aponta que essa informação jamais foi veiculada pela revista, nem faz parte da extensa matéria de capa dedicada à sua biografia ano passado.

Várias agências de notícia divulgaram que sua mãe, Ana Arraes, passou mal durante uma missa realizada em sua casa em memória de Eduardo que reuniu 150 pessoas. É no mínimo questionável que a esposa de um presbítero da Assembleia (que presume-se também seria evangélica) chamasse um padre e um bispo para realizar uma missa em sua casa e não um pastor para fazer um culto.

A imagem dele recebendo oração (e a suposta profecia) também foi compartilhada e comentada milhares de vezes nos últimos dias nas redes sociais. A maior parte das postagens traz o mesmo texto enganoso, que carece de fontes legítimas, e segundo o Google foi publicado pela primeira vez no site O Fuxico Gospel. A parte que merece destaque é:

“A atenção dos presentes foi para uma cena de profecia em que uma das irmãs enquanto cantava dirigiu ao candidato, pôs a mão sobre sua cabeça, bateu no peito com a seguinte frase: “Grande será o cortejo para ti, homem de honra. A tua vida está em minhas mãos, e na esteira do tempo, determinarei os teus dias. Após citar tais palavras, a cantora cantou, e tomou seu assento. A expressão do candidato Eduardo Campos não foi das boas, ficou pensativo e o tempo todo com a cabeça baixa ao lado do seu assessor mesmo que parte do povo presente acreditava ser uma referencia a sua vitória presidencial”.

Outra versão do texto diz “Alguns Pastores e irmãos que estavam próximo dele afirmam que Deus falou assim: ” Todo o poder está em minhas mãos, sou o dono do universo, A quem eu quero exalto e quem quero abato! Sabes tu que eu o Senhor posso te fazer subir e chegar ao último degrau?”


A fotografia da mulher orando por ele é verdadeira e a profecia foi testemunhada por várias pessoas presentes, contudo não nos termos que vem sendo divulgados. O pastor Oséas Lemos, que estava no culto, postou a imagem no Facebook dia 13 de agosto, com o comentário “Cuidado irmãos! Já tem gente fazendo críticas e isso porque não guardaram as palavras e agora estão insinuando que Deus falou o que não falou, dou graças a Deus que consegui guardar as palavras que ouvi Deus falar para ele como se fosse para mim”.

O portal Gospel Prime entrou em contato com o autor da fotografia, Kleber Nunes. Ele declarou: “Postei a foto e não imaginava que iria repercutir tanto. Garanto que não houve nenhuma profecia sobre a presidência nem que isto iria acontecer ”. Esclarece ainda que a foto foi tirada em 2013, na comemoração dos 10 anos do pastor Roberto José dos Santos frente à presidência da COMADALPE.

Não se questiona que Deus tem todo o poder, que conhece o futuro e que pode “abater” qualquer um se assim desejar. Mas as matérias que afirmam que a morte de Campos foi profetizada e o “cortejo” seria fúnebre estão equivocadas. Nossa preocupação é evitar o sensacionalismo envolvendo o nome de Deus na esteira de uma tragédia como essa.

O problema que se apresenta é duplo. Primeiramente, a facilidade com que se divulga material com conotação evangélica de caráter duvidoso e a velocidade com que se espalha nas redes sociais, sem uma verificação das fontes. Em segundo lugar, acaba pondo em cheque a atuação de Deus. Sabedor de todas as coisas, Deus não poderia ter mentido ou se enganado, muito menos pego de surpresa. Logo, a profecia em questão não poderia apontar para uma futura presidência.

NOTA DE ESCLARECIMENTO - Via Point Rhema


Nestes últimos dias, têm sido veiculadas por meio da internet muitas postagens especulativas sobre uma mensagem de morte que teria sido proferida ao nosso querido ex-governador Eduardo Campos, por ocasião de sua presença em um culto na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Abreu e Lima.

 Quero dizer que NÃO tem procedência tais afirmações, já que em nenhum momento daquela reunião foi ouvido, por qualquer dos presentes, nada que venha corroborar a possibilidade do vaticínio de sua morte. Também NÃO procede a afirmativa de que seu pai era presbítero da igreja. Pelo que percebemos, há pessoas mal intencionadas que ficam fazendo postagens sem nenhum conhecimento dos fatos, e outros que as curtem, comentam e compartilham sem nenhum senso crítico responsável. Sempre publicamos reuniões e fatos relevantes de nossa igreja para a comunidade cristã. 

Em nenhum momento isto foi sequer publicado ou ventilado por nós nesta página ou em qualquer outro lugar. Não sabemos de onde partiu tais especulações. Vimos pedir a todos que não se deixem levar por tais postagens. É momento de serenidade, reflexão e oração pelas famílias enlutadas, que merecem todo o nosso respeito e consideração. 

Que Deus Abençoe.

