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quinta-feira, 6 de março de 2014

[Des] crentes

Posted by Eliseu Antonio Gomes on quinta-feira, março 06, 2014 with No comments
Coréia do Sul - Seul: milhares de coreanos sobre a ponte para assistir o
nascer do sol do primeiro dia do ano.

Maya Felix

É fácil ser crente na igreja
Confortável ser crente entre quatro paredes
É bom ser crente para o pastor
Chique ser crente na equipe de louvor
É simples ser crente com os outros crentes
Ser crente no domingo é legal
Engraçado ser luz iluminando luz
Genial ser sal para salgar o sal
Nada mal falar de Jesus para quem já conhece Jesus
Importante converter quem já se batizou.

Fazer da igreja um clube de amigos, por que não?
Fazer fofoca santa, por que não?
Vaidade santa, arrogância santa,
Santa ignorância,
Por que não?
Excluir-se de todo o resto do mundo,
Jamais entrar em uma discussão,
Só ser amigo dos crentes,
Por que não?
Só andar com crentes,
Só comer com crentes
Só beber refrigerante
Com crentes.

Mundo? Não salvos? Missões?
Orar com quem necessita, ir a hospitais e prisões?
Ouvir moradores de rua? Ir até os lixões?
Pregar aos viciados,
Falar de Cristo a uma prostituta?
É claro que um Filho do Rei
Não pode se submeter
A esse tipo de labuta
Além do mais, para agir como Jesus
Tem que ter um chamado muito especial
E o chamado da maioria
É sentar na sua confortável poltrona
Para viver momentos bacanas de alegria
Curtindo um clima bom e um som legal
Todos os domingos
A cada semana, dia após dia...
Depois organizar uma Cantata no Natal...

Sair de seu conforto, por que,
Se dentro da Igreja temos ar condicionado,
 Sistema de som surround, lanche depois do culto,
Lideranças brilhantes, ceia, apostolado,
Reunião de mulheres, clube de solteiros,
Acampamento de jovens, retiro em fevereiro...
Como é incrível a vida dos crentes!
Só pessoas lindas e sorridentes!

Difícil não é ser descrente entre os crentes
Difícil é ser crente no mundo.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Olha a cabeleira do Zezé

Posted by Wilma Rejane on quarta-feira, agosto 14, 2013 with 21 comments



Maya Felix


Cena um: Casal evangélico, homem pastor, mulher grávida, entra em aeronave da Azul. Senta-se no final. Cena dois: O deputado pró-lobby gay Jean Wyllys entra na mesma aeronave, com um assessor, e se senta um pouco mais à frente do casal evangélico. Cena três: Casal evangélico identifica o deputado e prontamente resolve ir até sua poltrona. Mulher pede para passageiro filmar o que irá acontecer em seguida. Cena quatro: Homem e mulher gritam: “É você, hein, Jean Wyllys?” Ato contínuo, começam a cantar, a plenos pulmões: “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é… BICHAAA!!!” A mulher tenta passar a mão na cabeça de Jean Wyllys e diz : “Não gosta de mulher, Jean? Por quê???” O pastor completa: “Vai pra nossa igreja que tem cura!” Logo depois, o casal evangélico grita: “Vamos aí, gente, todos juntos! Batendo palmas!” e recomeçam: “Olha a cabeleira do Zezé…” Jean Wyllys se sente desconfortável, finge que não é com ele, baixa a cabeça e tenta se concentrar na leitura da revista G Magazine que havia comprado na livraria do aeroporto. Mas o casal evangélico não para: “Deputadoooo… canta com a genteeee! Olha a cabeleira do Zezé…” O assessor do deputado, em vão, tenta protegê-lo das tentativas de toque da mulher, que continua querendo encostar a mão na testa do deputado. De repente, ela tira um vidrinho da bolsa, derrama uma parte do conteúdo na palma da mão e passa na testa de Wyllys: “É óleo para ungir você, rapaz! Larga essa bichice!” Jean Wyllys retira um lenço do bolso do paletó e tenta limpar o óleo da testa. Continua sem dizer nada, mas está visivelmente constrangido. 





Os passageiros, atônitos, assistem à cena sem fazer nada. O pastor ri alto e canta: “Só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher…”. Cena cinco: A essa altura, uma mulher sentada logo atrás de Jean Wyllys se levanta e diz: “Chega! Vocês estão me incomodando! Assim não dá!” Cena seis: O casal evangélico decide, então, sentar-se em seu lugar. Mas continua a gritar, desta vez dizendo: “Ô Jean Wyllys, pode esperar, a sua hora vai chegar!!!” Repetem umas seis vezes o refrão e logo depois – sempre filmando, é claro – o pastor decide entrevistar um terapeuta cristão que, coincidentemente, estava no avião: “O senhor acha que o gay pode mudar a sua orientação sexual, se quiser?” FIM DO PRIMEIRO ATO.




Você conseguiu imaginar as cenas narradas acima? São bastante inverossímeis, não? Elas têm pouquíssimas chances de acontecer, pelo menos com um casal evangélico que seja de fato seguidor de Jesus. Talvez não por falta de vontade de “dar o troco”, afinal o deputado e pastor Marco Feliciano passou por constrangimento semelhante ao relatado acima no último dia 9 de agosto, a bordo de uma aeronave da Companhia Azul, indo de Brasília a São Paulo: Eric Corazza e Conrado Ribeiro fizeram com ele e um assessor o que, na hipotética situação que narro, o casal evangélico fez com Jean Wyllys. 

