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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Baia de Guanabara hoje: um dos cenários mais deslumbrantes do Brasil
foi palco do primeiro martírio de cristãos protestantes.
  Imagem: AR


Sidnei Moura

O contexto da Tragédia da Guanabara*, como ficou conhecida mais tarde, ocorrida em 9 de fevereiro de 1558, teve como cenário a França Antártica, uma colônia criada na baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro, em novembro de 1555, pelo militar Nicolas Durand de Villegaignon. Desejoso por colonos com valores mais sólidos, o comandante escreveu à Igreja Reformada em Genebra, liderada por João Calvino, pedindo o envio de pessoas de bem para o auxiliarem no trabalho. Em resposta, a igreja mandou um grupo de quatorze pessoas, entre as quais dois pastores. O pequeno contingente desembarcou no Rio de Janeiro no dia 10 de março de 1557, ocasião em que foi realizado o primeiro culto protestante no Brasil, e provavelmente das Américas.

No início, Villegaignon que era descendente de uma importante família católica, mostrou-se simpático aos protestantes recém-chegados. Na ocasião da celebração da primeira Santa Ceia em terras brasileiras em 21 de março de 1557, chegou a confessar publicamente a sua fé na doutrina reformada Calvinista, todavia, logo começou a divergir dos reformados em relação a singela celebração da Ceia do Senhor e a outras diversas questões doutrinárias.

Segundo relatos históricos da época, Villegaignon tornou-se um tirano cruel. Passou a obrigar seus trabalhadores a efetuarem trabalhos forçados, privando-os de alimentação, descanso e vestuário adequados. Muitos de seus mordomos foram consumidos pela fome e doenças por sua negligência e omissão.

No final de outubro, Villegaignon expulsou os protestantes da pequena ilha para o continente devido aos constantes conflitos motivados pela questão doutrinária e teológica dos calvinistas, que ele passou a rejeitar. Impossibilitados de dar continuidade ao seu trabalho, no início de 1558, eles decidiram regressar à pátria. Todavia, diante das condições precárias da embarcação, cinco dos calvinistas decidiram voltar à terra firme. Eram eles Jacques Le Balleur, Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la Fon. Segundo informações, Balleur conseguiu fugir da ilha, no entanto os demais foram até a presença de Villegaignon para pedir-lhe que os recebesse novamente.

Acusados pelo comandante de serem traidores e espiões, os cristãos calvinistas foram açoitados e encarcerados em uma cela estreita, escura e com cadeias muito pesadas afixadas em seus pés. Villegaignon possuía diversos instrumentos de tortura que utilizava para castigar seus mordomos escravos e para afugentar os selvagens daquela região. Ele planejava como executá-los, e por estar tomado de grande preocupação de como fazê-lo, constantemente visitava a cela onde os calvinistas estavam presos, pois a sua tirania tirava até mesmo a confiança que tinha em seus próprios mordomos, os quais colocou para fazer escolta dos presos naquela cela. Não se conformava com a atitude dos protestantes, pois apesar de estarem cientes de que poderiam a qualquer momento ser executados, alegravam-se em Deus, e passavam o dia e a noite cantando louvores, recitando salmos e orando a Deus.

Por haver se declarado inimigo dos cristãos calvinistas, e sabendo que poderia agradar a corte com a morte dos reformados, resolveu interrogá-los sobre a fé reformada, a fim de condená-los por heresia. Foi quando formulou um questionário teológico, e lhes enviou a fim de respondê-lo, dando um prazo de apenas 12 horas para apresentarem as suas posições doutrinárias. Jean Du Bourdel foi escolhido para redigir o documento, que mais tarde ficou conhecida como a Declaração de Fé de Guanabara, a primeira declaração de fé das Américas. Era o mais velho dentre seus amigos, tinha profundo conhecimento bíblico, teológico, da história da igreja e da fé reformada.

Enquanto escrevia, Bourdel encorajava seus amigos a permanecerem inabaláveis contra as afrontas do diabo, da carne e do mundo, que tentavam através de toda sorte de artimanhas levá-los a negar a fé em Cristo. Ao concluir a declaração, a mesma foi lida pelos huguenotes (nomenclatura dada aos cristãos protestantes calvinistas nos séculos XVI e XVII por catolicos franceses após o massacre em Vassy) e assinada pelos mesmos, e encaminhada a Villegaignon, que ao recebê-la indignou-se sobremaneira, mandando chamar um após outro a fim de confirmar o escrito e executá-los de forma sumária. Ao chegar ao conhecimento do povo as intenções de Villegaignon, alguns tentaram fazer os calvinistas desistirem da fé, o que levou Bourdel a fazer o seguinte pronunciamento:

“Meus irmãos, vejo que Satanás se esforça por todos os meios para nos impedir de, resolutamente, defendermos hoje a causa de Cristo Jesus Senhor nosso, e que alguns de nos revelam uma timidez fora do razoável, equivalente mesmo a uma duvida acerca do socorro e favor do nosso bom Deus, em cujas mãos, sabemos, estão nossas vidas, que ninguém nos poderá tirar sem as determinações dos seus sábios conselhos. Ora, eu vos peço que comigo considereis o modo e o motivo por que viemos a este pais: Quem nos moveu á travessia do oceano numa extensão de duas mil léguas? Quem nos preservou de tantos perigos? Acaso não foi aquele que tudo governa, que dirige todas as coisas pela sua bondade infinita, que ampara os seus por meios admiráveis? É certo que contra nós militam três inimigos poderosos : – o Mundo, o Diabo e a Carne, e que por nós mesmos não podemos resistir-lhes. Mas, si acorrermos ao Senhor Jesus, que os venceu por nós, ele nos assistirá consoante a sua promessa, que sempre cumpre, por isso que é fiel e Todo-Poderoso. Apeguemo-nos a ele, e nele inteiramente repousemos. Coragem, pois, meus irmãos! Que os enganos, que as crueldades, que as riquezas deste mundo não nos embaracem de irmos a Cristo!”