Pr. Roberto José dos Santos


terça-feira, 17 de junho de 2014

8 Sinais de Que Você Está Sob Ataque Espiritual

Posted by vivabonsmomentos on terça-feira, junho 17, 2014 with 5 comments
 Ataque Espiritual
Ao enfrentar um ataque espiritual, a oração é a arma mais eficiente

Por Jentezen Franklin

Há algum tempo, a pessoa que sofresse um ataque cardíaco tinha poucas chances de sobrevivência, por não saber o que estava acontecendo e ignorava os sintomas até que fosse tarde demais.

Os avanços médicos começaram a identificar os sinais de alerta mais comuns, tais como desconforto e pressão no peito, dor em um ou ambos os braços, e falta de ar. A divulgação dos sinais de alerta proporcionou o aumento considerável da taxa de sobrevivência das vítimas de ataque cardíaco.

De um modo semelhante, muitos cristãos parecem ser surpreendidos por ataques espirituais. Quando se trata de ataque espiritual, é fundamental reconhecer os sinais de alerta para a sobrevivência:

1. Perda do desejo espiritual. O objetivo de qualquer ataque espiritual é afastá-lo da vontade de Deus para a sua vida. Por esse motivo, o primeiro sinal de alerta para o ataque é a perda do desejo espiritual. Não vivemos apenas de sentimentos, mas há uma diferença entre fazer algo apenas por obrigação e por prazer. Nada se compara ao deleite de fazer alguma coisa para o Senhor. Quem é apaixonado por Deus encontra prazer nas coisas de Deus.

2. Fadiga física. O segundo sinal de alerta é a fadiga física. Sei que não soa muito espiritual, mas tenha em mente que somos seres criados - espírito, alma e corpo. Se o meu corpo está fraco, ele permite a entrada de coisas em minha mente (alma), e isso permite que essas coisas afetem meu espírito de forma negativa. Muitas vezes enfrentamos nossos maiores ataques pouco antes de uma grande promoção ou logo após uma grande vitória. Tenha em mente que quando você estiver passando por isso - um ataque pode muito bem ser indicação de que você está prestes a ser promovido ou acabou de experimentar uma grande vitória.

3. "Falta de ataque". O terceiro sinal de que você está sob ataque é a “falta de ataque." Há momentos quando parece que todos os seus recursos se esgotaram ao mesmo tempo. Os ataques inimigos tentam levá-lo a tirar os olhos de Deus e focar o dinheiro. Se ele conseguir que você fique preocupado ao invés de adorar, você começará a tomar decisões baseadas nas oportunidades e não na unção. Tenha sempre em mente que há dois momentos na vida quando ficamos especialmente vulneráveis à tentação: quando nada temos e quando temos tudo. Fique perto de Deus em ambos os momentos bons e os maus.

4. Vida de oração fraca. O quarto sinal de que você está sob ataque espiritual é uma vida de oração enfraquecida. “Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?" Perguntou Jesus aos discípulos. Então Ele lhes disse: “Vigiem e orem, para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mateus 26:40-41).

5. Sentir-se oprimido e impotente. Você está se sentindo oprimido pelas circunstâncias? Isso pode ser um sinal de que está sob ataque. A palavra circunstância vem de duas palavras: circum (cercar) e postura (posição). Em outras palavras, você está em pé cercado pelos acontecimentos. Não demora muito para o sentimento de opressão transformar-se em desesperança. A Bíblia diz: "A esperança que se retarda deixa o coração doente" (Provérbios 13:12). Ela também nos diz: “Ora, a fé e a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos" (Hb 11:1). Se o inimigo pode levá-lo a perder a esperança, pode consequentemente levá-lo a parar de viver pela fé.

6. O ressurgimento de velhos hábitos e estilos de vida. O sexto sinal de que você está sob ataque espiritual é quando as antigas iniqüidades começam a ressurgir em sua vida. O que é uma iniquidade? Alguns consideram iniqüidades  aqueles velhos hábitos que a sua alma deseja reviver quando as coisas não estão de acordo com os seus planos, coisas que fazem a vontade da carne. Se isso começar a acontecer, não ignore a advertência do Espírito Santo.

7. Afastando-se dos relacionamentos cristãos. Quando as antigas iniqüidades começam a tentar você, o próximo sinal de ataque espiritual é certo : afastar-se dos relacionamentos  cristãos. Olhe ao seu redor. Você já se afastou do relacionamento com as pessoas na igreja ou das pessoas do seu grupo ? Cresce cada vez seu numero de amigos inclinados aos prazeres da carne ao invés dos espirituais? Se assim for, você está tropeçando no campo de batalha e o inimigo está mirando a sua cabeça.

8. Cinco "Nãos" para quebrar o ataque do inimigo. Após ter se posicionado contra o ataque do inimigo, aqui estão cinco "nãos" que você deve ter em mente.

Não se esqueça de Quem o fez. Quando Deus criou você, Ele sabia que tempestades viriam. Ele te equipou para isso e você vencerá através dEle.

Não abandone o tempo e o local de oração. Duas coisas que são vitais para uma vida de oração bem sucedida: o tempo de oração e o local de oração.