 
Episódio semelhante jamais aconteceria com o deputado ex-BBB porque os evangélicos sabem que escarnecer não é agradável a Deus, ainda que seja agradável à carne e tentador. Não vemos evangélicos constrangendo gays em suas marchas de “orgulho”. Tampouco vemos, em igrejas, predicações jocosas ou irônicas sobre o assunto. A prática homossexual é tratada como ela é: pecado. Pode ser que em algumas igrejas não tenha havido tato ou suficiente familiaridade com o assunto para que pessoas com tendências homossexuais fossem adequadamente encaminhadas a um diálogo cristão e à exortação amorosa e franca que recomendam a Bíblia. Mas nunca se tratou o assunto levemente, debochadamente, levianamente. As crenças dos cristãos, entretanto, são costumeiramente vistas com desprezo e tratadas com galhofa e desrespeito por militantes de causas gays, feministas e esquerdistas em geral.


Durante a Jornada Mundial da Juventude, da Igreja Católica, quem não se lembra dos dois jovens, Raíssa Senra Vitral e Gilson Rodrigues Silva Júnior, que, mascarados e seminus, quebraram imagens de santos católicos e simularam cenas de sexo com elas? Em 1995, o pastor Sérgio Von Hélder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou a imagem de uma santa católica em rede nacional. Houve grande comoção pelo desrespeito à crença alheia. A Rede Globo de televisão, com interesses mais comerciais que religiosos, repetiu a cena ad nauseam. O mesmo não aconteceu com os dois jovens que quebraram as imagens durante a JMJ. Não houve nem mesmo uma tentativa de entrevistar a dupla. Por quê? Os dois homens que agrediram Marco Feliciano, soube-se depois, dizem não ser gays, como se isso eximisse a militância que faz lobby pró-gay de qualquer responsabilidade do acontecido. Ou diminuísse a gravidade do fato. Ou fosse motivo para não imputá-lo ao crescente ódio insuflado pela mídia contra os evangélicos e conservadores por grupos de pressão e lobby pró-gay.

Quando vi a cena, fiquei estarrecida. Não acreditei que a falta de respeito fosse chegar a esse ponto. Na verdade, fiquei furiosa e cheguei a trocar palavras destemperadas com defensores do ato em uma rede social. A banalização das atitudes totalitárias em nossa sociedade, fruto da imposição de uma visão como única possível sobre qualquer outra, faz com que não nos cause mais espanto a agressão, o escárnio, o vandalismo e a ironia barata, a crítica sem inteligência e o debate impositivo. Como os cristãos têm histórico de tolerância e bom trato, as cenas do início deste texto provavelmente não acontecerão. Já as cenas de desrespeito vistas contra evangélicos se multiplicam em progressão geométrica, aparentemente sem a reação do restante da sociedade. Lembra-me a perseguição nazista aos judeus: começou com atos públicos de hostilidade, terminou onde todos conhecemos bem. Em 2014, políticos de partidos que sustentam esses desrespeitos e atos de barbárie, como PT, PSOL, PC do B, PDT e PSTU, pedirão o voto dos evangélicos. O que você vai fazer?
*Texto escrito em 11/08/2013. Meu agradecimento a Rodrigo Magaldi Merlino, por me ajudar com alguns dados.






 
 Maya Felix é colaboradora do blog UBE - twitter @mayafelix

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Máscaras: uma reflexão sobre cristãos e politica

Posted by Wilma Rejane on sexta-feira, julho 26, 2013 with 8 comments


Maya Felix


As recentes manifestações que ocorreram no Brasil mostram a insatisfação do povo em relação a quase tudo, e, se não a quase tudo, ao mais importante em uma nação: Saúde, Educação, Segurança, Economia. Em 2002, o povo elegeu Lula presidente pela primeira vez. Em 2006, ele foi reeleito. Em 2010, foi o cabo eleitoral de sua pupila, Dilma Roussef, que também foi eleita. 


Após 11 anos no poder, os brasileiros constataram que as promessas feitas não foram cumpridas. O mais importante, o assunto principal das campanhas políticas, o grande apelo eleitoral de nove entre dez políticos havia ficado para trás. Em seu lugar, havia uma enxurrada de programas assistencialistas que, de recurso paliativo, tornaram-se políticas permanentes e populistas de um governo outrora ético, honesto, sincero. Muitos se perguntam como puderam ter sido tão ingênuos, tendo votado no PT ao menos uma vez, para a Presidência da República.


A pergunta a ser feita, de fato, é: será, mesmo, que o PT sempre foi ético e transparente e, uma vez tendo ocupado o poder federal, havia deixado de sê-lo? A solução para que o PT recupere sua popularidade é “voltar” ao que foi um dia? Particularmente, penso que a maioria das pessoas que votou no PT de fato buscou no partido atributos como ética, lisura, honestidade, transparência. Mas não creio que as cabeças coroadas do partido tenham sido anteriormente pessoas honestíssimas que, de repente, tornaram-se tudo o que combateram uma vida inteira. E acredito também que alguns dos que votaram no PT sempre puderam enxergar que o partido não era uma tábua de salvação, mas uma canoa furada que aos poucos se tornou o Titanic e hoje ameaça naufragar não só a si mesmo, mas o Brasil inteiro.