A declaração de Fé

A confissão, escrita originalmente em latim, tem a forma de um credo, pois a maior parte dos parágrafos começa com a palavra “cremos”. Todavia, sua extensão e variedade de temas a coloca na categoria das confissões de fé, comuns na época da Reforma. A seção introdutória faz uma bela aplicação do texto de 1 Pedro 3.15. Os dezessete parágrafos de diferentes tamanhos tratam de seis questões principais: (a) 1-4: a doutrina da Trindade e, em especial, a pessoa de Cristo, com as suas naturezas divina e humana; (b) 5-9: a doutrina dos sacramentos, sendo a Ceia tratada em quatro artigos e o batismo em um; (c) 10: o livre arbítrio; (d) 11-12: a autoridade dos ministros para perdoar pecados e impor as mãos; (e) 13-15: divórcio, casamento dos religiosos e votos de castidade; (f) 16-17: intercessão dos santos e orações pelos mortos. Você pode ler a integra da Declaração clicando aqui

A execução dos huguenotes

Bourdel foi o primeiro a ser chamado a presença de Villegaignon para declarar a sua fé. Após confirmar o que havia escrito, foi fortemente espancado e condenado a morte por estrangulamento, asfixia e afogamento. Um dos pajens de Villegaignon foi designado para fazer a execução. Bourdel foi levado a um rochedo alto, e ali foi estrangulado, asfixiado e jogado nas águas. Enquanto seu antagonista o executava, Bourdel orava implorando a Deus perdão pelos seus pecados e entregando seu espírito a Deus. Assim também aconteceu com Verneuil e Bourdon. La Fon, vacilando, se retratou da declaração de fé, e por ser o único alfaiate daquela localidade sua retratação foi aceita por Villegaignon. Balleur, que havia conseguido fugir foi mais tarde capturado, e acabou por ser executado depois no Rio de Janeiro.

456 anos depois – uma franca reflexão

Neste domingo, dia 09 de fevereiro,  o contexto histórico em que  o primeiro martírio de cristãos em terras brasileiras ocorreu completará 456 anos. É interessante notar que a perseguição religiosa aos cristãos foi algo rotineiro e em alguns lugares devastador, porém não foi suficiente para calar o evangelho de Cristo. É importante lembrar que o próprio apóstolo Paulo foi enfático ao afirmar que embora ele estivesse preso por diversas vezes, a palavra de Deus não estava. Avaliando o percurso da igreja primitiva na conquista de novas almas para o reino de Deus, constataremos que as perseguições aos cristãos apenas contribuíram para o crescimento do evangelho, fortalecendo o dinamismo da estrutura da igreja como organismo vivo em seu alcance a povos distantes.

Hoje, somos mais de 40 milhões de protestantes no Brasil. Temos igrejas de grande porte, enviamos constantemente missionários para diversas regiões do planeta e contamos com uma estrutura inimaginável nos tempos dos pioneiros. Porém estamos vivendo um período semelhante ao dos pioneiros calvinistas: um momento de ataque a fé bíblica. E a pergunta que não quer se calar é a seguinte: Será que estamos dispostos a defender a fé, que uma vez foi nos entregue pelo próprio Senhor? Que o Senhor nos ajude a defender a razão da nossa esperança, e a vivermos de acordo com seus divinos propósitos!

* Maiores informações sobre a Tragédia da Guanabara estão disponíveis no livro “A Tragédia da Guanabara - A História dos Primeiros Mártires do Cristianismo no Brasil” de Jean Crespin, editado pela CPAD e disponível nas melhores livrarias do país.

Sidnei Moura é licenciado em Letras e professor de Língua Portuguesa e literatura. É editor do blog Sidnei Moura, filiado à UBE - União de Blogueiros Evangélicos, e  reside em São Carlos - SP

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Idéias de cartazes para sua manifestação

Posted by Wallysou on segunda-feira, setembro 02, 2013 with No comments
Vai protestar? Quer idéias? Aqui tem algumas.

Eu já escrevi que a igreja precisa sair às ruas para protestar (contra o pecado), e que devemos sim nos posicionar contra o que está acontecendo em nosso país.

Agora, caso você esteja pensando em sair às ruas na comemoração de 7 de setembro, eis algumas dicas de cartazes para empunhar:






Mas, deixo apenas uma advertência:

se for protestar, sem violência e sem vandalismo. Já tem muita gente fazendo baderna no Brasil (principalmente no Congresso Nacional), não precisamos de mais gente para detonar o país.

Compartilhe à vontade. Vamos expulsar esse demônio da corrupção do Brasil. Os corruptos a gente bota no xilindró.

Cortesia do blog Desafiando Limites.

www.ubeblogs.net

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eu vou à Manifestação Pacífica em Brasília dia 05 de Junho

Posted by Wilma Rejane on segunda-feira, junho 03, 2013 with 3 comments


Maya Felix
 

Não moro em Brasília, mas vou à manifestação pacífica promovida pelo pastor Silas Malafaia em Brasília, dia 05 de junho. Será um esforço significativo para mim, sob vários aspectos. Mas eu vou.

Vou porque concordo com as razões da manifestação. Vou porque a manifestação política e pacífica de grupos sociais é garantida pela Constituição Federal, assim como a manifestação de pensamento, de expressão e de culto. Vou porque vejo diariamente tentativas de partidos governistas de violar a Constituição Federal em vários de seus artigos no que diz respeito à liberdade de culto – particularmente do culto cristão-evangélico. 

Vou porque, como evangélica, penso que é legítimo, democrático e necessário que nós, evangélicos, nos levantemos agora para defendermos nossos pontos de vista diante de um Governo cujo partido e aliados constantemente trabalham para levar a cabo políticas que contrariam nossas crenças e nossos princípios. Também pagamos impostos. Também votamos. Também trabalhamos duramente. Também pensamos.

Estarei lá, dia 05 de junho, às 15h, em frente ao Congresso Nacional. Vou pacificamente. Vou certa do que defendo. Vou porque creio que o Estado laico não justifica a perseguição religiosa que ora ocorre no Brasil sob os rótulos de “combate à homofobia” (leia-se: kit gay nas escolas públicas), “defesa dos direitos da mulher” (leia-se: defesa do aborto), “defesa do estado laico” (leia-se: destruição de símbolos culturais que remetem ao cristianismo) e tantos outros, cujo deslizamento de sentido opera a justificativa para atos que vão de processos penais a pastores e evangelistas por exposição da Palavra bíblica a ameaças de fechamento de igrejas.