Não abandone o lugar de poder. Sua igreja é o lugar de poder.

Não abandone o poder da parceria. É bom estar perto de pessoas que viveram mais tempo, fizeram mais do que você podem dar sábios conselhos.

Não se desligue da proteção pastoral.  Muitas vezes tenho visto pessoas sob ataque, as quais gostaria de aproximar e ajudar, mas eles recusam. Não espere até que o inimigo esteja te destroçando para procurar o auxílio daqueles que exercem o papel pastoral em sua vida.
Se estiver sob ataque, você pode se armar contra as ciladas do inimigo, equipar-se para lutar e vencer!

Tradução e adaptação: Carla Ribas - www.vivabonsmomentos.com
Fonte://www.charisma.com

sábado, 28 de dezembro de 2013

Drama dos desabrigados pelas enchentes

Posted by Wilma Rejane on sábado, dezembro 28, 2013 with No comments






Wilma Rejane


Nossa solidariedade aos moradores das regiões afetadas pelas enchentes. Esse é um final de ano difícil para todos vocês e por pior que seja a situação, sabemos que uma hora as águas irão baixar e a vida recomeçar com muito trabalho para reconstruir o que se perdeu.

Estamos todos sujeitos a vivenciarmos tragédias como esta, somos incapazes de prever a força e direção das águas, dos ventos, da natureza. Contudo, e por mais assustador e incompreensível que pareça, é preciso manter a fé e a esperança de que Deus também trabalha em meio ao caos.

Da mesma forma que nos assalta a adversidade, também as muitas interrogações. Mas não estamos imunes, nossa fragilidade reside no fato de que enquanto humanos somos limitados e impotentes diante de muitas coisas.

Sabemos que existe descaso político com  infra estrutura de muitas cidades que mesmo representando perigo a população, em especial a carente, não recebe atenção devida. A cronicidade desse problema aflora nessas horas.


Estaremos orando para que em breve tudo faça parte de um passado superado. Que Deus venha curar o solo do Brasil e o coração dos homens aflitos!


*Aproximadamente 52 cidades no Espírito Santo e 77 em Minas Gerais foram afetadas pelas chuvas.


Confira postos de ajuda em Igrejas e policia militar:

Espírito Santo

Igreja Batista da Mata da Praia
Av. Des. Dermeval Lyrio, 501
Telefone (27) 3325-7566


1º Batalhão da Polícia Militar
Av. Maruípe, 2115, Maruípe
Telefone: (27) 3636-7306

Vila Velha


4º Batalhão da Polícia Militar
Av Nossa Senhora da Penha, 118, Ibes, Vila Velha.
Telefone: (27) 3636-0400


Serra

Primeira Igreja Batista em Laranjeiras
Telefone: (27) 3328-5150

Linhares

12º Batalhão da Polícia Militar
Rua Washington Luiz, 599 – Bairro José Rodrigues Maciel
Telefone: (27) 3372-7853

Primeira Igreja Presbiteriana de Linhares
Av. Vitória, 1048, Centro, Linhares.
Telefone: (27) 3371-1901.

Nova Venécia

2º Batalhão da Polícia Militar
Av Guanabara, 40, Bairro Iolanda – Telefone: (27) 3752-4200

Barra de São Francisco

11º Batalhão da Polícia Militar
Rua Vereador Antonio Roas Ruebra, 293. Centro. Telefone: (27) 3756-8400

Sobre postos de ajuda, a relação está no G1 

"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo."João 16:33

sexta-feira, 13 de setembro de 2013


Queridos irmãos,

Buscando sempre servir a Igreja, da maneira mais ampla e franca possível, como já temos feito ao longo dos anos, é com alegria que convido os irmãos a participarem do nosso mais novo projeto editorial, a Antologia Teatro Missionário. Nossa ideia é suprir uma lacuna ao reunir uma significativa seleta de peças, representações e jograis, APENAS sobre os temas de Missões e Evangelização. E isso num livro GRATUITO, a circular somente como e-book, livremente acessível para qualquer igreja, qualquer pessoa.
Em colaboração com a autora Vilma Pires (ela é também promotora missionária, e mantém os blogs Celeiro de Missões e Ensinar Brincando), estamos trabalhando à quatro mãos para oferecer mais este recurso gratuito para nossas igrejas.

Por isso viemos convidar a você que escreve peças, você que é autor e confia na qualidade do seu trabalho, a colaborar com esta obra, que desde já é de toda a igreja. Envie seus textos para nossa  avaliação. Caso aprovados, serão incluídos na obra.

Se a sua ideia é boa, mas você teme pela correção do texto, não se preocupe, pois estamos aqui para efetuar as correções necessárias, somando forças pela excelência do trabalho, para que em tudo possamos glorificar o nome de Cristo. Envie seu material!

Atenção: não se tratam de textos evangelísticos, com mensagens cujo foco está na conversão e salvação de almas, mas de textos sobre a importância/necessidade da evangelização, e sobre a obra missionária.