Não é de hoje que escândalos envolvendo o PT vêm à tona. Parte da mídia é que nunca quis investigar o que ocorria. Os assassinatos de Celso Daniel e Toninho do PT deveriam ter sido sinais amarelos para quem tivesse o mínimo de discernimento. Mas não foram. O programa do PT, que sempre defendeu o aborto como um “direito histórico das mulheres”, deveria ter sido um sinal de alerta. Mas não foi. Os ícones do PT, Che Guevara, Mao Tsé-Tung, Stálin, Fidel etc., líderes de ditaduras que promoveram massacres semelhantes (ou piores) ao que Hitler fez na Alemanha, deveriam ter provocado no mínimo estranhamento naqueles que acreditavam que o partido lutava pela democracia e pela paz mundial. Mas não provocaram!


Entre os evangélicos, há pastores que sempre foram aliados do PT, como Caio Fábio e Ed René Kivitz. Há os de ocasião que, com o forte lobby entre os evangélicos na campanha eleitoral de 2002, aliaram-se ao partido naquele momento – é o caso de Silas Malafaia. É difícil encontrar, entre os líderes evangélicos, quem tenha se oposto a Lula depois de 2000 ou a Dilma Roussef. No entanto, ela se declarou favorável ao aborto, entre outros fatos nada animadores de sua biografia. O PLC 122, que criminaliza a opinião contrária à prática homossexual – inclusive a opinião religiosa – foi obra de parlamentares do PT. Apesar de todos os sinais, líderes de igrejas consideradas conservadoras, como as Assembleias de Deus, apoiaram o PT e ainda apoiam. Políticos eleitos com votos de eleitorado evangélico mantêm firme seu apoio à “presidenta”, ganhando em troca cargos e benesses governamentais. Marcelo Crivella, representante da Igreja Universal do reino de Deus, é hoje ministro.


Antes da explosão de manifestações que levaram cerca de um milhão de pessoas às ruas contra o Governo Federal e os estaduais, cerca de 150 mil evangélicos se reuniram no dia 05 de junho em frente ao Congresso Nacional para declarar sua insatisfação com o Governo Federal e sua oposição ao aborto, ao PLC 122, ao Kit gay, à corrupção monstruosa que toma conta da política nacional e a tantas outras mazelas escancaradas em nosso país. No dia 06 de junho, aconteceu a primeira da série de manifestações que tomaram conta do país e fizeram a popularidade de Dilma Roussef despencar, comprometendo sua reeleição e mudando o panorama eleitoral para 2014.

Para muitos, caiu a máscara do PT. Caiu para a maioria dos evangélicos, já há alguns meses, ante as possibilidades cada vez mais reais de legalização do aborto e de censura à divulgação de valores cristãos, e caiu para o povo brasileiro, desiludido com a violência causadora de 50 mil homicídios por ano, com o estado lastimável de hospitais públicos e com a volta da inflação – o dragão que julgávamos ter sido enterrado com FHC.

Neste momento, Lula e o PT iniciam o discurso de “volta aos valores reais do PT”. O que muitos, como eu, podem se perguntar é se esses valores já existiram algum dia. O que parece é que os tais valores foram, durante um longo período, uma maquiagem muito bem feita. Tão bem feita que fez com que confundíssemos o desejo legítimo por democracia, liberdade, justiça social e melhoria de qualidade de vida com a prática e os ideais espúrios da esquerda.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Breve relato sobre a Manifestação Evangélica em Brasília

Posted by Wilma Rejane on segunda-feira, junho 10, 2013 with 3 comments
Maya Felix em Brasília e com Feliciano!


Maya Felix


Fui à Manifestação organizada por Silas Malafaia, dia 05 de junho. O que vi? Aulas de cidadania. De respeito e civilidade. Não havia latas de cerveja jogadas no gramado. Não percebi nenhuma bituca de cigarro, e ninguém fumava. Não vi camisinhas usadas a torto e a direito no chão. Ninguém pisou em ninguém para passar – e olha que a multidão era grande. Ouvi muitos “com licença e obrigado”. Vi crianças, idosos, casais, jovens. Os adolescentes não estavam fumando maconha. Não ouvi um palavrão sequer. A polícia não teve trabalho: não houve um só furto ou roubo registrado. Ninguém urinou em público: a fila para os poucos banheiros químicos existentes era enorme, e havia tanto homens quanto mulheres nela, esperando pacientemente a sua vez de usar o banheiro. Não houve tumulto. Não houve nenhuma violência física. 

À parte essas questões, eu estava em meio a um povo alegre e tranquilo. Havia indignação, mas não havia ódio. Ninguém fez paródia com o estilo de vida gay. Não vi cartazes com piadas nem qualquer desrespeito a gays. Os militantes da causa gay que ali foram, exclusivamente para provocar os manifestantes, acabaram contidos pelos policiais presentes.

A manifestação entra no rol das reuniões históricas promovidas por evangélicos. Primeiro, porque, tendo sido feita em plena quarta-feira, dia de semana normal, de trabalho, reuniu mais de 100 mil pessoas. Isso mesmo. Não é exagero. Um amigo de minha irmã, que é perito de um órgão público considerado seriíssimo, analisou fotos do evento e imagens de satélite do local. Medições feitas e cálculos empreendidos, chegou à incrível quantidade de... 150 mil pessoas. E ele nem é evangélico, diga-se de passagem.