Eu vou. Sou cidadã, pago impostos altíssimos, trabalho duramente e respeito meu próximo. Apesar disso, manifestações de “cristianofobia” tornam-se corriqueiras no Brasil. Assistimos a insultos, ofensas e desrespeitos diversos a políticos evangélicos, trechos da Bíblia, santos católicos, religiosos evangélicos e católicos e até ao Papa, como veio a público na Parada Gay de São Paulo, no último domingo dia 02/06. Assistimos a tudo isso e nos calamos, e creio que é chegada a hora de manifestarmos nossa indignação diante dessa situação injusta. 

Vou porque o que o Governo Federal, parlamentares e ministros do STF têm chamado de “respeito às minorias sexuais” mostra-se, progressivamente, a simples concessão de privilégios a uma minoria que, de modo truculento, manipula dados a fim de mais confortavelmente ter a aprovação da opinião pública, impor seus pontos de vista e exigir a aprovação da sociedade às suas práticas sexuais. Para isso, tentam desmoralizar um segmento religioso que condena suas ações. Insultam-nos, atacam-nos e nada dizemos.

Vou porque me sinto diariamente desrespeitada, ofendida e discriminada, como evangélica. Como eu, conheço tantos mais que chegam a ter medo de expor seus pontos de vista em determinados meios sociais e profissionais. No entanto, reza a Constituição Federal, em seu Artigo 5º, incisos IV, VI e XVI: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.”
 
Por isso tudo, irmãos, eu vou.


P.S. Queridos leitores, vamos continuar com a série de artigos sobre a pena de morte, mas tinha que escrever este texto agora. No mais, peço desculpas pela ausência prolongada: trata-se de muito trabalho para pouco tempo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Por que apenas metade da Bíblia é importante para nós?

Posted by Wilma Rejane on terça-feira, fevereiro 05, 2013 with 6 comments


Imagem Folha.com do fotografo Eduardo Anizelli .





Maya Felix

Resolvi escrever o artigo da primeira semana de fevereiro na segunda semana do mês. Explico: estava esperando o desfecho da eleição para a Presidência do Senado Federal. Essa eleição não é, de fato, algo de diferente na história recente do Senado. Mais um político que acumula denúncias de corrupção chega à liderança da casa eleito pelos seus pares. Essa situação indigna é comum na política brasileira. O que não é comum , infelizmente, é a reação dos evangélicos a esse descalabro.

Muitos de nós – evangélicos – indignam-se justamente com abusos e ameaças relativas à moral sexual. Assim, comentamos nas redes sociais, reclamamos, denunciamos e nos mobilizamos quando surgem projetos de lei que legalizam e prostituição ou instituem a censura à divulgação da Bíblia.

Mas a ética e a moral relativas ao que é público, entretanto, não são objeto de indignação entre a maioria dos cristãos. Não nos lembramos de tantos e tantos trechos da Bíblia que condenam o roubo, a apropriação indébita, o enriquecimento ilícito, o suborno, a mentira. Muitos evangélicos lamentam, mas tratam esses problemas como menores e menos relevantes que questões tocantes à moral sexual. Basta dar uma olhada em blogs de evangélicos que se consideram conservadores para vermos que, de fato, quase todos eles não dão a mínima para o desvio de verbas, por exemplo. Se, por conta disso, um hospital público deixa de receber medicamentos, ou uma escola pública deixa de ter merenda, esses fatos também não lhes parecem alarmantes.

Mas penso que nós, que nos chamamos pelo Seu nome, deveríamos ser os primeiros a nos indignar com práticas que para Deus são imundas. O cristão que de fato conhece a Bíblia sabe que de Gênesis a Apocalipse Deus fala contra os que oprimem o povo. O profeta Oseias, em seu livro, condena sete práticas pecaminosas de Israel contra os pobres. A elite israelita negligenciava a misericórdia e a justiça e oprimia os fracos. Entre as práticas condenadas por Oseias está o mau uso dos impostos. O primeiro verso do capítulo quatro é conhecido, pois chama de “vacas de Basã” mulheres ricas que oprimiam os pobres e quebrantavam os necessitados. Como a Igreja no Brasil de hoje despreza o apelo de justiça de Deus contra práticas corruptas e imorais na política? É a corrupção que permite que boates como a Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, funcionem. Com esse exemplo espero que possamos ver, de modo mais concreto, qual é o resultado do mau uso do que é público: sofrimento, morte, dor. Como não nos indignamos contra isso? Por que não nos levantamos, antes de qualquer grupo social, contra práticas que aviltam a dignidade do ser humano que Deus tanto ama?

A eleição de um político como Renan Calheiros para a Presidência do Senado e, por consequência, do Congresso Nacional, não foi alvo de protestos de evangélicos em redes sociais. Não li em nenhum blog textos reclamando do fato como “imoralidade”. Não quero dizer que protestos contra a legalização da prostituição são desimportantes. Mas questiono o fato de que a eleição de Renan Calheiros parece-me totalmente insignificante para um povo que deve ser ético e honesto, amante da justiça, da verdade e da retidão.



sexta-feira, 20 de julho de 2012

O fenômeno evangélico no Brasil: história e números

Posted by Wilma Rejane on sexta-feira, julho 20, 2012 with 1 comment


 

Por Wilma Rejane

Os evangélicos brasileiros formam um contingente que equivale a duas vezes e meia a população de Portugal. E os números não param de crescer. Templos gigantescos, controles de meios de comunicação, conversões em massa, representantes no Congresso Nacional.   Embora uma explosão numérica tenha acontecido nas últimas décadas, os protestantes aportaram aqui no século XVI, tempo em que os católicos portugueses mal tinham se espalhado pela costa brasileira. A colonização do Brasil, iniciada sob o impacto das disputas entre a igreja de Roma e os protestantes, reproduziu ao longo dos séculos XVI e XVII as querelas religiosas do tempo de Lutero e Calvino. Aceitos no país definitivamente apenas na época de D.João VI, os cristãos reformados chegaram em massa ao Brasil no século XIX. O protestantismo se manifestou de diversas formas até o século XX, quando surgiram os movimentos pentecostais.