Escreva para nossos e-mails: sreachers@gmail.com  ou  vilapores@yahoo.com.br

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Olha a cabeleira do Zezé

Posted by Wilma Rejane on quarta-feira, agosto 14, 2013 with 21 comments



Maya Felix


Cena um: Casal evangélico, homem pastor, mulher grávida, entra em aeronave da Azul. Senta-se no final. Cena dois: O deputado pró-lobby gay Jean Wyllys entra na mesma aeronave, com um assessor, e se senta um pouco mais à frente do casal evangélico. Cena três: Casal evangélico identifica o deputado e prontamente resolve ir até sua poltrona. Mulher pede para passageiro filmar o que irá acontecer em seguida. Cena quatro: Homem e mulher gritam: “É você, hein, Jean Wyllys?” Ato contínuo, começam a cantar, a plenos pulmões: “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é… BICHAAA!!!” A mulher tenta passar a mão na cabeça de Jean Wyllys e diz : “Não gosta de mulher, Jean? Por quê???” O pastor completa: “Vai pra nossa igreja que tem cura!” Logo depois, o casal evangélico grita: “Vamos aí, gente, todos juntos! Batendo palmas!” e recomeçam: “Olha a cabeleira do Zezé…” Jean Wyllys se sente desconfortável, finge que não é com ele, baixa a cabeça e tenta se concentrar na leitura da revista G Magazine que havia comprado na livraria do aeroporto. Mas o casal evangélico não para: “Deputadoooo… canta com a genteeee! Olha a cabeleira do Zezé…” O assessor do deputado, em vão, tenta protegê-lo das tentativas de toque da mulher, que continua querendo encostar a mão na testa do deputado. De repente, ela tira um vidrinho da bolsa, derrama uma parte do conteúdo na palma da mão e passa na testa de Wyllys: “É óleo para ungir você, rapaz! Larga essa bichice!” Jean Wyllys retira um lenço do bolso do paletó e tenta limpar o óleo da testa. Continua sem dizer nada, mas está visivelmente constrangido. 





Os passageiros, atônitos, assistem à cena sem fazer nada. O pastor ri alto e canta: “Só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher…”. Cena cinco: A essa altura, uma mulher sentada logo atrás de Jean Wyllys se levanta e diz: “Chega! Vocês estão me incomodando! Assim não dá!” Cena seis: O casal evangélico decide, então, sentar-se em seu lugar. Mas continua a gritar, desta vez dizendo: “Ô Jean Wyllys, pode esperar, a sua hora vai chegar!!!” Repetem umas seis vezes o refrão e logo depois – sempre filmando, é claro – o pastor decide entrevistar um terapeuta cristão que, coincidentemente, estava no avião: “O senhor acha que o gay pode mudar a sua orientação sexual, se quiser?” FIM DO PRIMEIRO ATO.




Você conseguiu imaginar as cenas narradas acima? São bastante inverossímeis, não? Elas têm pouquíssimas chances de acontecer, pelo menos com um casal evangélico que seja de fato seguidor de Jesus. Talvez não por falta de vontade de “dar o troco”, afinal o deputado e pastor Marco Feliciano passou por constrangimento semelhante ao relatado acima no último dia 9 de agosto, a bordo de uma aeronave da Companhia Azul, indo de Brasília a São Paulo: Eric Corazza e Conrado Ribeiro fizeram com ele e um assessor o que, na hipotética situação que narro, o casal evangélico fez com Jean Wyllys. 

 
Episódio semelhante jamais aconteceria com o deputado ex-BBB porque os evangélicos sabem que escarnecer não é agradável a Deus, ainda que seja agradável à carne e tentador. Não vemos evangélicos constrangendo gays em suas marchas de “orgulho”. Tampouco vemos, em igrejas, predicações jocosas ou irônicas sobre o assunto. A prática homossexual é tratada como ela é: pecado. Pode ser que em algumas igrejas não tenha havido tato ou suficiente familiaridade com o assunto para que pessoas com tendências homossexuais fossem adequadamente encaminhadas a um diálogo cristão e à exortação amorosa e franca que recomendam a Bíblia. Mas nunca se tratou o assunto levemente, debochadamente, levianamente. As crenças dos cristãos, entretanto, são costumeiramente vistas com desprezo e tratadas com galhofa e desrespeito por militantes de causas gays, feministas e esquerdistas em geral.


Durante a Jornada Mundial da Juventude, da Igreja Católica, quem não se lembra dos dois jovens, Raíssa Senra Vitral e Gilson Rodrigues Silva Júnior, que, mascarados e seminus, quebraram imagens de santos católicos e simularam cenas de sexo com elas? Em 1995, o pastor Sérgio Von Hélder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou a imagem de uma santa católica em rede nacional. Houve grande comoção pelo desrespeito à crença alheia. A Rede Globo de televisão, com interesses mais comerciais que religiosos, repetiu a cena ad nauseam. O mesmo não aconteceu com os dois jovens que quebraram as imagens durante a JMJ. Não houve nem mesmo uma tentativa de entrevistar a dupla. Por quê? Os dois homens que agrediram Marco Feliciano, soube-se depois, dizem não ser gays, como se isso eximisse a militância que faz lobby pró-gay de qualquer responsabilidade do acontecido. Ou diminuísse a gravidade do fato. Ou fosse motivo para não imputá-lo ao crescente ódio insuflado pela mídia contra os evangélicos e conservadores por grupos de pressão e lobby pró-gay.