Segundo, porque não se falou somente de “casamento gay”, como noticia a mídia. Falou-se de Mensalão (já que o Governo Federal parece que deseja aliviar a pena dos companheiros condenados), portos, infraestrutura do país, Estatuto do Nascituro, aborto, controle da imprensa (que o atual Governo também parece querer instituir) etc. Essa é a prova de que estamos crescendo não só em quantidade de manifestantes, mas também  na qualidade do debate político.

Terceiro, porque há previsão de novas manifestações. No final do evento, o pastor Silas Malafaia convocou o povo para um dia de jejum e oração pelo nosso país em 7 de setembro, feriado nacional. Creio que haverá (e espero que haja!) novas manifestações em Brasília.

Quarto: a indiferença e a mentira criminosa da mídia não impediram a divulgação dos fatos e a circulação das notícias via internet. Obviamente, os principais jornais e meios de comunicação manipularam os fatos. Mentiram quanto ao número de pessoas presentes. Mentiram quanto ao objetivo da Manifestação. Mentiram até sobre o que foi dito pelos oradores! Mas esse é um bom sinal. Estamos incomodando. Estamos irritando os adeptos de uma agenda liberalizante contrária ao que defendemos. Há medo de se divulgar o que de fato está acontecendo, porque o que está acontecendo é uma reação massiva, em cadeia, de um povo unido acerca de pontos específicos, contrários à agenda do Governo e dos partidos aliados.

Tirei algumas fotos e conversei com pessoas. Que eu me lembre, havia gente do Paraná, de Santa Catarina, de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Espírito Santo, de Goiás, de Minas Gerais, de Pernambuco, do Mato Grosso do Sul, do Maranhão, do Pará. E, claro, do Distrito Federal. Como não pude falar com todos os que ali estavam, penso que provavelmente estavam ali pessoas de todos os Estados da Federação. Se você não foi, planeje-se para ir à próxima manifestação. Participe. Informe-se sobre o que está acontecendo. Vigilância e diligência são fundamentais ao  povo de Deus nesta hora.





















segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eu vou à Manifestação Pacífica em Brasília dia 05 de Junho

Posted by Wilma Rejane on segunda-feira, junho 03, 2013 with 3 comments


Maya Felix
 

Não moro em Brasília, mas vou à manifestação pacífica promovida pelo pastor Silas Malafaia em Brasília, dia 05 de junho. Será um esforço significativo para mim, sob vários aspectos. Mas eu vou.

Vou porque concordo com as razões da manifestação. Vou porque a manifestação política e pacífica de grupos sociais é garantida pela Constituição Federal, assim como a manifestação de pensamento, de expressão e de culto. Vou porque vejo diariamente tentativas de partidos governistas de violar a Constituição Federal em vários de seus artigos no que diz respeito à liberdade de culto – particularmente do culto cristão-evangélico. 

Vou porque, como evangélica, penso que é legítimo, democrático e necessário que nós, evangélicos, nos levantemos agora para defendermos nossos pontos de vista diante de um Governo cujo partido e aliados constantemente trabalham para levar a cabo políticas que contrariam nossas crenças e nossos princípios. Também pagamos impostos. Também votamos. Também trabalhamos duramente. Também pensamos.

Estarei lá, dia 05 de junho, às 15h, em frente ao Congresso Nacional. Vou pacificamente. Vou certa do que defendo. Vou porque creio que o Estado laico não justifica a perseguição religiosa que ora ocorre no Brasil sob os rótulos de “combate à homofobia” (leia-se: kit gay nas escolas públicas), “defesa dos direitos da mulher” (leia-se: defesa do aborto), “defesa do estado laico” (leia-se: destruição de símbolos culturais que remetem ao cristianismo) e tantos outros, cujo deslizamento de sentido opera a justificativa para atos que vão de processos penais a pastores e evangelistas por exposição da Palavra bíblica a ameaças de fechamento de igrejas.

Eu vou. Sou cidadã, pago impostos altíssimos, trabalho duramente e respeito meu próximo. Apesar disso, manifestações de “cristianofobia” tornam-se corriqueiras no Brasil. Assistimos a insultos, ofensas e desrespeitos diversos a políticos evangélicos, trechos da Bíblia, santos católicos, religiosos evangélicos e católicos e até ao Papa, como veio a público na Parada Gay de São Paulo, no último domingo dia 02/06. Assistimos a tudo isso e nos calamos, e creio que é chegada a hora de manifestarmos nossa indignação diante dessa situação injusta. 

Vou porque o que o Governo Federal, parlamentares e ministros do STF têm chamado de “respeito às minorias sexuais” mostra-se, progressivamente, a simples concessão de privilégios a uma minoria que, de modo truculento, manipula dados a fim de mais confortavelmente ter a aprovação da opinião pública, impor seus pontos de vista e exigir a aprovação da sociedade às suas práticas sexuais. Para isso, tentam desmoralizar um segmento religioso que condena suas ações. Insultam-nos, atacam-nos e nada dizemos.

Vou porque me sinto diariamente desrespeitada, ofendida e discriminada, como evangélica. Como eu, conheço tantos mais que chegam a ter medo de expor seus pontos de vista em determinados meios sociais e profissionais. No entanto, reza a Constituição Federal, em seu Artigo 5º, incisos IV, VI e XVI: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.”
 
Por isso tudo, irmãos, eu vou.


