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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Julgamento e a Soberania Pertencem a Deus - Subsídio para Lição Bíblica

Posted by ALTAIR GERMANO DA SILVA on quinta-feira, setembro 11, 2014 with No comments

O texto de Tiago 4.11-17, além de tratar sobre o julgamento e a soberania de Deus, aborda também sobre o pecado da maledicência e a arrogância humana.

O PECADO DA MALEDICÊNCIA

Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo? (Tg 4.11-12)

A Bíblia nos ensina que é possível entre os crentes regenerados haver quem fale mal do seu irmão. Falar mal significa: expressar hostilidade, caluniar, injuriar, insultar, ofender, ultrajar, vilipendiar, falar coisas ruins, etc.

O pecado da maledicência é veementemente proibido em vários textos:

O caluniador não se estabelecerá na terra; ao homem violento, o mal o perseguirá com golpe sobre golpe. (Sl 140.11)

Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. (Ef 4.31)

Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. (1 Co 5.11)

Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. (1 Tm 3.11)

Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, (1 Pe 2.1)

O verbo grego no imperativo presente katalaleite (falar mal), antecedido da negativa me (não) em Tiago 4.11, revela que a ação já estava em andamento na igreja, e que precisava ser refreada continuamente.

O juízo feito entre irmãos não tinha como propósito a motivação correta de  reparar um dano, antes, estavam causando danos uns aos outros através da maledicência. Tratava-se de crítica destrutiva, em vez de construtiva.

A MALEDICÊNCIA, O JULGAMENTO E A LEI

A declaração de Tiago de que o maledicente fala mal e julga a própria Lei, pode ser compreendida das seguintes maneiras:

- Ao falar mal de um irmão, falamos mal da Lei e a julgamos, pois ela nos proíbe que o façamos (Lv 19.16, 18) (J. Gill);

- Quando falamos mal e julgamos os irmãos, geralmente o fazemos em áreas da vida sobre as quais as leis de Deus não se pronunciam com clareza ou que nos deixa a liberdade de agir como quisermos. Dessa forma, acabamos achando defeito na própria lei de Deus por não se pronunciar sobre esses assuntos (M. Henry);

- Ao falar mal de um irmão e ao julgá-lo, tomamos a lei em nossas mãos e assumimos o papel de legisladores. Ao fazer isso, julgamos a lei e até achando falta nela. (J. Calvino)

Vale lembra que o julgamento condenado por Tiago não diz respeito ao ato de avaliar os erros e pecados dos irmãos com o objetivo de corrigi-los e conduzi-los ao arrependimento (Mt 7.6; 18.15; Lc 17.3; Gl 6.1; 1 Jo 4.1; Ap 2.2). O procedimento que conduz a conversão de um irmão pecador é recomendado pelo próprio Tiago (5.19, 20).

Somente Deus, o único Legislador e Juíz soberano, através de suas leis, pode julgar os homens no âmbito em que Tiago censura a maledicência/julgamento (Tg 4.12).

A SOBERANIA DE DEUS E A ARROGÂNCIA HUMANA

Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.    Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna. (Tg 4.13-16)

A soberania de Deus, o faz Senhor absoluto sobre toda a criação, e nos é revelada conforme abaixo:

Soberania não é uma propriedade da natureza divina, mas uma prerrogativa oriunda das perfeições do Ser Supremo. Se Deus é Espírito, e portanto uma pessoa infinita, eterna e imutável em suas perfeições, o Criador e preservador do universo, a soberania absoluta é um direito seu. A infinita sabedoria, bondade e poder, com o direito de posse que pertence a Deus no tocante às suas criaturas, são o fundamento imutável de seu domínio (cf. Sl 115.3; Dn 4.35; 1 Cr 29.11; Ez 18.4; Is 45.9; Mt 20.15; Ef 1.11; Rm 11.36)  (Charles Hodge, p. 331, 2001).

Os textos abaixo nos falam sobre a soberania e a autoridade de Deus:

No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Sl 115.3)

Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes” (Dn 4.35)

Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.” (1 Cr 29.11)

Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entreoutros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça. (Is 45.9)

Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? (Mt 20.15)

[...] nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, (Ef 1.11)

Deus não condena o planejamento em si mesmo, mas a maneira como ele algumas vezes é feito. Excluir a ajuda de Deus dos nossos planos, ou simplesmente pedir que ele os aprove sem opinar, é pecado de arrogância, pois transmite a ideia de que não precisamos ou dependemos dele para conseguir os nossos objetivos pessoais, profissionais, ministeriais, eclesiais, etc.

Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros.

Onde está Deus no projeto acima? Pelo contrário, há uma clara manifestação da presunção humana, da auto-suficiência, da independência de Deus. Tal atitude é condenada pela seguinte sentença:

Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.    Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões [...]

A efemeridade da vida é citada por Tiago, assim como o fez Oséias, demonstrando a falibilidade dos projetos meramente humanos;

Por isso, serão como nuvem de manhã, como orvalho que cedo passa, como palha que se lança da eira e como fumaça que sai por uma janela. (Os 13.3)

O salmista diz o mesmo:

Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará. (Sl 39.6)

Porque os meus dias, como fumaça, se desvanecem, e os meus ossos ardem como em fornalha. (Sl 102.3)

Ninguém pode garantir o sucesso de seus próprios planos. Somente com a ajuda de Deus poderemos prosperar e realizar conquistas para a sua glória. [...] se o Senhor quiser. Essa é a atitude que deve nortear os planos de um homem e mulher de Deus:

Então, disse o rei a Zadoque: Torna a levar a arca de Deus à cidade. Se achar eu graça aos olhos do SENHOR, ele me fará voltar para lá e me deixará ver assim a arca como a sua habitação. (2 Sm 15.25)

Mas, despedindo-se, disse: Se Deus quiser, voltarei para vós outros. E, embarcando, partiu de Éfeso. (At 18.21)

...mas, em breve, irei visitar-vos, se o Senhor quiser, e, então, conhecerei não a palavra, mas o poder dos ensoberbecidos. (1 Co 4.19)

Porque não quero, agora, ver-vos apenas de passagem, pois espero permanecer convosco algum tempo, se o Senhor o permitir. (1 Co 16.7)

Isso faremos, se Deus permitir. (Hb 6.3)

Em relação aos planos futuros, o sábio nos ensina:

Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá. (Pv 19.21)

Que o Senhor nos ajude, e nos trate, nos curando e libertando de toda maledicência, orgulho, presunção, prepotência, soberba, altivez e arrogância. De tudo aquilo que não busca o bem do próximo, nem a glória de Deus.

Quem sabe o bem que deve fazer e não o faz, peca (Tg 4.17).

O conhecimento do dever que não é usado é pecado, o pecado de omissão (A. T. Robertson)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRIBERG, Barbara; FRIBERG, Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico. São Paulo: Vida Nova, 2006.
HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando a Carta de Tiago. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
SHEDD, Russel P.; BIZERRA, Edmilson F. Uma exposição de Tiago: a sabedoria de Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

É tempo de restauração!

Posted by Wilma Rejane on terça-feira, agosto 21, 2012 with 1 comment





Wilma Rejane


"A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega" Is 42:3



Através da simbologia da cana trilhada e do pavio que fumega, Deus revela Seu amor e misericórdia para com os caídos, machucados, carentes de uma nova vida.