Primeiros Mártires Protestantes

A presença protestante no Brasil data do período colonial (1500-1822). Os franceses que invadiram o Rio de Janeiro no século XVI, em busca do pau-brasil e de refúgio religioso, eram huguenotes, isto é, reformados de origem francesa. Foram eles que oficializaram, em 1556, o primeiro culto protestante no Brasil. Disputas religiosas que já vinham da França dividiram, no entanto a comunidade, e os protestantes foram obrigados a voltar para a Europa. Os três religiosos que resistiram à intolerância do comandante Frances Nicolau Villegaingnon foram mortos, e são considerados os primeiros mártires protestantes no Brasil.

No século seguinte, em 1624, os holandeses da Companhia das Índias Ocidentais, interessados no comércio do açúcar e outros produtos tropicais, invadiram a Bahia, eles atacaram Pernambuco em 1630 e conquistaram parte da atual Região Nordeste, onde permaneceram até 1654. Nesse período, organizaram a Igreja Cristã Reformada, que funcionava com uma estrutura administrativa similar à européia, oferecendo escola dominical e evangelização aos indígenas e africanos.

Luta Por Território

Durante o período holandês, especialmente no governo de Maurício de Nassau (1637-1644), experimentou-se pela primeira vez no Brasil um clima de tolerância religiosa. Católicos, protestantes e judeus conviviam então pacificamente. Conforme o historiador Frans Schalkwiijk, citando um pastor holandês da época, “essa liberdade era tão grande que se não achava assim em nenhum lugar”.


Com a expulsão dos holandeses, em 1654, tudo voltou ao que era antes: as congregações reformadas desapareceram da colônia, restando o estigma do protestante estrangeiro, visto como “herege invasor” pelo padre Antônio Vieira (1608- 1697), que vivia na Bahia na época da invasão flamenga. A presença sistemática do protestantismo no Brasil, só ocorreria bem depois, na primeira metade do século XIX, após a chegada da corte portuguesa, em decorrência de uma conjunção de fatores de ordem econômica e política.

A disputa pela hegemonia político-econômica na Europa dos finais do século XVIII, entre a França e a Inglaterra, provocou conseqüências para os países europeus e suas colônias. Encurralada pelo bloqueio continental, imposto por Napoleão em 1807, a Inglaterra encontrou em Portugal uma brecha para não ser asfixiada economicamente. A colônia portuguesa na América seria o escoadouro da sua produção industrial, a solução para o boicote da França. Os interesses britânicos na transferência da corte de d. João para o Brasil culminaram na assinatura, em 1810, de dois tratados: O tratado da Aliança e Amizade e o de Comércio e Navegação. O novo cenário afetaria sobremaneira o quadro religioso brasileiro, tradicionalmente dominado pelo catolicismo.


Tratados de Paz

Como nação protestante, a Inglaterra garantiu para os seus súditos privilégios de caráter religioso sem precedentes, que se opunham frontalmente, aqui, ao monopólio da Igreja Católica. O Tratado de navegação e Comércio declarava em seu artigo 12, que “os vassalos de SM Britânica residentes nos territórios e domínios portugueses não seriam perturbados, inquietados, perseguidos ou molestados por causa de sua religião, e teriam perfeita liberdade de consciência, bem como licença para assistirem e celebrarem o serviço em honra a Deus, quer dentro de suas casas particulares, nas igrejas e capelas...”

Chegada da Igreja Anglicana no Brasil

A partir da primeira década do século XIX, centenas de comerciantes ingleses se estabeleceram na sede da monarquia e nas principais cidades, usufruindo todas as garantias e privilégios a eles concedidos pelo governo luso-brasileiro. Os britânicos estabeleceram a Igreja Anglicana no Rio de Janeiro, a Chist Church, lançando a pedra fundamental do seu templo em 1819. Nas grandes cidades onde havia empreendimentos ingleses, foram construídas capelas, templos e cemitérios britânicos, pois no período as necrópoles estavam sob a guarda da Igreja Católica, que não permitia o enterro dos protestantes nos seus sítios.

Formação das Comunidades Evangélicas

Outro fator que interferiu no quadro religioso foi a política migratória. Buscava-se resolver o problema da mão-de-obra, composta em grande parte por escravos, e os imigrantes europeus eram uma alternativa viável. A colônia de São Leopoldo, criada em 1824 no Rio Grande do sul, compunha-se de católicos e protestantes, especialmente luteranos vindos da Alemanha. Outras colônias alemãs se instalaram em Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os colonos plantavam nas lavouras, fundavam comunidades evangélicas independentes e escolas paroquiais, de língua Germânica para os filhos.

Inicialmente as comunidades evangélicas ficaram praticamente desassistidas, contando com pastores leigos escolhidos entre os próprios colonos, e sem formação teológica. Somente a partir de 1886, a Igreja luterana da Alemanha começou a enviar pastores para o país, fundando-se então a Igreja Evangélica Alemã no Brasil e o Sínodo Rio-grandense. Posteriormente, foram criados sínodos em outras províncias.

Primeiros Missionários Estrangeiros

William Bagby primeiro missionário Batista a chegar ao Brasil e sua esposa.

Um fator que contribuiu para a vinda dos missionários estrangeiros foi o avivamento religioso ocorrido na Europa no final do século XVIII e que se difundiu para os Estados Unidos na virada do Século XIX.  Em decorrência do fervor evangelístico, várias sociedades missionárias foram organizadas nas primeiras décadas do século XIX com o objetivo de converter almas.