Quando vi a cena, fiquei estarrecida. Não acreditei que a falta de respeito fosse chegar a esse ponto. Na verdade, fiquei furiosa e cheguei a trocar palavras destemperadas com defensores do ato em uma rede social. A banalização das atitudes totalitárias em nossa sociedade, fruto da imposição de uma visão como única possível sobre qualquer outra, faz com que não nos cause mais espanto a agressão, o escárnio, o vandalismo e a ironia barata, a crítica sem inteligência e o debate impositivo. Como os cristãos têm histórico de tolerância e bom trato, as cenas do início deste texto provavelmente não acontecerão. Já as cenas de desrespeito vistas contra evangélicos se multiplicam em progressão geométrica, aparentemente sem a reação do restante da sociedade. Lembra-me a perseguição nazista aos judeus: começou com atos públicos de hostilidade, terminou onde todos conhecemos bem. Em 2014, políticos de partidos que sustentam esses desrespeitos e atos de barbárie, como PT, PSOL, PC do B, PDT e PSTU, pedirão o voto dos evangélicos. O que você vai fazer?
*Texto escrito em 11/08/2013. Meu agradecimento a Rodrigo Magaldi Merlino, por me ajudar com alguns dados.






 
 Maya Felix é colaboradora do blog UBE - twitter @mayafelix

domingo, 11 de agosto de 2013


Que imensa satisfação é apresentar aos queridos leitores mais um livro organizado pelo meu amigo Sammis Reachers. Trata-se do segundo volume da coleção Antologia de Poesia Missionária. O primeiro volume, publicado em 2010, reuniu textos de autores consagrados como Eliúde Marques e Noélio Duarte, dentre outros. Neste segundo volume o organizador reúne poemas de outros grandes poetas como Mário Barreto França e Myrtes Mathias. Há ainda poemas do próprio Sammis e de outros poetas da atualidade. 
Em mais uma obra que atua como organizador e autor, Sammis consegue conciliar, com a maestria de sempre, dois assuntos que merecem toda consideração: poesia e missões, reunindo reflexões de autores que amam a obra missionária a partir do campo transcultural e fora dele. Como ferramenta adicional, encontramos no apêndice do livro um compêndio de frases missionárias coletadas de diversos pensadores e amantes do trabalho missionário. 
Oro para que o público em geral entenda a preciosidade de uma obra que reúne textos de grandes poetas cristãos que já não possuem mais as suas obras disponíveis nas prateleiras das livrarias. Se assim o for, os leitores exaltarão a Deus pela vida do organizador do livro, por ter sido capaz de resgatar conteúdo inestimável e colocar ao alcance do leitor de hoje textos que inspiraram gerações.
Além do seu conteúdo, outro diferencial é que, como no primeiro volume (e nas demais obras publicadas pelo autor), este material será publicado em formato digital e distribuído gratuitamente aos leitores, fazendo com que o livro esteja disponível a todos os que desejarem.
Em função de sua profundidade teológica e do seu alto nível literário, creio que esta obra será uma importante ferramenta nas mãos dos leitores e já posso vê-la sendo utilizada por pastores, pregadores, missionários, professores de escola dominical e promotores de missões em geral. Que o resultado seja a glorificação do nome do Cordeiro por meio do anúncio da salvação entre todas as nações.
É com grande alegria que apresento e recomendo este livro aos leitores na certeza de que ele será de grande utilidade para todos aqueles que desejam enriquecer suas vidas com boa poesia e importante reflexão sobre o nosso papel como Igreja, agência de proclamação do Evangelho para todos os povos.
A Deus seja a glória!


Jairo de Oliveira

Para ler o livro online, ou baixá-lo pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.

Para baixar o livro pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.

*Caso tenha dificuldades em fazer o download, por favor, solicite-me o envio por e-mail: sammisreachers@ig.com.br

**Você pode redistribuir (sempre gratuitamente) este livro entre seus amigos e contatos, bem como reproduzir este post/livro em seu site, blog ou outra mídia, sem necessidade de prévia autorização.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Como você vê o missionário?