À beira da estrada, nas trilhas de canaviais é o lugar onde se acumulam canas desprendidas dos pés, arrastadas pelos fortes ventos, fáceis de serem pisadas e descartadas em razão do estado de estrago. Não é bem o tipo de cana que agricultores usariam para obtenção de lucro ou mesmo preparo de alimento. Mas Deus diz: "essa cana me interessa, não a lançarei no lixo, assim mesmo, como está, Eu me servirei dela, Meu poder restaurador é maior que a conspiração de morte."

Pavio fumegando nos fala de forças que se esvaem, de fogo que se apaga, de vidas que outrora foram repletas de sonhos, fé e esperança, mas que se perderam em algum , chegando próximas de um fim. E Deus diz: " Não permitirei que encerre sua missão de iluminar, antes farei reviver a chama".

Essa mensagem nos convida a viver um novo tempo que ressurge pelas mãos Divinas do Pai, atento às "insignificantes" coisas da vida que sob um olhar humano nada valem a não ser para serem descartadas. Mas Deus em infinita misericórdia das cinzas, do monturo, ergue o necessitado.

Levanta o pobre do pó, e do monturo levanta o necessitado. Para o fazer assentar com os príncipes, mesmo com os príncipes do seu povo. Salmos 113:7-8

Se hoje você se sente assim como "a cana trilhada e o pavio que fumega" o convido a entregar tudo a Deus em um gesto de fé e reconhecimento de incapacidade humana. Deus quer você, como está. Ele passeia entre os canaviais para ajuntar o que está em pedaços. Ele restaura as trilhas, desobstrui os caminhos para uma nova visão.

Lembre-se de Jó, em seu estado miserável: perdera família, saúde, amigos, enfim, uma "cana trilhada, pavio fumegando" experimentando as dores mais terríveis das adversidades, mas do fundo da alma, de um lugar onde Satanás não pode tocar, Jó arrancou forças para crer:
"Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus." Jó 19:25,26.

Reúna suas forças e arranque do fundo da alma a mesma confissão feita por Jó. Da mesma forma que a restauração chegou para Jó, chegará para você também. Deus se apraz em fazer o bem a um coração que clama e confia em Seu socorro.

Lembre-se ainda da prostituta Raabe, o testemunho dessa mulher aumenta minha fé, conforta meu coração a não se entregar a mágoas, angústias, rancor e tudo o mais que seja veneno para meus ossos. Raabe estava "na trilha do canavial". Uma vida sem sentido, dormindo e acordando para viver as mesmas coisas fúteis inerentes a quem faz do corpo comércio. Mas do fundo da alma, encontrou forças e pela fé entregou a vida e a família aos cuidados do Senhor.

"Pela fé Raabe, a meretiz,não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias"Hb 11.31

E o que dizer de Noemi? Amargurada por ver a morte ceifar as pessoas que mais amava, vazia, faminta e desprezada, parte em fuga de um lugar a outro, com esperança de nova vida. Noemi estava abalada " na trilha do canavial, pavio fumegando" mas ainda lhe restara a fé que confessava no íntimo da alma, no que Deus lhe foi fiel.

“ Ele te será Recriador da alma...” Rt.  4:15

A palavra "recriador" vem de shub (strong 07725) que significa: “Voltar”, “ir de encontro ao ponto de partida, em sentido espiritual”; “arrepender-se”.  Deus mudou a direção da vida de Noemi, arrancou a dor, concedendeu-lhe alegria. O Deus que ela servia não a desamparou em momento algum, apesar dos pesares.

Esse é o tempo da restauração para sua vida. Deus é esse Recriador da alma que sente prazer por nos socorrer, simplesmente porque nos ama. E ele ama, em todo o tempo, mesmo e principalmente quando achamos que não merecemos Seu amor.

Em Cristo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Não é o fim, tende bom ânimo.

Posted by Wilma Rejane on segunda-feira, agosto 06, 2012 with 11 comments





"Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo" I Rs 19:7



Wilma Rejane

Não é o fim do caminho, ainda que você esteja olhando para todos os lados sem enxergar o chão, mas um abismo bem a frente, sem forças e sem ânimo. O natural nessas horas é entregar-se às circunstâncias tornando-se derrotado; o sobrenatural é olhar para o alto e perceber que não está só, é dar meia volta nesse penhasco e considerar o recomeço. Não é trilhar um caminho de volta, é caminhar sobre um novo fundamento que Deus colocou ali especialmente para você.

O profeta Elias estava em uma situação difícil, chegou a pedir a morte, Deus porém lhe diz: “Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo” I Rs 19:7. Quero te animar a perceber o caos com os olhos criadores do Pai. No começo a terra “era sem forma e vazia” Gn 1:2 e isso bastou para que Ele formasse o Paraíso. Elias estava tão deprimido que o horizonte sobre ele era uma negra cortina, mas Deus diz: “Não é o fim, você precisa reagir, se fortalecer e prosseguir porque tens muita vida pela frente.”

É estranho que seja necessário chegarmos ao extremo da tristeza para descobrirmos quem somos e o quanto Deus nos ama. É maravilhoso saber que as revelações sobre Deus se apresentam para o homem, quando este se reduz a total dependência, reconhecendo sua fraqueza e sua origem. É exatamente quando não se tem força alguma que surge a Verdadeira fonte de sustentação. É quando colocamos nossa confiança no Senhor que Ele estabelece conosco um relacionamento ímpar, fazendo-nos compreender o sentido de todas as coisas.


Não é o fim para os que amam, porque através do amor é possível encontrar felicidade no que aparentemente não tem motivo para assim ser. Quem poderia imaginar que no sofrimento da Cruz, do Cristo humilhado, ferido e injustiçado estaria a Redenção da humanidade? Quais foram os olhos que viram na fragilidade do Jesus ferido e ensanguentado a minha e a sua salvação? :” Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem escondiam o rosto não fizemos caso algum, mas Ele levou sobre si nossas dores e enfermidades...” Is 53 3,4.

Não faço ode ao sofrimento, mas a superação deste, a redenção, aleluia! Quero te animar a acreditar em Deus com todas as suas forças, ainda que pense que sua força seja pequena, mas ao entregar-mo-nos a Deus, através de Cristo Jesus, somos alimentados. Se faz real em nós a mesma ordem dada a Elias: “Levanta, come e anda porque o caminho é longo”. E esse caminho já não será o mesmo, ainda que enfrentemos as mesmas adversidades, Ele está conosco e isso é tudo. E ai quando se acha que é o fim é apenas o começo. Jesus ressuscitou! E foi quando a morte achou que tinha vencido que foi vencida! “tragada foi a morte da vitória! Onde está, ó morte o teu aguilhão? Onde está, ó inferno a tua vitória? “ I Cor 15:54:55.

Acredite, Deus tem algo novo para os que se entregam ao arrependimento, com coração sem reservas e quebrantamento de ser. Qualquer que seja a circunstância Ele transforma.