O contexto socioeconômico e político dos Estados Unidos desempenhou um papel importante nesse processo. Dentre os 10 mil sulistas que deixaram os Estados Unidos após a guerra de Secessão (1861-1865), cerca de dois mil se radicalizaram no Brasil. Faziam parte desse grupo alguns líderes religiosos que não só exerciam funções pastorais, mas se transformaram em verdadeiros agentes a serviço da imigração, a exemplo de Bellard Smith Dunn que se estabeleceu em juquiá, litoral paulista. Para ele, o Brasil era a nova Canaã, a terra prometida onde os derrotados da guerra civil poderiam reconstruir suas vidas.

Outro fator importante foi a intensificação do comércio entre Brasil e Estados Unidos, após 1860. As missões protestantes faziam parte de um movimento de expansão norte-americana na América Latina. Os missionários que chegaram ao Brasil eram homens do seu tempo- da expansão capitalista dos Estados Unidos. Não por acaso, os primeiros missionários batistas a chegarem ao Brasil, desembarcaram no Rio de Janeiro, no navio da companhia da família Levering, família batista que aqui negociava com café.

Inicio da Igreja Presbiteriana e Metodista no Brasil

A Igreja Evangélica Fluminense (congregacional), fundada em 1858 no rio de Janeiro, foi o primeiro grupo protestante de origem missionária no Brasil. Em 1862, estabeleceu-se a Igreja Presbiteriana em São Paulo e a Igreja Metodista. Praticavam uma liturgia copiada do modelo americano e prescreviam uma ética rigorosa, que se definia em oposição à religião do Império, que já consideravam a sociedade brasileira pecadora, atrasada e condenável pela influência do catolicismo.

Oposição e Consolidação da Presença Evangélica no País

A hierarquia católica sempre reagiu à concorrência, porém nenhum outro fato agravou tanto as tensas relações entre católicos e protestantes no Brasil quanto à aprovação, pelo Senado imperial, da liberdade de culto. Quando da tramitação do projeto em 1888, o arcebispo-primaz no Brasil protestou com veemência contra aquilo que em sua opinião, “dissolveria entre os brasileiros a unidade de doutrina em matéria de fé”. Com o advento da República-que separou a Igreja do Estado- caíram as últimas amarras jurídicas que cerceavam a atuação dos evangélicos, propiciando a consolidação do protestantismo no país.


Nos países anglo-saxões, onde a Reforma Protestante eclodiu no século XVI, o termo "evangélico" é usado para definir quase todas as doutrinas cristãs protestantes. Na Alemanha, berço do luteranismo, seu uso chega a ser mais específico: é comum se referir aos membros da Igreja Luterana como evangélicos, excluindo-se o resto dos protestantes. Já no Brasil, quando se fala de evangélicos, trata-se de uma forma genérica de se referir às correntes protestantes  tradicionais, pentecostais e neopentecostais , surgidas somente no século XX. De forma simplificada, pode-se dizer que todo evangélico é protestante, mas nem todo protestante se considera evangélico.

Protestantismo Histórico: Movimento iniciado na Europa no século XVI, cujo marco célebre são as 95 teses do teólogo cristão Martinho Lutero criticando uma série de práticas e doutrinas da Igreja Católica. Ao romper com o Vaticano, Lutero desencadeia a Reforma Protestante, que culmina com a fundação de correntes cristãs dissidentes, como a própria Igreja Luterana, a Calvinista e a Metodista.

Protestantismo Pentecostal: Corrente que aparece nos Estados Unidos nos primeiros anos do século XX, entre fiéis metodistas insatisfeitos com a falta de fervor em suas igrejas. Devido aos cultos vibrantes, não demora a se difundir pelos EUA, e posteriormente por países mais pobres, especialmente na América Latina. Em linhas gerais, os pentecostais acreditam em  milagres, como o poder de cura do Espírito Santo, e enfatizam a pregação do Evangelho aos não convertidos. 

Protestantismo Neopentecostal: Fenômeno surgido a partir dos anos 1970, que se difere do pentecostalismo tradicional . Grande parte das igrejas neopentecostais não são muito rígidas no que diz respeito aos hábitos e costumes de seus fiéis. Algumas delas mantém forte presença na mídia eletrônica, controlando a programação  de centenas de emissoras de rádio e televisão Brasil afora.


MAIORES GRUPOS NO PAÍS: IGREJAS PENTECOSTAIS

Assembléia de Deus*
Fundação: 1910
História e doutrina: A maior igreja pentecostal brasileira surgiu em Belém (PA), sob a influência de dois


missionários suecos vindos dos Estados Unidos, onde frequentavam a Igreja Batista. Organizada nos moldes das igrejas pentecostais que surgiam então naquele país, a Assembleia de Deus acredita no poder supremo do Espírito Santo e prega com ênfase o Evangelho cristão. Nos cultos, fiéis oram e cantam em voz alta dentro dos templos.
Fiéis no Brasil: 8.500.000
Templos: Dados não disponíveis
Número médio de fiéis que frequentam cada templo: Dados não disponíveis

* Este número diz respeito apenas à primeira Assembleia de Deus, surgida em Belém (PA) no início do século XX. Trata-se da denominação ligada à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), a quem pertence a patente do nome no país. Ao longo do século, outras Assembleias de Deus surgiram, a maioria sem qualquer ligação institucional com a CGADB.

Congregação Cristã no Brasil
Fundação: 1910
História e doutrina: Fundada no Brasil por Luigi Francescon, um protestante italiano. No início, cresceu dentro da comunidade de imigrantes italianos do país, para, a partir da década de 1930, se expandir para o resto do Brasil. A exemplo da Assembléia de Deus, centra suas crenças nas virtudes do Espírito Santo, sem dar valor a outras figuras consagradas historicamente pelo cristianismo, como Maria ou os santos. Um de seus rituais mais conhecidos é o batismo de imersão em água corrente.
Fiéis no Brasil: 1.891.000
Templos: 4.700
Número médio de fiéis que freqüentam cada templo: 403

Igreja do Evangelho Quadrangular
Fundação: 1918
História e doutrina: Nascida nos Estados Unidos, demorou quase 30 anos para chegar ao Brasil, pelas mão de dois missionários que se instalaram na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais, e depois em São João da Boa Vista, em São Paulo. Enfatiza o dom da cura pelo Espírito Santo e a palavra de Deus contida na Bíblia, além de acreditar no retorno iminente de Jesus Cristo.
Fiéis no Brasil: 1.600.000
Templos: 7.500
Número médio de fiéis que freqüentam cada templo: 213