P.S. Queridos leitores, vamos continuar com a série de artigos sobre a pena de morte, mas tinha que escrever este texto agora. No mais, peço desculpas pela ausência prolongada: trata-se de muito trabalho para pouco tempo.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez também luta por nós

Posted by Wilma Rejane on sábado, fevereiro 23, 2013 with 5 comments




Maya Felix


Causou agitação em nosso país, esta semana, a chegada de Yoani Sánchez, a blogueira cubana que, apesar de toda a repressão, divulga para o mundo as constantes agressões que o governo de seu país perpetra contra todos os que ousam discordar da ordem vigente, uma ditadura socialista que vigora na ilha há mais de 50 anos.

Militantes de partidos de esquerda, como o PC do B e o PT, não só a recepcionaram de modo hostil, em Recife, como impediram a exibição de um filme de que a blogueira participa. Eles também não deixaram que Yoani se manifestasse: ela foi impedida de falar em Recife, na Bahia e em São Paulo, no lançamento de seu livro, que deveria contar com um debate. Os manifestantes fizeram isso para defender o regime cubano, que, em nome da revolução socialista, já mandou para campos de concentração, prisões e afins mais de cem mil pessoas. Segundo O livro negro do comunismo (2000), extensa obra de historiadores franceses, de 15 a 17 mil pessoas foram fuziladas em Cuba. Em 1978, havia entre 15 e 20 mil presos políticos. Segundo a Anistia Internacional, em 1997 havia em Cuba entre 980 e 2.500 presos que haviam cometido “delitos de opinião”. Ou seja: para ser preso, em Cuba, é necessário apenas discordar do governo.

E o que nós, evangélicos, temos a ver com isso? Para começar, devemos nos opor a toda ditadura, a todo regime totalitário – como os governos comunistas. Segundo Tzvetan Todorov, em Le siècle des totalitarismes (2010), o comunismo é uma “religião secular”, que “compartilha com certas religiões tradicionais [...] a crença de que a história da humanidade segue seu curso imutável”. No final deste “curso imutável” está “o desaparecimento de toda diferença entre grupos humanos”, razão pela qual é necessário “abolir a propriedade privada e concentrar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado”. A eliminação dos inimigos da classe trabalhadora é, então, fundamental. Segundo Karl Marx e Friedrich Engels, os pais das teorias comunistas, entre esses inimigos estariam, além da burguesia, a religião – para eles, mero instrumento de dominação do Estado capitalista.

Muitos cristãos são impedidos de praticar livremente sua crença, em Cuba. O país sempre esteve na classificação de países por perseguição da Missão Portas Abertas. Neste ano, sobretudo em virtude da pressão internacional e da “estratégia” dos Irmãos Castro para “abrir” a Ilha e salvá-la da falência, atraindo turistas, o país deixou de fazer parte da classificação. Mas as violações e perseguições aos cristãos continuam! Em junho de 2012, líderes da Igreja em Cuba solicitaram aos Governo dos EUA que incluísse o país na lista dos que mais violam a liberdade religiosa no mundo. Segundo o site da Missão Portas Abertas, o número de incidentes contra cristãos vem crescendo. Pastores têm sido presos, multados e proibidos de pregar o Evangelho. Membros de igrejas têm sido perseguidos e impedidos de se reunir. Igrejas têm sido paulatinamente fechadas. A liberdade de expressão é constantemente golpeada. Outro país comunista, a Coreia do Norte, é o número um na classificação de países por perseguição aos cristãos. O comunismo, em todo o mundo, perseguiu e matou milhões de cristãos, entre os cerca de 150 milhões de vítimas dos regimes comunistas. De acordo com as estatísticas de martírio elaboradas pela Universidade Gordon Conwell, dos EUA, com base em uma pesquisa que durou 30 anos para ser finalizada, os regimes comunistas são responsáveis pela morte de 31,6 milhões de cristãos em todo o mundo. Para os Estados comunistas, cristãos são inimigos do socialismo e a religião é o “ópio do povo”.

Quando Yoani Sánchez chama a atenção para o fato de que em Cuba não há liberdade de opinião, ela também está falando por nós, cristãos. Sem a autorização do Governo cubano, igrejas não podem funcionar. Se alguma desagrada o Governo, por qualquer motivo, pode ser fechada sem aviso. A luta pela liberdade em Cuba tem muito a ver conosco. São nossos irmãos, lá, que estão constantemente ameaçados. É o corpo de Cristo em Cuba que não pode evangelizar, nem se reunir, nem festejar suas datas sagradas. Como diz reportagem publicada no site da Missão Portas Abertas, “todas as questões religiosas são tratadas pelo Gabinete de Assuntos religiosos do Comitê Central do partido Comunista Cubano”, e não por canais judiciais, como ocorre em uma democracia. Com isso, “grupos e líderes religiosos” se tornam vulneráveis ao abuso e ao descaso, sem ter o que fazer em relação às decisões tomadas pelo PCC.

O regime de Fidel Castro cala, subjuga, persegue, tortura e mata cristãos, ainda hoje. A luta pela liberdade de expressão em Cuba não é apenas de Yoani Sánchez: é de todos nós.
***
FONTES:
COURTOIS, S. et al. Le livre noir du communisme: Crimes, terreur, répression. Paris: Ed. Robert Laffont, 1997.
TODOROV, T. Le siècle des totalitarismes. Paris: Ed. Robert Laffont, 2010.
Site da Missão Portas Abertas:

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Políticos Evangélicos: o paradoxo

Posted by Wilma Rejane on domingo, fevereiro 17, 2013 with 9 comments

Maya Felix

Nos últimos dias, andei pensando sobre políticos evangélicos. Corre entre nós, em quase todas as igrejas, a crença de que basta eleger um “homem de Deus” para garantir que atributos como honra, decência e moralidade permeiem as ações do eleito, uma vez em cargo público. Entretanto, a maioria não se posiciona acerca de alguns temas ou se envolve em ações no mínimo estranhas para quem diz seguir os passos de Jesus. E faz isso em função de seus partidos e do jogo político, não da Bíblia e do Reino de Deus.