Deus o abençoe.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Valor do Perdão e Os Irmãos Collyer

Posted by Wilma Rejane on quinta-feira, março 29, 2012 with 3 comments

Aquele que não pode perdoar destrói a ponte sobre a qual ele mesmo deve passar. George Herbert





Permita-me começar esse artigo com uma ilustração triste e real sobre os irmãos Langley e Homer Collyer. Eles ficaram famosos por causa do compulsivo hábito de acumular objetos . Ambos eram adultos e considerados inteligentes: Langley formado em engenharia e Homer em advocacia. Após perderem os pais, se isolaram em um apartamento na cidade de Manhattan, Nova York, chegando a acumular a incrível marca de 140 toneladas de itens empilhados por todos os cômodos. Os vizinhos começaram a sentir falta dos irmãos e chamaram a polícia que logo constatou : Foram mortos pelos objetos que acumulavam, quando estes caíram sobre eles.

Eis as fotografias de como estava a residência dos irmãos Collyer após ser invadida por policiais. Tão cheia de lixo e detritos que se tornou um grave perigo para os ocupantes e equipes de emergência.


Sala de estar da morada dos irmãos Collyer


Policiais vistoriando as cargas empilhadas


O que essa história tem a ver com perdão? Se não perdoamos aos outros e a nós mesmos, acumulamos carga ao nosso espírito de forma que fica difícil caminhar com fluidez e felicidade. Rancor, mágoa, sentimento de vingança, culpa, podem nos conduzir a um estado tão pesaroso que corremos o risco de sermos mortos pelas próprias cargas que transformam nosso ser em um lugar cheio de lixo e detritos.

Salach, é a palavra hebraica mais comummente usada para definir o perdão na Bíblia ( Strong 05545), a tradução, é fantástica! " aliviar alguém de uma carga". Salach sempre se refere ao perdão de Deus para com os homens: "É Ele quem perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as suas enfermidades" Sl 103:2. Aleluia! Jesus usou Salach para dizer ao paralítico: "Homem, os teus pecados estão perdoados!" Lc 5:20 e outra vez se lê que Jesus É Aquele que remove nossas cargas nos dando descanso: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Mateus 11:28-29.

Assim, todas as vezes que nos sentirmos presos pelo jugo da culpa e da falta de perdão, recorramos a Cristo Jesus, na certeza de que seremos aliviados, perdoados, porque Ele é grandioso em misericórdia, a cada manhã renova seu estoque de perdão .Lm 3:22. Se nós nos movemos em toda sorte de limitações, Deus se move em milagres! No sacrifício da cruz, fomos reconciliados com Deus, através da Cruz fomos libertos do cativeiro do pecado. Mas é preciso ir até Jesus e não fazer como os irmãos Collyer que se isolaram na perigosa companhia de suas cargas. Penso que eles não ponderaram sobre o perigo que elas representavam, isso acontece conosco:  não consideramos perigosas as "raposinhas" que criamos em nossas vinhas e somadas uma a uma, se transformam em toneladas!

Não creio que perdoar seja algo fácil, mas ao lembrarmos que Cristo nos capacita a fazê-lo, perdoar se torna um excelente negócio! Para que conviver com as cargas se podemos entregá-las para Jesus?! Em um dos Salmos, vemos Davi confessar que a carga da culpa estava minando sua saúde, tirando sua paz, até que ele decide ir a Deus e confessar suas mágoas. A partir dai, lhe é devolvida a alegria: Salmo 32: 1-4 diz: "Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido de todo o dia. Porque de dia e de noite tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de Estio. Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri: Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu coração”.

Pedir perdão a Deus é uma necessidade nossa. Perdoar quem nos feriu, é uma escolha que Deus nos atribui recompensa:

  • Mateus 6:12 - "Perdoa-nos os erros que fizemos, assim como nós perdoamos os erros que outros fizeram de nós."
  • Lucas 6:37 - "... Perdoem, e serão perdoados."
  • Mateus 6:14-15 - "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai não perdoará as vossas ofensas."

É isso queridos leitores. Espero em Deus que essa mensagem fique guardada em vossos corações para ser aplicada em tempo oportuno. Cada vez que alguém nos ferir ou que nós mesmos venhamos a nos sentir infelizes por algo de errado que praticamos, recorramos a Jesus: "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." I João 2:1-2. Lembremos da metáfora dos irmãos Collyer e não acumulemos cargas, elas podem ser o motivo de nossa ruína. 

Deus os abençoe.

Wilma Rejane.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Estações da Fé em Jeremias e Habacuque

Posted by Wilma Rejane on quinta-feira, dezembro 08, 2011 with 1 comment






Wilma Rejane

Moro em uma das cidades mais quentes do Brasil (Teresina) e todos os anos presencio a vegetação de meu jardim, e de outras áreas, definhar com as altas temperaturas e revigorar com a chegada da chuva. As mudanças de estações revelam lições uteis a nossa vida. É possível fazer viver a consolação e os milagres, tão somente observando o curso da natureza e a forma como Deus mantem e renova o que por algum período parecia não ter vida: Árvores ressequidas e “despidas” pela queda de folhas, em apenas alguns dias de inverno ressurgem  com a beleza de quem sorri pela felicidade de amar. 


O amor tem esse dom de entrelaçar céu e terra em largo riso visível  até a plenitude do invisível.  Não se sabe onde começa, nem onde termina a alegria dos que amam. Assim é o esplendor da natureza, ou melhor: do Senhor da natureza!  Parece sonho!  Lá estava um “esqueleto” de Ipê. Tristonho e sem vida, mas quando chega a sua estação, quantas flores!! Quem passa ao longe, vê a graça da cor.

Ipês amarelos.


Nossa vida, obedece esse curso de rotina: “Enquanto a terra durar; sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão” Gn 8:22.  Não há tristeza que dure para sempre, nem alegrias que não se renovem. Espalhamos sementes que brotarão a seu tempo, tal qual o florir do Ipê. Esse dom  que se assemelha ao movimento dos astros; influenciando noites e dias, secas e enchentes -e outras vertentes – carrega consigo a esperança: De que sempre haverá um futuro onde possamos nos resguardar das tempestades e comemorar a superação das adversidades. Misericórdia sem fim brota no universo para você e para mim! É Deus no controle dos dias, derramando Sua graça, conservando o belo, enquanto a maldade persiste no caos.


Essa força de recomeços, está em nós.  A anatomia humana conspira a favor da vitória. Não há nada sob a face da terra que se iguale a coroa da criação: o homem. Não há outro ser com capacidade de compreender “os porquês”  e  adentrar no secreto dos céus com orações  em gratidão ou mesmo rebelião. O bem e o mau ganharam  forma, desde que senhor Adão corrompeu o coração sob as folhas da árvore da vida e promessas malditas.  Foi em um jardim. Natureza por todos os lados: vida e morte conjugados. E ele escolheu a morte, como fruto que lhe comoveu as entranhas em agonia e perdição.

Eis o mundo: um jardim. Já não é tão belo desde que Adão e Eva se entregaram a escolhas erradas. Contudo: “sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite” continuam a existir anunciando novos tempos, novas estações carregadas de esperança e oportunidades de felicidade. Não desperdicemos essa rotina que se encrava em nós a cada manhã, quando no horizonte o maravilhoso espetáculo do nascimento do sol, deixa para trás a escuridão da noite. Mas a noite está lá, presente em algum outro lugar! No dia, o céu oculta a infinidade de estrelas que voltarão a brilhar obedecendo a rotina das horas. 