Igreja Pentecostal "O Brasil para Cristo"
Fundação: 1955
História e doutrina: Fundada por um ex-trabalhador da construção civil, que chegou a ser pastor da Assembléia de Deus e da Evangelho Quadrangular. Os cultos são marcados por orações espontâneas e pelo testemunho dos fiéis, que também podem pregar.
Fiéis no Brasil: 1.937.000
Templos: 4.600
Número médio de fiéis que freqüentam cada templo: 419

Igreja Pentecostal Deus é Amor
Fundação: 1962
História e doutrina: Criada a partir de uma mensagem divina que seu fundador, o missionário David Miranda, teria recebido. Assemelha-se às pentecostais tradicionais no conservadorismo no campo dos costumes e nos rituais mais exaltados. Possui hoje o autodenominado "maior templo evangélico do mundo", com capacidade para 60.000 fiéis, no centro de São Paulo.
Fiéis no Brasil: 3.600.000
Templos: 4.300
Número médio de fiéis que freqüentam cada templo: 837

IGREJAS NEOPENTECOSTAIS QUE MAIS CRESCEM

Igreja Mundial do Poder de Deus:
Fundação: 3 de Março de 1998 foi o primeiro culto na Av São Paulo 555
História e doutrina: Valdemiro Santiago, era bispo da IURD. Teve divergências com a direção da igreja, deixa o ministério e funda a Mundial. A doutrina é semelhante as demais denominações neo pentecostais com forte ênfase na cura de doenças através do mover do Espírito Santo. Colabora com o crescimento a transmissão de cultos pela TV, em diversas emissoras.
Fiéis no Brasil: Dados não disponíveis
Número de Templos: em 2009 eram 2.200

Igreja Internacional da Graça de Deus:
Fundação: Em 1980 na Rua Lauro Neiva, municipio de Duque de Caxias, Rio de Janeiro,
Historia e Doutrina: Romildo Ribeiro Soares ou R.R.Soares, fundou a igreja logo após se separar do cunhado Edir Macêdo, com quem trabalhava. A doutrina é bem semelhante as demais igrejas neo pentecostais: Ênfase nos milagres e dons do Espírito Santo. Alto investimento na mídia televisiva.
Fiéis no Brasil: Dados não disponíveis
Número de Templos: Última estatistica revelou cerca de 1.000(mil templos só no Brasil). Fonte Wikipédia.

Igreja Universal do Reino de Deus:
Fundação: Em 1977 por Edir Macêdo e R.R.Soares.
História e Doutrina: A igreja foi criada a partir de reuniões feitas ao ar livre chamadas de "Cruzadas Para o Caminho Eterno". Mais tarde as reuniões começaram a acontecer em um antigo cinema (Bruni Méier) e posteriormente também no cinema Ridan. Em 9 de Julho de 1977, nasceu oficialmente a Igreja sob o título de "Igreja  da Benção". sediada em um antigo galpão na antiga av. Suburbana, hoje Av. Dom Helder Câmara, zona Norte do RJ.
Fiéis no Brasil: Aproximadamente 3,5 milhões.
Número de Templos: Não disponível.


Evangélicos em Números - Clique nos gráficos para melhor visualização



Denominações




1. A Igreja Assembleia de Deus tem uma população masculina de 5.586.520  e feminina de 6.727.891 pessoas. Os homens representam 45,37% e as mulheres, 54,63%, do total de membros da Igreja, que é de 12.314.410 fiéis.

2. Continuando, 10.366.497 membros das Assembleias de Deus residem nas cidades (84,17%) e 1.947.913, na Zona Rural - 15,82%.

3.  A Igreja com maior número de membros na Zona Rual e a Assembleia de Deus - 15,82, seguida pela Igreja Deus é Amor com 14,46%

4. Simplificando ainda mais as porcentagens, por exemplo no caso da população masculina e feminina das Assembleias de Deus: 45,37% de homens e  54,63% de mulheres. Isto quer dizer que em cada grupo de 100 membros, cerca de 55 são mulheres e 45 são homens, aproximadamente.

5. A Igreja que tem maior número de mulheres e a Universal. São 60 mulheres e 40 homens em cada grupo de 100 fiéis.

6. E a Igreja em que a participação das mulheres em relação aos homens tem o menor desnível é a Cristã  no Brasil. São 54 mulheres e 46 homens por 100 membros.

7. A média entre homens e mulheres em relação ao total de evangélicos ficou perto de: 56  mulheres e 44 homens por grupo de 100.

Evangélicos por Estado



Na última pesquisa divulgada pelo IBGE sobre a população de evangélicos no Brasil, católicos caem para 64,6% e evangélicos já são 22, 2%.


Um dos maiores picos de crescimento aconteceu entre 1980 e 1991, quando os evangélicos saltaram de 6,6% para 9% do total de brasileiros. O destaque fica por conta pentecostais, que cresceram de 3,2% para 6,0% nesse período.


Em 2009 o país possuía a menor proporção de católicos entre as demais religiões em comparação com décadas anteriores de acordo com o “Novo Mapa das Religiões”.Apesar de serem a maioria, a diminuição de católicos a partir da década de 90 é acentuada.

Em 1991, os católicos representavam 83,34% da população. Já em 2000 a porcentagem caiu para 73,89% e, em 2009, os católicos representaram 68,43%.

Por outro lado, os evangélicos eram 20,23% da população em 2009 contra 17,88% em 2003. O estudo encontrou também que o número de pessoas que não possui religião cresceu de 5,13% para 6,72%, entre 2003 e 2009.

No caso das mulheres brasileiras, 5% delas não possuem crença e para os homens a porcentagem foi de 8,52%.

O mapa mostrou também que a Região Nordeste possui os estados mais católicos representando 74,9% de sua população.