Marina Silva, por exemplo. Admiro a ex-senadora em razão de sua história de vida e do modo como superou um destino quase traçado em direção à pobreza e à ignorância. Marina trouxe oportunamente para o debate, nas igrejas, a questão do meio ambiente, relacionando a Bíblia à preservação da natureza. Isso foi importante no meio evangélico. Mas confesso que esperei que a ex-senadora declarasse abertamente seu posicionamento acerca do casamento gay, do PL 122 ou do aborto durante a campanha presidencial. Provavelmente temendo desagradar muitos de seus eleitores, Marina Silva deixou de dizer claramente o que deveria ter dito. Não esperei que ela tivesse iniciado uma guerra de opiniões com setores liberais que a apoiam, mas aguardei que ela dissesse enfaticamente que a Bíblia condena a prática homossexual e o aborto, e que a Palavra de Deus deve ser divulgada sem restrições.

Outro político que me surpreende é Magno Malta. O senador capixaba empreendeu uma severa e significativa luta contra a pedofilia. Sua iniciativa é lembrada como necessária e justa. Antes da CPI da Pedofilia, criada por ele em março de 2008, não havia dados suficientes para análise nem tampouco leis que punissem a pedofilia de modo severo. A luta empreendida pelo senador em defesa das crianças e dos adolescentes brasileiros foi admirável. Graças a sua iniciativa, a Câmara aprovou, em dezembro do ano passado, a alteração do Código Penal e do estatuto da Criança e do Adolescente para transformar em crime hediondo atos ligados à pedofilia. A contradição é que Magno Malta apoiou a candidata do PT à Presidência da República, em 2010, mesmo diante de toda a defesa que o partido faz do aborto e do casamento gay. Além do mais, recentemente seu nome compôs a lista dos eleitores do novo presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, que em 2007 renunciou ao cargo de senador para não ser investigado pelas acusações de desvio de dinheiro público, falsidade ideológica e uso de documento falso. 

Marina Silva e Magno Malta são apenas dois exemplos, conhecidos, de políticos evangélicos que, no jargão popular, acendem uma vela para Deus e outra para o diabo: enquanto tomam atitudes louváveis e defendem causas justas, omitem-se diante de temas polêmicos ou assumem posturas antibíblicas. Poderia citar outros homens e mulheres públicos de relevância que, em momentos de sua trajetória, contradisseram, com seus atos ou sua omissão, sua profissão de fé. Não vemos nenhum deputado federal ou senador evangélico, por exemplo, defendendo a austeridade no uso do dinheiro público, como o faz brilhantemente o deputado José Antônio Reguffe, de Brasília. Exemplos de honestidade, lisura e ética não deveriam partir de cristãos? Mas nos sobram políticos como Garotinho e Benedita da Silva, acusados de crimes eleitorais e comuns no exercício do poder. Dos 56 deputados que compõem a Frente Parlamentar Evangélica, 32 têm problemas com a Justiça, respondendo a acusações de desvio de dinheiro público, corrupção eleitoral, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Dos 24 deputados da denominação Assembleia de Deus, por exemplo, 11 estão sendo processados. E 95% da bancada estão entre os mais faltosos.

É a hora de acordarmos para a triste realidade dos políticos que, oriundos de igrejas evangélicas, agem parcialmente em relação ao Reino de Deus. Vale a pena elegê-los? Fica a pergunta.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Aborto e adoção

Posted by Wilma Rejane on segunda-feira, fevereiro 11, 2013 with 16 comments





Maya Felix


Sempre quis escrever um texto que relacionasse aborto e adoção, porque penso que essas são duas faces da mesma moeda. É quase unanimidade, entre os cristãos, a luta contra a prática assassina do aborto. Essa luta, que se dá no campo das ideias e da pressão política, é correta e necessária. Organizações internacionais, como a Fundação Ford, financiam ONGs ditas feministas a fim de  pressionar governos e convencer a população de que o aborto é necessário para afirmar a liberdade das mulheres em relação a seu próprio corpo. Obviamente, não levam minimamente em conta a verdade de  que o feto abortado é um outro corpo, cuja vida começa na concepção. Os cristãos, dentro da visão bíblica, sabem que Deus conhece o ser humano mesmo antes de ele ser gerado. A defesa da vida sempre foi preponderante para os cristãos, em todas as épocas.




Evitado o aborto, resta-nos saber o que temos em mente para continuar a defender a vida que foi salva da morte ainda no ventre da mãe. A mulher que quer fazer um aborto evidentemente não deseja seu filho. Uma vez evitado o aborto, e nascida a criança, a questão que se coloca é: qual futuro se apresenta para essa criança? Muitas mulheres abandonam seus filhos logo após o parto. Recolhidas a orfanatos, crianças salvas da morte passam a aguardar a integração a uma família, mediante a adoção. Muitas chegam aos orfanatos aos dois, três, quatro, dez anos. Algumas passam sua adolescência ali. Outras vivem nesses lugares até os 18 anos. Muitas nunca souberam o que é uma família.