Na estação do amor.


Tudo no universo é resultado do amor de Deus por nós. A linguagem de amor e misericórdia nos acompanha insistentemente: “ Porque as suas coisas invisíveis desde a criação do mundo, tanto o Seu eterno poder, como a Sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” Rm 1:20


As estações nos ensinam,  porque trazem consigo a linguagem de Deus. Esse curso natural do planeta, sofre consequências da ação humana porque ao homem foi dado o domínio da terra, assim também é a nossa vida.  As estações existem, fazendo parte do percurso da vida, contudo, está em nós a escolha de nos tornarmos mais fortes e belos  ou mais fracos e infelizes a cada novo tempo. O profeta Habacuque viveu em cerca de 600 ª C. Seu nome significa “abraço” e pela fé em Deus ele abraçou escolhas corretas,  afagou o Criador que conservou em firmeza seus passos, quando tudo ao seu redor tinha cheiro de morte. Habacuque, presenciou uma seca terrível e ao contemplar as dores do seu tempo declarou:

“Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas e nos currais não haja vacas. Todavia, eu me alegrarei, no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. Jeová, o senhor, é a minha força, e fará os meus pés como os da cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas”. Hc 3:17,19.

A força e alegria de Habacuque em tempos de grande seca vinham de sua fé. O profeta dançou e rodopiou em meio aos campos devastados. A palavra “me alegrarei” no verso e no original hebraico é “Gil”: bailar de alegria, saltar em canto. Eis a lição de superação retirada dos piores dias, que deixam de ser piores quando há fé na justiça e direção de Deus. Habacuque, não era um super-homem (eles não existem) era um de nós.

Um outro profeta, chamado Jeremias, presenciou seu povo ser levado cativo para a Babilônia. Mortos e feridos, choro e ranger de dentes; destruição. A estação era de seca e o céu era noite. Enquanto muitos de sua nação, amargavam em lamentos  e  falta de perspectivas, Jeremias tinha outra visão. Ele enxergava com os olhos da fé e via restauração : Inverno e primavera:

“Ó Senhor, fortaleza minha, e força minha, refúgio meu no dia da angústia!” Jr 16:19. Força, do hebraico oz,  verbo azaz : ser firme e constante. Quem vive pela fé no Deus vivo e no Cristo ressuscitado é firme e constante, mesmo que o mundo desabe ao seu redor. Jeremias, como bom observador que era da natureza, deixou registrado para a eternidade os frutos de sua fé, de seu relacionamento com Deus, ao que comparou:

“Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Porque ele será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas sua folha fica verde; e no ano da sequidão, não se afadiga, nem deixa de dar fruto” Jr 17:7,8.




A reação humana diante das adversidades pode ser ainda superior ao comportamento das árvores e tudo mais nas estações propriamente ditas. Qual a árvore que fica verdinha e cheia de vida em tempo de intenso inverno? Somente as que estão plantadas junto a ribeiros de água. A vegetação próxima as cataratas do Niágara são vistosas permanentemente porque suas raízes são bem alimentadas e a terra regada diariamente pela abundância de água cristalina. Assim é o homem que se refugia no Senhor: Tem vida em meio a morte.


Esse artigo nasceu da necessidade de compartilhar esses “segredos das estações” que estão reservados aos que vivem pela fé em Jesus. Acredite, busque ao Senhor com todo o coração, como as raízes das árvores plantadas junto aos ribeiros de água que se estendem a longas distâncias e não temem o intenso calor.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Na Prova Com O Profeta Jeremias

Posted by Wilma Rejane on segunda-feira, outubro 10, 2011 with 3 comments




 "Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho"
Hb. 12:6





Apenas recentemente aprendi a diferença entre ser tentado e ser provado. Tentação vem do diabo e é para nossa destruição. Provação vem de Deus, é para nossa edificação. O profeta Jeremias, ao ser liberto do cepo, exclamou: "Tu, pois, ó Senhor dos exércitos, que provas o justo” Jr 20:12. Cepo é um pedaço de tronco, o profeta foi amarrado a ele depois de ter apanhado do ímpio Pasur.

Enquanto a pecadora sociedade israelita se afundava em idolatria e outros pecados, Jeremias, Atalaia de Deus pagava o preço da santidade e obediência. Uma voz ungida, em meio a ruídos infernais, que era sufocada pela surdez espiritual. Quantas pessoas estão sendo influenciadas, salvas e edificadas através de Jeremias? Incontáveis sob a face da terra.

Quando somos provados, não crescemos sozinhos. È porque Deus quer ministrar através de nós, aleluia! Fortalecidos na fé, tendo chegado ao alto do monte, apontamos o caminho para os que estão no vale, não apenas isto, mas lançamos cordas reforçadas por muitas tranças, conquistadas a preço de renúncia.


“Gloriamos-nos nas tribulações, sabendo que elas produzem paciência, experiência e esperança”Rm 5:3,4.

Jeremias disse: “Vi terror por todos os lados, mas o Senhor está comigo como um valente terrível” Jr 20:9-11. Ainda que a sua e a minha visão seja de terror, prossigamos confiantes, totalmente entregues Àquele que nos salvou, na Sua força venceremos o pavor. Depois da prova, do cepo, finquemos o tronco em memorial ao Senhor. E como em Betel, um altar de honra se formará para outros adoradores. O cepo florescerá, como renovo, para glória de Deus.

Em Cristo.

Wilma Rejane

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Contando as grandes coisas que Deus faz!

Posted by Wallysou on quarta-feira, setembro 14, 2011 with 4 comments
fugindo do inferno e do pecado, com Cristo

Como escaparia eu de tão grande salvação? (Meu testemunho)


[só Deus sabe como foi difícil para mim escrever e concluir este post. Foi uma luta imensa, e tanto investimento deve me render pouco retorno, mas estou escrevendo para a glória e crescimento do Reino, e não do meu blog. Que o Senhor possa usar este simples relato para engrandecer Seu nome e ganhar outros para Seu reino de amor e graça.]
Obs. Este post foi publicado no UBE-Testemunhos, e republicado aqui para incentivar os irmãos tanto a lançarem seus testemunhos na rede, como a divulgarem nosso blog de testemunhos.

Neste post, eu me proponho a relatar um pouco como foi que me converti, o que aconteceu para que eu tomasse uma decisão tão radical e drástica em minha vida. Hoje, olhando um pouco para trás, após passados 16 anos daquela noite de domingo onde Jesus veio e me encostou contra a parede, dizendo “E aí, vai ou fica?” (calma, você vai entender mais a frente), consigo perceber coisas que antes me estavam encobertas.

Quero, assim, convidá-lo a conhecer meu testemunho de conversão. Se tiver um tempo vago e não estiver fazendo nada de interessante, me acompanhe. Garanto que, depois de ler, você vai se arrepender, de um jeito ou de outro (risos).


Introdução


Eu me converti e vivo em um ambiente predominantemente arminiano, embora conviva com muitos amigos calvinistas, de mente teologia reformada e tenha certa simpatia por alguns dos cinco pontos do Calvinismo. Talvez eu seja, assim como outro colega blogueiro, uma nova espécie de crente: arminista ou calviniano (risos). Essa minha posição se dá tanto pelo que leio na Bíblia como por minha experiência de conversão, e você poderá ler e decidir por si mesmo se estou sendo coerente – ou não.