Na região sudeste o Rio de Janeiro é o segundo estado com mais descrentes, com 15,95% sem religião. O estado é recordista em religiões espíritas (3,37%), afro-brasileiras (1,61%) e segundo nas religiões orientais (0,69%).

A maior proporção de evangélicos pentecostais no país está no Acre com 24,18%. A proporção deles de acordo com as classes sociais é mais significativa na classe D (14,98%).


Fontes:

Elisete da Silva doutora em História Social, professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) e autora da tese Cidadãos de outra pátria: anglicanos e batistas na Bahia (São Paulo, FFLCH-USP, 1998). Publicado na Revista Nossa História Edição 38.

Gráficos personalizados blog Olhar Cristão, desenvolvidos por João Cruzué.

Veja.abril.comhttp://veja.abril.com.br/

A Tenda na Rocha

sábado, 24 de março de 2012

Guerra Na Igreja: Valdemiro Santigo X Edir Macedo

Posted by Wilma Rejane on sábado, março 24, 2012 with 17 comments






Em Março de 2009, fiz um artigo intitulado “Neopentecostais em Guerra”, nele cito a triste troca de acusações entre os líderes da Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Internacional da Graça e Universal. Concluo o artigo dizendo: “Essa intriga ainda vai durar”.  E a contenda, não apenas dura, como se agrava. Quem perde é a igreja evangélica, são os fieis que abraçam a líderes e denominações com expectativas de melhorarem suas vidas. Por isso, é necessário que estejamos convictos e convertidos verdadeiramente a Cristo Jesus, acima de tudo. Dessa forma, não será a queda dos líderes, o motivo consequente de nossa queda. Chamo à atenção, para o sentido real da palavra “necessário”, que usamos com tanta frequência. Me aproprio do significado filosófico de necessidade: “É aquilo que não pode ser de outro modo”. É assim que deve ser o cristão para Cristo: Ele em nós, acima de qualquer organização religiosa.


É um disparate confrontar o modo de vida de alguns líderes religiosos da igreja atual, com o modo de vida dos apóstolos da igreja primitiva. Estes,  arrecadavam doações, para dividir com os pobres At 4:35 eram perseguidos e preteridos das assembleias dos poderosos. Eram açoitados e presos , martirizados, sofriam fome e sede e quando injuriados, bendiziam os opositores. Aqueles, arrecadam para o próprio ventre, estão comprometidos com corrupção politica, em troca de concessões para expandir suas aparições nos meios de comunicações. Vivem luxuosamente, são populares e quando injuriados revidam com a fúria de livres lutadores, disputando o pódio. Desde a reportagem investigativa sobre o líder da IMPD, exibida no Domingo espetacular, da TV Record no último dia 18, quanta sujeira já saiu “debaixo do tapete”, como forma de vingança, acusa-se a exaustão.

No momento em que se expõe a situação moral e espiritual caótica dos líderes de mega denominações, é de se pensar na qualidade do cristianismo crescente no Brasil - uma vez que o neopentecostalismo é o ramo que mais cresce. Grifo: “cristianismo?”. Pois o  termo, não comporta meio termo pela excelência da significação. Ou se é cristão, ou se não é.  Se por um lado, as denominações enfatizam o lucro e as campanhas de doações,    como forma de ascensão espiritual, barganha com Deus, o que esperar de uma igreja que  assume  essas doutrinas sem questiona - las? O que esperar de uma igreja que se molda no submundo da idolatria capitalista?  É triste constatar que usam o nome de Deus para proveito próprio. Apóstolo Paulo, em carta aos Filipenses, sobre os maus obreiros, já advertia: “ Pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” Fp 2:21.


 "Fere o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas, mas voltarei minhas mãos para os pequeninos" Zc 13:7

Estou perplexa pelo nível a que chegou os protagonistas dos escândalos Igreja Universal X Igreja Mundial. Perplexa pelas muitas vidas que assistem esse “circo de horrores” perdendo as esperanças de encontrarem homens santos dignos de serem representantes do Evangelho. Perplexa por saber que existem milhões de vidas padecendo fome e outras misérias, enquanto um grupo de exploradores da fé “nadam” em dinheiro e riquezas conquistadas a custo da crença e caridade dos humildes. E até dos ricos.  Esse não é o Evangelho  de Cristo! “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se transpassaram a si mesmos com muitas dores” I Tm 6:10.  Essa não é a igreja noiva de Cristo: tem mãos sujas, jaz sem véu, nem brancura, está nua !

Jeremias, já no Antigo Testamento profetizou: “ Muitos pastores destruíram a minha vinha, pisaram o meu campo; tornaram em desolado deserto o campo desejável” Jr 13:10. Jesus sobre os escândalos falou: “È impossível que não venham escândalos, mas ai daqueles por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um desses pequenos”  Lc 17:1,2. As epístolas estão repletas de advertências sobre os falsos mestres: “Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, banqueteando-se juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelo vento” Jd 1:12.


Mas  aos que servem a Cristo, não podem  desanimar com essas coisas. Antes, devem olhar para  si mesmos, para que também não venham  a cair e ser motivo de escândalo para outros. Não esqueçamos que onde um ou mais estiverem reunidos em Nome de Jesus, ali Ele está Mt 18:20. Isso é motivo de nos regozijarmos pois o Evangelho é Cristo em nós,  somos o templo, esse simples (porém complexo) lugar de habitação e a Igreja, nosso lugar de comunhão com os irmãos, não precisa ostentar luxo, mas santidade. É triste o declínio humano, oremos por nós e por nossos lideres, para que permaneçamos firmes até a volta de Jesus.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Apelo Urgente a Oração

Posted by Wilma Rejane on terça-feira, fevereiro 28, 2012 with 3 comments

Ministério Internacional 222


Mais uma vez, o país onde Esther, Daniel, Neemias e Esdras viveram, e onde partos, medos e elamitas receberam o Evangelho em Atos 2, é o mais alto apelo de oração em nossos corações. Orem pelos iranianos para que Cristo possa manter viva essa nação, apesar do preço colossal que os convertidos ao Evangelho têm que pagar: são constantemente vigiados, discriminados, e mortos.