Contudo, o plano de Deus para o ser humano, e isso está muito claro na Bíblia, é que ele cresça em uma família que mimetize o cuidado e o amor de Deus em sua vida. O aborto frustra o desejo de Deus para o homem, como todo pecado. A rejeição parental atua no sentido de desestruturar a ideia familiar concebida por Deus. Crianças salvas do aborto devem ter famílias amorosas que as acolham. Por essa lógica, o cristão que é contra o aborto deve ser fervorosamente a favor da adoção, certo? Errado.

Em nossas igrejas, vemos pouquíssimas famílias que adotam. A adoção é vista como um tapa-buracos quando um casal não pode gerar filhos. Crianças adotadas são vistas, em geral, como filhos de segunda categoria, por não terem recebido a herança genética de seus pais adotivos. Há muitos argumentos usados contra a adoção, mas o mais comum é o genético: todos temem adotar uma criança cujos pais biológicos tenham lhe passado genes de doenças físicas e mentais graves, como a psicopatia e a dependência de drogas, como se filhos biológicos não tivessem defeitos nem dessem trabalho a seus pais. Outra ideia muito difundida contra a adoção relaciona-se aos traumas psicológicos que uma criança que já foi abandonada eventualmente teria. Mas não acreditamos que o amor pode curar todos os traumas e restaurar o coração humano? O argumento financeiro, sobretudo para casais que já têm filhos, também é frequente. Na verdade, qualquer argumento é útil quando não queremos fazer alguma coisa.


As igrejas cristãs deveriam ser os lugares com o maior número de crianças adotadas em todo o mundo. É o próprio Deus que nos ordena amar e proteger os órfãos. Lembro-me de que quando fui à República Dominicana, há alguns anos, fiquei impressionada com o projeto da igreja de que uma amiga e seu marido eram membros, em Santo Domingo. Nos fundos da Igreja, numa grande casa que estava sendo ampliada, moravam dezenas de crianças retiradas da rua, antes abandonadas, sem pais, sem ninguém. Ali havia crianças de todas as idades, brancas, negras, com Síndrome de Down, marcas de maus tratos e outros problemas. A pastora da igreja, num momento iluminado pelo Espírito Santo, havia decidido adotá-las. Elas não estavam “disponíveis” para adoção: elas eram da igreja, que provia alimentação, higiene, cuidados médicos, educação. Grande parte dos recursos financeiros daquela congregação ia para o Hogar Villa Bendicion, nome dado à casa. Esse foi um dos trabalhos mais lindos e tocantes que já vi em toda a minha vida, e jamais soube de projeto semelhante no Brasil. Muitas igrejas preocupam-se em colocar piso de mármore e bancos de luxo em seus magníficos templos, enquanto poderiam investir recursos em crianças órfãs e honrar muito mais, desta forma, a Palavra de Deus, alegrando verdadeiramente o coração do Pai.


A defesa da vida não se resume à luta antiaborto. Sem dúvida, começa por ela. Mas continua quando a criança nasce, pois vida não se resume a gestação e nascimento. Uma criança precisa de uma família, de estabilidade, de amor. Não temos, meus irmãos, o que oferecer? Deus não nos deu exemplo maior, sacrificando seu filho unigênito – o único de fato gerado por Ele – para poder fazer de nós filhos adotados?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Por que apenas metade da Bíblia é importante para nós?

Posted by Wilma Rejane on terça-feira, fevereiro 05, 2013 with 6 comments


Imagem Folha.com do fotografo Eduardo Anizelli .





Maya Felix

Resolvi escrever o artigo da primeira semana de fevereiro na segunda semana do mês. Explico: estava esperando o desfecho da eleição para a Presidência do Senado Federal. Essa eleição não é, de fato, algo de diferente na história recente do Senado. Mais um político que acumula denúncias de corrupção chega à liderança da casa eleito pelos seus pares. Essa situação indigna é comum na política brasileira. O que não é comum , infelizmente, é a reação dos evangélicos a esse descalabro.

Muitos de nós – evangélicos – indignam-se justamente com abusos e ameaças relativas à moral sexual. Assim, comentamos nas redes sociais, reclamamos, denunciamos e nos mobilizamos quando surgem projetos de lei que legalizam e prostituição ou instituem a censura à divulgação da Bíblia.

Mas a ética e a moral relativas ao que é público, entretanto, não são objeto de indignação entre a maioria dos cristãos. Não nos lembramos de tantos e tantos trechos da Bíblia que condenam o roubo, a apropriação indébita, o enriquecimento ilícito, o suborno, a mentira. Muitos evangélicos lamentam, mas tratam esses problemas como menores e menos relevantes que questões tocantes à moral sexual. Basta dar uma olhada em blogs de evangélicos que se consideram conservadores para vermos que, de fato, quase todos eles não dão a mínima para o desvio de verbas, por exemplo. Se, por conta disso, um hospital público deixa de receber medicamentos, ou uma escola pública deixa de ter merenda, esses fatos também não lhes parecem alarmantes.