Estranhos acontecimentos na infância


Dizer que me aconteceram coisas estranhas na infância é praticamente um pleonasmo, até porque TUDO o que acontece na vida infantil é muito, muito estranho… risos. Depois que a gente sai do útero, cego, surdo e mudo (aprendi a gritar no tapa…), esse mundo é realmente muito estranho, ainda mais quando você vê as gentes grandes olhando pra você, fazendo careta e chamando um tal de “bilu-bilu“. É ou não é um mundo estranho?

Voltando: eu, muito novo, fui morar em São Paulo, na cidade de Campinas, com tenros anos de vida. Meus pais trabalhavam, nessa época, de sol a sol para manter a casa. Eu era filho único de mais uma família que se viu obrigada a se mudar do sertão por conta da terrível seca dos anos 70-80. Sim, eu também fui retirante, ainda que sem saber o que era isso até a idade adulta. E foi nesse estado (São Paulo) onde aconteceram duas coisas que marcaram minha vida de modo indelével.



A primeira foi quando eu contava com uns 4-5 anos de idade. Meus pais trabalhavam longe e saíam logo cedo para a labuta, enquanto eu era cuidado por uma vizinha que tinha um filho da mesma idade que eu (Washington, se não me falha a memória). Numa dessas manhãs comuns, algo incomum ocorreu: essa vizinha foi nos levar ao bairro de frente mas, para isso, era necessário atravessar a perigosa rodovia Campinas-Valinhos, que era conhecida na época por “rodovia da morte“, devido aos vários acidentes e atropelamentos fatais ocorridos em suas pistas.


Ela no levou até à beira da pista, aguardando o momento propício de atravessar, enquanto os carros cruzavam a pista a grande velocidade. Num breve descuido dela, soltei de sua mão e corri em disparada pela pista para chegar ao outro lado. Os primeiros metros transcorreram sem problemas e, quando eu estava no meio da segunda parte, ouvi uma buzina estridente e intermitente. Era uma kombi que vinha em minha direção, para me pegar em cheio. E eu, criança inocente que era, sem saber direito o que era aquilo e o porquê da buzinada, simplesmente parei na pista, vendo o veículo aproximar-se rapidamente ao meu encontro.


O motorista, sem outra alternativa, em uma desesperada atitude, afundou o pé no freio e a kombi veio rasgando o asfalto, enquanto os pneus faziam um barulho agudo e soltavam mais fumaça que o escapamento. Eu fiquei parado, enquanto a kombi se aproximava, inicialmente rápido, depois lentamente. Ela deve ter parado alguns metros diante de mim, e o motorista com expressão horrorizada me fitando. A vizinha correu até o outro lado da pista, me pegou pela mão e correu de volta para sua casa. Quando minha mãe chegou do trabalho, à tarde, a vizinha estava em choque, acamada, e contou para ela minha peripécia infantil.


A segunda foi até mais emocionante do que a primeira, mas não envolveu outras pessoas, e eu já sabia distinguir um pouco mais as coisas, tendo de 6-8 anos de idade. Ok, eu sei que você está curioso, e vou satisfazer sua curiosidade: dessa segunda feita eu quase fui vítima de afogamento, e já contei essa experiência em outro post, falando sobre milagres cotidianos que acontecem conosco. Leia, tenho certeza de que vai gostar.

 

Coisas de adolescente, ou nem tanto


Sim, eu também já fui adolescente, embora não me lembre bem da experiência daquele período turbulento e obscuro. Ser adolescente é descobrir-se um ser em formação que não sabe o que quer, e nem porque quer, achando-se o dono de uma verdade que ele desconhece. Não sei se todo adolescente é assim, mas assim era eu. Resumindo: eu era um porre… só que me achava porreta! Põe sem-noção nisso. #vergonha

Certa vez fui convidado para fazer par em uma festa de 15 anos na cidade em que nasci, fazendo alguns anos que voltamos a morar novamente nos rincões nordestinos. No dia em que estava saindo de casa para o clube onde seria a festa, devidamente enternado (vestido de terno), meu irmão mais novo, que deveria ter uns 2 anos, ficou me chamando de “pastô”, por causa do terno. Só não falei umas abobrinhas porque eu estava atrasado, mas a vergonha de sair de terno na rua sendo confundido com “crente” foi grande…


Já aos dezessete anos, conheci uma moça muito bacana com quem namorei um tempo, sendo ela mais velha que eu alguns anos. Seu nome era Vânia (memória, alô!) e ela era motoqueira. Um dia, conversando sobre coisas do cotidiano, ela me disse que tinha ido a um culto evangélico e que Deus havia falado com ela. Apesar de não ter se rendido ao Senhor naquele dia, ela sabia que seria crente um dia, pois sentiu algo diferente e quase irresistível no apelo.


Então eu, nesse momento, emprestei minha boca ao capeta: “ah, esses pastores usam técnicas de lavagem cerebral e dizem as palavras certas de acordo com o ouvinte, deduzindo o aquilo que vai causar mais impacto…”, mas ela refutou de pronto esse argumento lógico (e diabólico) com uma frase que me calou: “Não! Ele estava falando comigo! Eu sei, eu senti. Não sei quando, mas um dia eu ainda vou ser crente”! Talvez mude alguma palavra da frase original, mas o sentido foi esse. Dessa vez, fui eu que fiquei impressionado com a convicção dela.


 

Um jovem com muitos ideais, mas sem idéia alguma da dura realidade


Logo ao completar os tão aguardados 18 anos (hoje nem faz tenta diferença…) e concluir o 2º grau (hoje Ensino Médio), prestei vestibular para estudar na capital (Natal/RN) e passei para o curso de Zootecnia, o qual cursei durante dois anos, antes de mudar para Administração de Empresas. As coisas que marcaram dessa época foram:


- fui morar na residência universitária do campus, uma espécie de albergue subsidiado para estudantes pobres do interior. Sim, eu também já fui pobre, pra falar a verdade eu posso dizer que já saí da pobreza, mas o problema é que a pobreza não saiu de mim ainda (risos)!



- conheci alguns rapazes evangélicos cujos testemunhos de vida me mostraram uma imagem diferente daquela que eu tinha, e conheci pessoas que possuíam um brilho diferente e exalavam uma paz que eu desconhecia;



- engatei um namoro com uma moça que conheci em uma festa na universidade, que foi intensamente turbulento e me trouxe muitas feridas e mágoas (mereci né!)
, mas que prepararam meu pobre coração para que a semente do evangelho pudesse brotar e crescer;


- conheci um rapaz no curso de administração que me presenteou com uma Bíblia usada, mas que foi um dos primeiros contatos sólidos que fiz com a Palavra de Deus de forma sistemática e contínua, e que me fez muito bem.