Posted by Sammis Reachers on quarta-feira, maio 08, 2013 with 2 comments


Kelem Gaspar
Há crentes, ministérios, pastores e igrejas que veem o missionário como um cidadão de segunda classe, alguém que não “deu certo” aqui e aventurou-se pelo campo missionário por pura incompetência. Claro que se a visão é essa, ninguém tem o menor desejo de orar, contribuir ou ajudar. Dá-se qualquer coisa, doa-se para o missionário, sem o menor pudor ou vergonha, o ventilador sem hélice, a roupa usada em péssimo estado, a geladeira sem motor, o ferro sem resistência, enfim, tudo o que é sem valor ou que dificilmente teria alguma utilidade. Crentes semeando lixo na obra mais importante da terra, investindo sobras na obra pela qual o Cordeiro deu sua vida. Na verdade, eu não tenho medo de afirmar que essa história que missionário tem que ser miserável para provar sua devoção, que o missionário deve andar mal vestido, passar fome e, depender da caridade alheia para sobreviver nasceu no inferno. É do diabo essa forma de pensar, e ele tem feito um excelente trabalho de marketing, porque são muitos os cristãos que pensam dessa maneira. Uma vez, enquanto eu estava no campo missionário nas inóspitas selvas bolivianas, recebi de uma irmã um par de sapatos de cores e modelos diferentes, amarrados com uma cordinha e com um bilhete que dizia: missionária, aqui está esse par de sapatos, sei que são diferentes, mas você não se importa, não é? Afinal de contas, você é missionária...

Encontrei cero dia, um amigo, também missionário, em uma feira na cidade boliviana de Guajará Mirim, ele estava indo dirigir uma reunião com os índios quéchuas, quando parei para cumprimenta-lo, percebi que ele usava uma calça jeans muitos números maior que o seu manequim, quando lhe perguntei o porquê, ele me disse que uma irmã, proprietária de uma grande loja, havia percebido que ele só tinha uma calça e lhe ofereceu uma, que por sinal, ela nunca havia conseguido vender, por ser muito grande e feia. Olhe aí, o marketing do diabo dando certo novamente. Não presta? Doe para missões. Está velho demais? O missionário reaproveita. Quebrou? Dê para o filho do missionário. Rasgou? A missionária remenda. Uma oferta assim agride a santidade de Deus, Ele deu seu único filho por essa obra, Jesus deu sua vida para torna-la possível e nós não podemos desvalorizá-la ao ponto de nossa oferta ser uma vergonha diante dos céus. Quer abençoar um missionário, dê algo novo ou em perfeitas condições de uso, lembre-se, sua contribuição é uma excelente régua para medir seu compromisso.

Trecho do novo livro da missionária Kelem Gaspar. Kelem é missionária com anos de militância na obra do Senhor, no Brasil e em países amazônicos. Atualmente mantém uma creche missionária e uma escola de Missões em Maracanã, no estado do Pará.

Conheça o blog e o trabalho de Kelem Gaspar - 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cemitério de Missionários