Mas penso que nós, que nos chamamos pelo Seu nome, deveríamos ser os primeiros a nos indignar com práticas que para Deus são imundas. O cristão que de fato conhece a Bíblia sabe que de Gênesis a Apocalipse Deus fala contra os que oprimem o povo. O profeta Oseias, em seu livro, condena sete práticas pecaminosas de Israel contra os pobres. A elite israelita negligenciava a misericórdia e a justiça e oprimia os fracos. Entre as práticas condenadas por Oseias está o mau uso dos impostos. O primeiro verso do capítulo quatro é conhecido, pois chama de “vacas de Basã” mulheres ricas que oprimiam os pobres e quebrantavam os necessitados. Como a Igreja no Brasil de hoje despreza o apelo de justiça de Deus contra práticas corruptas e imorais na política? É a corrupção que permite que boates como a Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, funcionem. Com esse exemplo espero que possamos ver, de modo mais concreto, qual é o resultado do mau uso do que é público: sofrimento, morte, dor. Como não nos indignamos contra isso? Por que não nos levantamos, antes de qualquer grupo social, contra práticas que aviltam a dignidade do ser humano que Deus tanto ama?

A eleição de um político como Renan Calheiros para a Presidência do Senado e, por consequência, do Congresso Nacional, não foi alvo de protestos de evangélicos em redes sociais. Não li em nenhum blog textos reclamando do fato como “imoralidade”. Não quero dizer que protestos contra a legalização da prostituição são desimportantes. Mas questiono o fato de que a eleição de Renan Calheiros parece-me totalmente insignificante para um povo que deve ser ético e honesto, amante da justiça, da verdade e da retidão.



sábado, 26 de janeiro de 2013

Política e Cristianismo: e aí?

Posted by Wilma Rejane on sábado, janeiro 26, 2013 with 6 comments


Maya Felix



Quando me convidaram para escrever sobre política no blog da UBE, em 2012, estava terminando de escrever minha tese de doutorado em Linguística, que defendi no final de setembro daquele ano. Depois da defesa, senti-me muito cansada, como se um trator tivesse passado por cima de mim – e, com tudo isso, tive de retomar, em seguida, meu trabalho de professora universitária. A escrita do primeiro texto foi, então, postergada até agora.

Além do cansaço, havia também um temor acerca do que eu poderia ou deveria escrever sobre política em um site cristão/evangélico. O que dizer? De que modo? Em dezembro de 2012, comecei a refletir e a tentar elaborar uma pauta para este primeiro texto.

Falar sobre política, no meio cristão, pode redundar facilmente em uma cruzada moral a respeito de temas já conhecidos e bastante discutidos, como o lobby gay, ou uma reiteração de temas igualmente explorados e repetidos à exaustão de modo raso e equivocado, como o problema da injustiça social no mundo. Penso que devemos evitar posições pouco equilibradas – mas bastante divulgadas – sobre esses temas. Sair do óbvio nem sempre é fácil, mas é necessário. Blogueiros autointitulados “ortodoxos” exploram à exaustão temas ligados à moral, em especial à sexual, como se os únicos pecados existentes fossem os ligados à sexualidade, ao uso de drogas ou à prática do aborto. Não quero dizer, com isso, que esses temas são desimportantes. Não, de modo nenhum. Quero dizer que não são os únicos a ser tratados em um debate honesto sobre política do ponto de vista cristão. Do mesmo modo, há cristãos que acham que o único mal que deve ser combatido é a injustiça social e econômica, falando repetidamente contra o “sistema”, como se a corrupção humana nascesse a partir dele, e não o contrário.

Afinal, qual deve ser o trabalho de um cristão em relação à política? É possível que muitos cristãos se coloquem, frequentemente, a mesma questão. As igrejas evangélicas no Brasil devem se colocar no lugar do Estado (para o qual todos pagam muitos impostos, deve-se sublinhar) e compensar políticas públicas deficientes? Devem opinar sobre questões morais e pressionar os governos, esquecendo-se dos que não são cristãos e não optam por uma visão conservadora acerca do comportamento humano? O cristão evangélico deve priorizar seu voto em candidatos da mesma religião? Deve seguir o que o pastor diz, em época de eleições? É moralmente justificável que uma igreja financie candidatos e partidos, como ocorre com frequência? É moralmente lícito que pastores acumulem fortunas pessoais vivendo apenas da renda de projetos religiosos?


As interrogações são muitas, e pretendo debatê-las neste espaço no Blog da UBE. A princípio, é preciso desde já compreender que devemos fazer todas as coisas nos perguntando de que modo Jesus agiria. Se Ele não for nosso espelho, então para quê somos cristãos? Na vida pessoal e social, Jesus deve constantemente guiar nossos passos humanos e falíveis. Nossos posicionamentos devem ser próximos ao que Jesus demonstrou. Com esse norte, abrimos nossos trabalhos. Sejam bem vindos ao debate.


Nasci em São Luis, Maranhão, em 1971. Tornei-me cristã em 1991, e foi a melhor decisão de toda a minha vida. Jesus é meu amigo, meu Senhor e meu parceiro em tudo. Fiz Letras na Universidade de Brasília (1994), e mestrado (DEA) em Ciências da Linguagem na Université de Nanterre Paris Ouest La Défense, na França, em 2000. Desde 2004, sou professora de Linguística no Departamento de Letras da Universidade Estadual do Maranhão. Em 2012, concluí meu Doutorado em Letras na Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, em convênio de cotutela com a Université de Nanterre Paris Ouest La Défense, onde fiz estágio de pesquisa em 2011 como bolsista da CAPES. Lecionei francês na Universidade de Brasília, na Universidade Estadual do Maranhão e na Aliança Francesa de São Luis, entre outros. Sou especialista em Linguística Textual, com ênfase em textos multimodais. Gosto de estudar política, pois creio que o cristão deve buscar compreender melhor a sociedade a fim de melhor atuar nela, para que o reino de Deus venha entre nós. 

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