O agir de Deus em minha vida, me chamando

Certa noite, enquanto eu lia a Bíblia em Apocalipse, tive uma revelação (risos… se não entendeu a piada, pergunte!). Eu senti de forma muito clara que Deus estava me chamando, visto que eu estava lendo Apocalipse 3, onde Ele está batendo à porta. Foi tão forte que me ajoelhei ao lado do beliche e orei: “Jesus, pode entrar em meu coração, que estou abrindo ele para o Senhor agora”! Sem saber, eu estava me entregando ao senhorio de Cristo, sequer fazendo idéia da gravidade do fato. Passou.


Em outra noite, madrugada para ser mais exato, tive um sonho que foi super impactante para mim. Estava eu a andar tranquilamente numa antiga rotatória que havia em frente ao estádio Machadão (hoje é um viaduto) e era exatamente meio-dia. Não sei explicar porque eu sabia o horário exato, apenas sabia que era meio-dia, ou seja, 12 horas. Então, eis que de repente tchan tchan tchan… eu olhei para o céu e ficou enegrecido de nuvens quase que instantaneamente. Mas não eram nuvenzinhas não… eram NUVENS NEGRAS, e baixas, quase da altura de um edifício alto, de causar medo. Nuvens que pareciam com aquele tipo de espuma preta, ortopédica (nem sei se existe mais).


Eu me lembro de ter olhado para cima e ficar me perguntando: “ué, mas agora é meio-dia, por que apareceram essas nuvens negras tão de repente?” e, enquanto eu pensava nisso, por trás das nuvens, uma voz, mas pense numa VOZ de trovão. ERA um trovão, e estrondou tudo. Até aí, nada de estranho, certo? Mas, calma, chego lá. 

voz de anjo ou de trovão?


A voz, ou o trovão, sei lá, dizia assim: “Jesus vem buscar a Sua Igreja“! Mas o mais estranho era que aquela voz, apesar de doer em meus ouvidos de tão estrondosa, era doce aos meus ouvidos… Já ouviu aquela frase “fulano diz palavras doces“? Pois é, eu experimentei na prática. Tudo bem, foi em sonho, mas tá valendo. Então, depois de ouvir a voz do anjo, eu olhei pro céu e me perguntei: será que EU vou? Não demorei a me responder: não, eu NÃO vou! E aquilo ficou martelando minha mente… #verdade dolorida

A outra experiência marcante foi também uma experiência que eu tenho um pouco de vergonha de contar, de verdade. Já contei isso para várias pessoas, mas assim, publicamente para o mundo inteiro ouvir (ou ler), nunca. Mas, como é para que outros venham a conhecer Aquele que eu desconhecia, vou me render ao propósito maior de abençoar outros com minha história. Foi assim… era uma vez (risos).


Eu trabalhava em um banco, na cidade de Natal/RN e, em determinado período, trabalhava das 18 às 0h. Havia um pequeno espaço de tempo ocioso, quando os colegas iam a uma reunião de compensação de troca de cheques (hoje isso é feito de forma eletrônica mas, na época, era feita em papel). Como eu era digitador, tinha que esperar que eles chegassem com os papéis da troca com os outros bancos para então digitá-los e transferir os dados ao sistema central.


Uma dessas noites de ociosidade, eu fui ao telefone fazer uso de um serviço que [também] não existe mais: o disque-amizade. Se você nasceu neste século ou na virada do milênio, não vai saber mesmo do que estou falando. Não é que eu seja velho, é que eu sou… um pouco experiente (risos). O serviço era um número local que era o que hoje é um chat, mas falado. Naquela noite, eu entabulei conversa com uma mulher e acertei um encontro o qual eu já sabia de antemão o que iria rolar: motel. #muita calma
vergonha nessa hora

Sem Vergonha, Eu?



Nós marcamos de nos encontrar em um pequeno shopping próximo de onde eu morava, com aquelas coisas básicas de quem vai se conhecer pela primeira vez (e existe se conhecer pela segunda vez? #eufalomesmo): eu vou estar com roupa tal, cor tal, aquela coisa toda. Quando nos conhecemos, eu que era todo cheio de futriquices e mequetrefes, olhei a cidadã de alto a baixo e pensei comigo: “tô a perigo mesmo, matando cachorro a grito, subindo pelas paredes feito lagartixa e ainda dando beliscão em azulejo… vou encarar essa parada“! Cara, quando você não tem Jesus na vida, sua história é uma piada mesmo, e no meu caso era suja e sem graça, literalmente.


Trocamos aquelas palavras e beijinhos de cumprimentos, embarquei com ela em um táxi rumo ao matadouro, digo motel. É inevitável eu falar assim, pois estou me lembrando como era a situação e minhas atitudes. O mais engraçado – ou tragicômico – é que hoje fico encabulado de contar coisas que, antes, eu ficava todo-todo, contando vantagem aos amigos. Como as coisas mudam, não é mesmo? Graças a Deus, no meu caso, as coisas mudaram para melhor, muito melhor mesmo. Mas, vamos ao que interessa, desculpe o trocadilho… risos


Quando chegamos ao motel, vulgo local de abate, nos deparamos com uma situação inusitada: lotado e com fila de espera. Pelo visto, estar a perigo era contagioso naqueles tempos tenebrosos. Agora não sei, desde que me converti, pouco tempo depois, não sei mais como é a rotina de um local de encontros amorosos furtivos (vulgo motel). O atendente que veio nos recepcionar, não sei se para quebrar o gelo ou pintar um clima, nos ofereceu bebidas. Eu, inocente, perguntei o que tinha: uísque, cerveja, refrigerante. Ela pediu uma dose e eu um refrigerante… #pense na presepada


sedutor à moda antiga = eu

 


O atendente fez uma cara de quem não entendeu nada, deu de ombros e saiu para buscar o pedido, não sem antes minha “companheira” fazer graça com a pessoa: “engraçado né, ele que devia pedir a bebida e eu o refrigerante“… Mal o rapaz virou as costas, ele olhou para mim com uma expressão ameaçadora: “você não é crente não né! porque se for, eu vou embora agora mesmo“! Não, eu não era, pelo menos pensava que não era, então a situação seguiu seu curso normal até encontrar seu desfecho previsível. #essa parte pula


É provável que você esteja se perguntando o que é que tem de marcante nisso tudo, acertei? Pois é, o marcante começa agora. Quando as coisas acabaram, eu também estava bem acabado. Explico. Antes de ir àquele encontro, eu estava desejando intensamente aquilo tudo, com todas as minhas forças. Mas, ao concluir a Operação 007 – Um Sedutor em Ação, descobri algo que me perturbou sobremaneira: eu estava me sentindo mais vazio do que quando cheguei naquele lugar. Entenda o que eu estava sentindo.


Antes de conhecer a rapariga (que é sinônimo de moça, lá em Lisboa) e adentrar naquele inferninho pela porta da frente, eu estava exalando feromônios por todos os poros e pelos disponíveis, coisa típica de um rapaz no auge de seu vigor físico e sexual. Mas, depois de concluído o ato, lá estava eu, deitado olhando pro teto escuro com olhar totalmente perdido, se é que você me entende, me sentindo um lixo. Bom, um lixo não, mas um ser humano totalmente vazio, oco de tudo, como se meu interior fosse um buraco sem fundo e sem fim. Assim era eu, e era assim que eu me via.