Posted by Sammis Reachers on sexta-feira, abril 26, 2013 with 3 comments

Uma análise do não ambiente missionário da grande maioria de nossas igrejas e lares.
Ensaio
João Luiz Santiago
Li há meses o relato de um missionário discorrendo sobre as dificuldades de seu ministério na Ásia. Ele atua num país islâmico que, apesar de não completamente fechado ao evangelho, há muitas desistências de obreiros em face das dificuldades encontradas. A região é considerada, em meios missionários, como “cemitério de obreiros” ou “cemitério de missionários”. Sabe-se também de realidades semelhantes em alguns países da América Latina.
Que interessante isso, denominarmos uma região ou área ministerial como “cemitério de missionários” devido as agruras e dificuldades do trabalho. É assim denominada porque muitos obreiros voltam prematuramente do campo, como que mortificando, assim, sua vocação ministerial missionária naquele lugar.
Realmente, a falta de frutos, perseguições, antipatias variadas, sacrifícios pessoais e familiares, etc. são elementos de desânimo e retorno prematuro do campo.
Motivado por isso, gostaria aqui de fazer uma reflexão a respeito.
Entre os indígenas das selvas amazônicas há uma experiência assemelhada, eu diria. Por exemplo, nossos filhos, em nossa experiência ministerial, e de muitos colegas que atuam entre povos indígenas isolados, deixaram de ter o convívio dos parentes, encontros familiares, datas especiais, etc. Nova língua (aliás, duas em nosso caso), cultura (idem), etc. foram desafios no norte do Brasil para nossa família, com uma diferença: sem os confortos de uma cidade e seus recursos e entreterimentos, mas em duas casas isoladas. Uma totalmente de madeira, fincada, literalmente, no meio da selva (1 hora e 15 min. de voo da cidade sede da Missão!), e a outra de pau-a-pique (feita de madeira, barro e areia) nas frias serras ao lado do Monte Roraima. Naquela, água só do rio ou da chuva e, nesta, do poço. Banho? no rio ou de chubalde…
Privações e vida simples foram comuns para nossa família, assim como o é para muitos missionários entre povos indígenas do Brasil, por exemplo. Obviamente, há também muitas vezes certas animosidades por parte do povo alvo, assim como perseguições variadas em suas sutilezas e metodologias oriundas de ONGs de “defesa dos direitos humanos”, órgãos oficiais e outros interesses bastante fortes como os de garimpeiros, madeireiros, fazendeiros, grileiros, etc.
Infelizmente, eu e minha esposa não pudemos ver de forma mais clara, enquanto no campo, o resultado do trabalho de nossas mãos. Outros colegas colheram e estão colhendo, o que outrora fora semeado, o que nos causa grande alegria. Que maravilha ouvirmos de muitos obreiros atuais que estão batizando aqueles que têm entregado suas vidas a Jesus; eu não tive o privilégio de batizar nenhum dos indígenas com os quais trabalhei por 14 anos. Louvado seja o Senhor!!! Aleluias pelo que tem acontecido atualmente, e já há alguns anos.
Pois é, essa é a realidade; é o ministério missionário entre indígenas amazônicos: sacrifícios, isolamento, perseguições, privações, comidas diferentes, insetos, animais peçonhentos, malária, rios encachoeirados, perigos mil… Tudo isso é parte do dia-a-dia de obreiros nas selvas. É inerente ao ministério, pura e simplesmente.
Mas espere! Na verdade, que sacrifícios são estes comparados aos pioneiros que desbravaram há cinquenta, setenta anos atrás aquelas selvas, se embrenhando por elas? Que sacrifícios são estes comparados ao esvaziamento de Jesus quando veio e habitou entre nós???
A expressão, “cemitério de missionários” é mais uma daquelas expressões que em nada contribui para o reino ou para novos missionários se juntarem à tarefa, seja em que campo de atuação for. Conheci obreiros que trabalharam com povos indígenas e que saíram do trabalho frustrados, tristes, desanimados, etc. e nem por isso há um cemitério de missionários nas selvas amazônicas. Aliás, considerando o ministério entre os indígenas do Brasil, especialmente da região da Amazônia Legal, poderíamos tomar emprestada esta expressão para fazer referência às dificuldades, limitações, sacrifícios e outras muitas palavras que descrevem os contextos ministeriais adversos entre esses povos que ali vivem. Mas isso seria bobagem!
A expressão “cemitério de missionários” para que serve??? Serve apenas para o contraproducente, o repelir novos obreiros; serve apenas para afagar a auto comiseração de muitos obreiros, ou o ego de missionários “Indiana Jones” às avessas. Bobagem!
Os cemitérios de missionários, se é que vamos usar tal expressão sensacionalista, estão muito longe dos campos onde os obreiros atuam, seja em que continente for. Cemitério de missionários são púlpitos estéreis de desafios missionários. São púlpitos covardes que não confrontam os membros da igreja para o envolvimento em missões. Isto sim, poderíamos chamar de cemitério de missionários.
Cemitério de missionários são pais egoístas que não liberam seus filhos e filhas para o serviço de Deus. Cemitério de missionários são pastores pequenos, fracos, covardes que não são capazes de abrir a Palavra e afirmar “… assim diz o Senhor…” sobre a necessidade de mais obreiros transculturais.
Cemitério de missionários são escolas de formação teológica onde a teologia é motivo de afastamento dos futuros formandos dos campos. É sabido, e tristemente atestado, que muitos alunos iniciantes sofrem de um acentuado arrefecimento de sua visão e vocação ministeriais missionárias à medida que avançam em seus estudos teológicos. São alvos (eu diria, vítimas) de professores que atribuem à teologia, ou a carreira ministerial, como ascensão acadêmico-social, um quase “plano de carreira academicista”. Por esta razão muitos egressos dessas escolas nem pensam em sair de um grande ou médio centro para plantação de igreja em regiões necessitadas. Nem mesmo pastorear um grupo menor ou mais afastado. Missões de ponta de lança? Nem pensar em tal coisa!!! São obreiros nati-mortos em termos missionários; isto, sim, é cemitério de missionários.