Mas, eis que algo surpreendente aconteceu e comecei a ver uma luz no fim do túnel! Não ria, pode até não parecer (ok, não parece mesmo) mas estou falando sério. Enquanto eu estava deitado, tentando entender por que eu estava tão deprê, mais pra baixo que palito em boca de bêbado, me perguntei: “eu estava com tanta vontade de vir aqui e obter o que eu consegui e, agora que eu tive o que queria, estou me sentindo mais vazio do que antes“! Foi a sensação mais esquisita e diferente de tudo que já havia sentido em toda minha breve vida, até então.


Voltando para a luz. Eu estava deitado de lado, com esses pensamentos a me assaltarem e, de repente, surgiu diante de mim, mas a certa distância, uma luz incrível, que emanava uma paz tal e tamanha que jamais havia sentido igual antes, e nem depois também, pra falar a verdade. Essa luz parecia palpável, era como se eu esticasse a mão e pudesse tocá-la, apalpá-la de verdade. Parecia uma luz viva, como se fosse uma nuvem branquíssima se revolvendo e soltando raios luminosos de dentro de si. Uma coisa totalmente estranha e absurda de se ver e sentir.

 

Paz, é possível existir e sentir?


Mas aquela paz… ah que paz. Fui conquistado de imediato, atraído por aquela sensação de segurança e tranquilidade inexplicável. Lembro-me que fiquei tão embevecido e maravilhado com aquela sensação que fui totalmente absorvido por aquela presença sublime.

Eu deixei de existir, pois já não me lembrava quem eu era, de onde tinha vindo, o que fazia e nem onde estava, tudo havia perdido o sentido e a noção de tempo x espaço foi-se embora. Eu estava totalmente embriagado pela graça daquela presença inconfundível, mas desconhecida para mim. O que ou Quem era aquilo, me perguntei? Dentro de mim, uma voz suave bradou: “É Jesus”!


Veja só você até onde vai o amor de Jesus, em visitar um pecador depravado como eu em um antro de prostituição e degradação moral, que estava dando vazão a seus hormônios e desejos, sem se importar com nada mais do que o momento, mas completamente infeliz. Hoje, quando leio que Jesus falava com prostitutas e dava atenção a pecadores desprezados, entendo porque Jesus foi até ali para falar comigo, e me chamar a uma outra vida, literalmente das trevas para a luz.


Mas (por que toda história bacana e bonita sempre tem que ter um “mas”?), minha companheira estranhou minha estranha imobilidade. Na verdade, eu deveria estar parecendo um morto, já que mal respirava inebriado pela luz que me envolvia e preenchia. Então, aquela estraga-prazeres, com o perdão do trocadilho, tocou levemente em meu ombro, de forma quase imperceptível, quem sabe para ver se eu ainda estava vivo – ou não né!


Pois bem, quando ela tocou em meu ombro, eu quase nem senti, mas pude notar algo muito mais terrível acontecer: a luz se afastar de mim! Meu Deus, quando a Luz se afastou, como se aquele toque me contaminasse e causasse repulsa àquela Presença, eu gritei do mais íntimo do meu ser: “por favor, não vá embora! agora que eu te conheci, não consigo mais viver sem você“! Então, apesar de eu gritar só no pensamento, a Luz parou, à distância, onde eu podia ainda perceber uma parte de sua abençoada influência.


Mas (se eu pudesse, e meu dinheiro desse, eu ia proibir de ensinar esse pronome adversativo na escola, mas como não dá…) eis que a moça portuguesa (também conhecida por rapariga) me acha de colocar aquela mão cheia de dedos no meu ombro novamente! Foi a gota-d’água para que a Luz fosse embora de vez. E me deixou sozinho, sozinho com a rap… com a companheira de pecado. #eumereço


Eu fiquei de-so-la-do, ar-ra-za-do, mais abatido que frango em festa na roça. Parecia, por Deus!, que uma parte de mim tinha sido arrancada e ido embora com a Luz, e ficou só o buraco, o vazio. Sem ter outra coisa melhor a fazer, me virei e olhei pra ela no escuro (como se isso adiantasse alguma coisa), e ela me disse: “é que você ficou tão calado”… #morritroço #medeixa Ah! se eu descubro quem inventou essa mania que as mulheres têm de abrir a boca e puxar conversa nas horas mais impróprias, ah! se eu pego… Só consegui abrir a boca e balbuciar: “eu estava pensando…”


Uns dias depois ela até me ligou querendo saber se poderíamos nos encontrar de novo #momentodonjuan, mas, impactado que estava por aquela Luz que me marcou, praticamente queimou minh’alma, recusei o novo encontro. Quase tive vontade de dizer que tinha “virado crente“. O que seria de minha vida a partir de agora? Não sabia. Só Deus sabia e Ele, ah… Ele, já havia traçado Seus planos para mim.

 

Jesus me achou na esquina da vida



Passados muitos dias, recebi um convite para ir a um culto de jovens na pequena congregação da Assembléia de Deus perto de onde morava, no campus. Era frequentada por alguns jovens que também residiam e estudavam na UFRN, assim como eu. O culto seria no domingo seguinte, dia seguinte ao aniversário de meu pai. Quando chegou a data, me perguntaram se eu iria, como havia acertado. Quase recusei por causa do aniversário, mas então disse: “bom, eu falei que ia, então eu vou, pode me esperar que chego lá”. Era a deixa para Jesus me pegar de jeito. Mal sabia eu o que me aguardava.


Quando eu cheguei na igreja – que não era uma igreja, mas uma sala de aula de cursinho pré-vestibular cedida – eu vi o que seria o pregador da noite. Era um rapaz magro, franzino e que dava a impressão que se desse um vento mais forte ele saía voando de tão frágil. Para completar o quadro, o póbi era meio zarôi e usava um óculos feito de fundo de garrafa, daquelas bem grossas. Pense na cena… De imediato, já pensei: pode sair algo de bom desse daí? Pois é, pois foi, só sei que foi assim, visse?


Então, acompanhando esse “grande pregador”, veio uma equipe da mocidade da Assembléia de Deus de Candelária, uma turma bem animada e simpática. Entre esses, um rapaz – cujo nome me esqueço agora -que foi convidado para dar seu testemunho. E esse testemunho era mais ou menos assim:

“Quando eu me converti, eu passei a sofrer uma perseguição feroz de meu pai e de meu irmão mais novo, que eram muito religiosos e não aceitavam que eu tivesse virado crente. Esse meu irmão, por sinal, passou a me perseguir de tal forma que, certa vez, orei dizendo ao Senhor que já não aguentava mais aquela pressão e que Ele me desse um escape, que salvasse mais alguém da minha família para me ajudar.

Assim, após alguns dias, esse mesmo irmão que me afrontava, veio até mim chorando dizendo que queria aceitar esse Jesus que eu pregava. Aquilo foi uma grande surpresa para mim, então perguntei o que havia acontecido para aquela mudança tão drástica de atitude, e ele me disse: foi um sonho que tive.

‘eu estava em um lugar muito escuro e amedrontador, sem qualquer luz, e pedi que Deus me tirasse dali e me desse uma luz. Uma porta se abriu, trazendo um pouco de luz onde eu estava, e um padre apareceu e me disse: meu filho, aqui você não vai achar essa luz que precisa. Depois outra porta se abriu e um espírita apareceu e disse a mesma coisa. E assim foi, passando pelas religiões do mundo. Quando  a última porta se fechou, eu fiquei sem saber o que fazer, então algo diferente aconteceu.

As nuvens que encobriam o lugar onde eu estava se afastaram, nuvens negras (Neste momento, eu me lembrei de meu sonho), uma luz inundou o céu e uma pomba apareceu entre as nuvens. As pessoas eram atraídas para ela, voando em direção ao céu. Então, eu descobri que você estava certo e que Jesus era mesmo o Salvador e que vinha buscar a igreja. Eu comecei a gritar: eu também quero ir, eu também quero ir! E acordei chorando e banhado de suor”.


Seu testemunho teve outros fatos interessantes, mas não vem ao caso, para esse propósito de contar minha conversão. Todavia, quando ele contou sobre o sonho de seu irmão, eu fiquei estatalado na cadeira, e não tirava os olhos dele, por conta da similaridade entre os sonhos, e o meu eu não havia contado pra ninguém. E ele também não parava de olhar para mim, pois eu tinha muita semelhança com seu irmão (branco, cabelo preto e de óculos). Só que eu consegui sobreviver até ali, mas o pior ainda estava por vir.

 

As aparências enganam, nem sempre a 1ª impressão é a que vale


Quando deram oportunidade ao “pregador”, aquele do paletó de uma listra só, eu já estava bem pensativo acerca do que havia acabado de ouvir, e nem dei muita bola para ele, até… Até que ele começou a pregar de uma forma totalmente desproporcional à sua compleição física. Tinha uma autoridade na voz, uma potência vocal e uma convicção nas palavras que eu nunca tinha visto igual antes.

Aquilo me prendeu na cadeira com super-bonder, e eu não conseguia me mexer direito. Para completar, ele achou de pregar sobre a volta de Jesus e, volta e meia, bradava com aquela voz de trovão no meu ouvido: Se Jesus voltar hoje, você não vai! #destruiu #arrasou comigo



Caraca velho, eu já estava prá lá de Bagdá depois do testemunho do irmão do irmão (risos), e esse ainda vem e me soca o dedo na ferida aberta? Assim eu não aguento, mano! To pedindo pra sair… tô saindo #fui


Então, chegou o momento do apelo, para saber quem queria aceitar a Jesus, Aquele que se voltasse hoje, eu não subiria, sabe? Puxa, eu estava me sentindo no meio de um verdadeiro cabo-de-guerra: aceito? não aceito? e agora, o que é que eu faço? 


Eu já havia sentido o chamado do Senhor em outro culto, mas não tão forte como dessa vez, e não sabia o que fazer. Uma parte de mim queria muito, mas outra não. Era uma luta onde forças poderosas lutavam pela conquista de minha alma e mente, mas parecia que eu teria que dizer qual delas iria escolher. Nesse ínterim, o pregador gritou de novo no microfone: “Jesus está me revelando que tem alguém aqui que vai aceitar“. Pronto! #agoralascou


Naquele momento eu pensei: “sou eu, só pode ser eu… ai-ai, agora não tem mais como me esconder e empurrar com a barriga. O que Deus fez desta vez para chamar minha atenção, se eu rejeitar, Ele vai ter que fazer algo muito maior pra me chamar de novo, e será que eu vou aguentar a pressão”? Eu sabia que Deus não ia desistir de mim, e que ia tentar de novo, e que, na próxima, iria doer, doer muito. Sem alternativa viável, levantei minha mão e aceitei Jesus… #assimquefoi


É tão estranho que uma simples atitude como levantar a mão em um culto pode ser algo tão dramático na vida de alguém e mudar sua história de forma profunda e definitiva. Assim foi comigo, embora eu saiba que aquele levantar de mãos deixou escondido todo um arcabouço de coisas miraculosas e sentimentos conflitantes. Dessa forma, aquele levantar de mãos não foi tão simples, e minha mão pesou muito antes de, enfim, eu tomar a decisão de me render ao pleno senhorio de Jesus.

 

Valeu a Pena ter me Convertido?


Hoje em dia, de certo modo, ser crente ou evangélico está na moda, mas ser convertido representa muito mais do que simplesmente ostentar um título religioso. Aprendi, com o passar do tempo, que há bastante diferença entre dizer que se crê e crer de fato. Dizer que é, mas agir como se nunca fosse é algo que, apesar de estar se tornando comum, ainda me espanta e me causa indignação, mas sempre me surpreendo positivamente em conhecer aqueles que honram a fé que proclamam, e que me servem de exemplo.


O que eu ganhei ao me converter? Muita coisa, e dentre as principais destaco:


paz e alegria: eu vivia uma vida sem paz e gozo, e isso é algo que não se pode comprar. Quem tem não vende, e quem não tem não sabe como conseguir, somente o Príncipe da paz é quem pode nos conceder isso.


vida com Deus: eu não sabia o que era uma vida com Deus, como era poder me relacionar com Deus como se fosse um verdadeiro amigo, um amigo fiel. Hoje eu sei, e isso é indescritível e somente quem tem esse tipo de relacionamento sabe como é, apesar de não saber explicar. Bem, eu não sei, mas pode ter quem saiba né… risos


ouvir a voz de Deus: algumas vezes, eu pude ter o imenso privilégio de ouvir Deus falar comigo, e isso traz consigo uma sensação que não pode ser expressa em palavras. É algo que mexe não apenas com o corpo, mas também com a alma, e isso produz um nível de satisfação ímpar.


convicção de vida eterna: sabe, essa é uma das coisas mais difíceis de se dizer, mas é a mais pura realidade, a certeza de que existe algo melhor a nos aguardar, algo mais a nossa espera. O céu é real, e eu sinto essa realidade de modo inescapável em me ser, e sou grato a Deus por isso. Eu sei o que é viver sem essa convicção, e não quero viver isso de novo.


Haveria outras coisas, mas o que posso dizer a mais do que isso? Que entendo a Palavra de Deus, que me sinto grato por seu usado por Deus, que é um privilégio ser morada do Espírito Santo, que agora tenho esperança viva? Meu amigo, após você ter dado, provavelmente, algumas risadas lendo esse relato (se não deu, ria agora, nem que seja de mim… #souchatomesmo), talvez se emocionado em alguns pontos, mas, se você ainda não tem Jesus como seu Senhor e Salvador, está na hora de repensar isso.


Você pode ser feliz? Pode. Com Cristo, é possível. Mas, muito mais importante do que ser feliz, é ser salvo, pois existem pessoas que se consideram felizes, sem serem salvas. Pode haver alguém salvo e infeliz? Pode, eu era um desses, até descobrir que salvo TEM que ser feliz. Quem não é feliz, com Cristo, está em pecado #fato. Aceite a Cristo, não para ser rico, não para ganhar carro novo, mansão, etc. Mas, aceite a Cristo para morar no Céu e, quem sabe, sermos vizinhos né! =¬)


Provavelmente, você não tem mais ânimo pra nada, nem para comentar, mas se tiver… risos.



Deus te abençoe, e se quiser deixar sua crítica ou sugestão nos comentários para melhorar o blog Desafiando Limites ou na UBE, esteja à vontade.


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