Que coisa triste, lamentável mesmo pois, quem é a “mãe da teologia” senão a revelação e comunicação de Deus a nós, (missões!) que, justamente, é o objeto da teologia?!
É lamentável também vermos igrejas que têm um potencial enorme para suprirem os campos missionários com seus rapazes e moças, mas que se contam nos dedos, quando muito, os que dali saíram para os “…campos brancos para a ceifa”.
Não é pequeno o número de pastores que não conseguem ver além do reino sectário de sua igreja e ou denominação. Há muitos pastores que conseguem motivar os seus jovens para carreiras profissionais, apoiá-los em seus cursinhos e faculdades, orar por eles ao serem aprovados no vestibular ou quando vão morar em outra cidade, estado ou país distantes. Mas não os motivam à carreira ministerial. Para esta última, há uma série de exigências a serem cumpridas para que tenham a aprovação da liderança. Exigências estas muitas vezes absurdas.
Líderes que agem como se fossem os donos da vocação ou do chamado de Deus para suas ovelhas; que tristeza!
Enquanto tal ocorre muitos jovens são arrefecidos em seu entendimento do serviço a Deus. Muitos nem mesmo ouvem de seus líderes, seja do púlpito ou em conversas pessoais, sobre a necessidade de exposição do evangelho entre os povos ainda não alcançados. Não são despertados para a verdade que o alcance desses povos depende do desprendimento de rapazes e moças que se lancem, depois de bem preparados, ao campo missionário.
E o que dizer de pais que projetam nos filhos seus sonhos frustrados de outrora?! Em consequência disso, só conseguem vislumbrar uma carreira secular promissora para seus filhos. Carreira esta que produzirá ganhos materiais e estabilidade financeira, pois não admitem seus filhos como obreiros do Senhor, missionários onde Deus os quiser conduzir. Muitos até mesmo querem fazer dos seus filhos esteios de sua velhice, onde a segurança futura é depositada no bom sucesso de suas crias.
Que desperdício de juventude, criatividade, vigor, inteligência, etc. se observa quando os pais não admitem que seus filhos sirvam ao Senhor. Muitos consideram isso até mesmo vexatório, humilhante, atestado de incapacidade. “-Meu filho, obreiro do Senhor, missionário??? De forma alguma! Ele será alguém na vida”. é a afirmação, normalmente não verbalizada, mas algumas vezes, sim, de muitos pais.
Quanta marginalização por parte de pais egoístas que não conseguem ser motivadores para que seus filhos encontrem plena realização no serviço do Mestre, na obra missionária.
Sim, há muitos cemitérios de missionários em muitos lares de pais crentes mas que pouco confiam no Senhor para a condução e direção dos seus filhos.
Infelizmente, há dois tipos de pessoas, onde os jovens que desejam servir ao Senhor, encontrarão dificuldades de darem cabo de sua vocação e decisão de servirem no campo missionário: os pastores e os pais. Estes por seus, basicamente, egoísmos e medos de deixarem Deus conduzir seus filhos. Aqueles por terem uma visão medíocre e, não raras vezes, orgulhosa, a tal ponto de se constituírem nos donos da vocação de suas jovens ovelhas.
Precisamos, obviamente, reverter este triste quadro, tanto o pastoral/eclesiástico quando o paterno/familiar. A obra missionária que está diante de nós não comporta pensamentos e atitudes tão pouco visionárias, egoístas e medíocres. A obra missionária a ser feita só poderá, efetivamente, acontecer com nova mão de obra. E esta se encontra, exatamente, dentro de nossos lares e de nossas igrejas.
Ser um engenheiro, médico, advogado, dentista, militar, etc. qualquer um pode ser e desempenhar uma ótima profissão, com testemunho relevante no tecido social onde trabalhará. Mas um obreiro de Deus, um missionário de dedicação exclusiva ao serviço do Senhor, é tarefa apenas para aquele que persistentemente assim decidir e lutar. Que não se conforma com o cemitério que há ao redor de si, em sua igreja e ou lar.
Estes lutarão e insistirão já em sua própria casa e igreja, pois são, geralmente, nesses ambientes onde encontrarão as primeiras e mais fortes contrariedades para prosseguir.
Muitos pastores e pais, em flagrante reflexo de falta de visão e compromisso sério e visionário com Deus, serão os primeiros a tentarem (e muitos o conseguirão) demover suas ovelhas e filhos dessa “loucura” de querer ser missionários.
Nossa família, filhos e nossas ovelhas são instrumentos do Senhor para o alcance dos perdidos sem o conhecimento de Deus. Mas para que nós, pais e pastores, saibamos conduzir tais instrumentos a efetividade ministerial, necessitamos usar mais adequadamente a autoridade que o Senhor nos delegou. Usá-la com visão larga e aberta das necessidades e oportunidades do campo missionário. Usá-la debaixo da dependência do Senhor desses campos e do Seu desejo em alcançá-los. Usá-la de forma menos egoísta e marginal, a fim de que nossas ovelhas e filhos vejam em nós o entendimento de serem eles a resposta de Deus aos campos.
Queridos, precisamos abrir mão dessa potencial mão-de-obra; precisamos dar direcionamento bíblico abalizado a ela; precisamos ser melhores mordomos das ovelhas de nossas igrejas e filhos de nossos lares.
Não podemos ser pás que trabalham com a morte num cemitério de missionários em nossas igrejas e lares.
Que sejamos aqueles que trabalham com a “puericultura missionária”. Aqueles que promovem e asseguram o nascimento e o desenvolvimento de visões saudáveis naqueles que o Senhor nos deu a liderar.
Que O Senhor nos ajude. E Ele assim quer!
Juntos com Jesus, o Missionário por excelência,
João Luiz Santiago
João Luiz, e Denise, sua esposa, são missionários da MEVA.
Trabalharam 14 anos entre os yanomamis e macuxis, no estado de RR.
Atualmente coordena o Dpto. de Missões do SBPV.
Seu filho, João Luiz (Joãozinho), é também missionário da MEVA entre os yanomamis.
Sua filha, Lara Luíza, com seu marido, André, se preparam para a obra.

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