Orem pelos cristãos no Irã, para que sejam protegidos em seus corpos, mentes e espíritos, e para que essas práticas horríveis de perseguição, sejam levadas a um fim. Lembre-se de orar por aqueles que estão envolvidos com programas de evangelismo no Irã, muitos estão enfrentando uma guerra espiritual enorme.

Orem pelo presidente Barack Obama, ministros e líderes que estão envolvidos com as questões politicas no Irã. A guerra secreta contra a missão nuclear iraniana continua implacável. Além do vírus cibernético Stuxnet que visou seu programa nuclear em 2010, outro físico nuclear iraniano foi assassinado em 11 de Janeiro desse ano.


Crença em Madhi

O governo iraniano e todos os que são nomeados para seu gabinete,  estão completamente comprometidos com o retorno do Madhi. Madhi é o redentor profetizado para governar por sete, oito ou dezenove anos (de acordo com as várias interpretações), antes do dia do julgamento final, literalmente para eles, o dia da ressurreição. O Madhi é quem vai livrar o mundo da injustiça e tirania. No islamismo xiita, a crença no Madhi é uma idéia religiosa central. Eles acreditam que esse Madhi será um governante, um homem comum.

Para os muçulmanos, tanto xiitas como sunitas:

" o mundo não chegará ao fim até que os árabes sejam governados por um homem descendente de Maomé. Madhi aparecerá e Deus vai conceder-lhes chuva, a terra produzirá os seus frutos e os montes jorrarão dinheiro. O gado aumentará e Madhi se tornará grande. Ele encherá a terra de justiça".

Não é de se surpreender que o atual lider iraniano Ahmadinejad seja exaltado a ponto de tornar-se um outro Hitler. Ele está cotado para ser o Madhi. Essa crença, contudo não chega a ser citada nas relações internacionais. Ninguém faz qualquer referência ao Madhi, porque não é interesse nacional fazê-lo.

Oremos para que Deus use um dos Hadits islâmicos para dizer a nação que o Único que vai retornar à terra em poder e glória é Jesus. Não há Madhi, exceto Jesus.

Apesar de tudo, o povo iraniano é desesperadamente faminto pela realidade espiritual. Deus está fazendo algo maravilhoso no mundo de língua persa, por favor, mantenham suas orações!

O Senhor pode muito bem está levando você a orar por temas completamente diferentes, o importante é ouvir o que Deus está colocando em seu coração. Deixe que temas diferentes venham à sua mente, não lhe custara senão mais que alguns minutos em oração que darão frutos eternos! Como diz um velho provérbio japonês: "você nunca vai ver o sol nascer, se você continuar olhando para o Ocidente".O Senhor ouve e presta atenção nas intenções dos corações. Que Ele o abençoe e inspire nessa aventura.

Ministério 222: " Queremos ver o Irã transformado em um país que ostenta a imagem de Cristo".




O pastor cristão Yousef Nadarkhani recebeu sentença de morte no Irã, por não negar sua fé em Jesus. A execução por enforcamento,  repercutiu em todo o mundo mobilizando orgãos governamentais e eclesiásticos. Advogados de Yousef se pronunciaram a agência de notícias Fox News, informando que o governo iraniano voltou atrás na sentença, depois de receber pressão internacional: "a ordem de execução havia sido anunciada, ele seria condenado por estupro e outros crimes, não por apostasia. O governo atenuou sua retórica em resposta a protestos internacionais. A ordem de execução, contudo permanece."

Há rumores de que Nadarkhani esteja sendo usado em amplas negociações politicas, visto que o Irã sofre pressão internacional em resposta a sua agenda nuclear. O número de execuções aumentou consideravelmente no último mês.

Jordan Sekulow, diretor executivo do Centro Americano para lei e Justiça, grupo em defesa dos direitos humanos, se pronunciou sobre o caso Yousef: " seres humanos tornam-se moeda de troca para aiatola. Quando é um caso de alto perfil, testam a reação da comunidade internacional para gerar mudanças geopolitica" Persecution International Christian

Oremos enquanto é tempo. Como disse o ministério 222, no apelo inicial do artigo: "não lhe custara senão mais que alguns minutos em oração que darão frutos eternos!"

Deus nos abençoe.

Por: Wilma Rejane. Fontes como links no artigo.

sábado, 25 de junho de 2011

Rede Globo e a Marcha Para Jesus em 23 de junho de 2011 - SP

Posted by Eliseu Antonio Gomes on sábado, junho 25, 2011 with 1 comment
O show do Slideshow UOL



O UBE Blogs tem como um de seus objetivos informar a respeito dos fatos concernentes ao meio cristão.

Como tudo o mais, tenho neutralidade total para a manifestação, mas neste ano não escrevi nada sobre o tema Marcha Para Jesus neste blog antes dele acontecer. Quis manter isenção total para comentar a posteriori com maior contundência.  Esta decisão não é por questão pessoal contra algo ou alguém, é apenas iniciativa voluntária de fórum íntimo.

Rede Globo, 24 de junho de 2011. Cacoete?

A Rede Globo, no seu telejornal matutino Bom Dia São Paulo, data supracitada, dedicou aproximadamente quinze minutos para divulgar a Parada Gay, que ocorrerá na Avenida Paulista no próximo domingo, 26. Mas, não citou nada sobre o evento Marcha Para Jesus, ocorrido no dia anterior, 23.

Rede Globo, 23 de junho, 18h20

O SPTV noticia Marcha Para Jesus sem anunciar o número oficial da PM.

No comando de Cesar Tralli, que em breve será o apresentador do programa na edição do dia, a Globo de São Paulo afirma haver mais de 1 milhão de pessoas no evento e mostra imagens feitas a partir de helicóptero e do solo, entrevista com Silas Malafaia, e Davi Sacer, ex vocalista do conjunto Trazendo a Arca. Segundo uma jovem repórter no local, Sacer é o cantor mais aguardado.
 
Bem, sem menosprezar o cantor, penso que a repórter disse que Davi Sacer era alvo de maior expectativa na Marcha Para Jesus porque ele é contratado da Som Livre, empresa no ramo musical que pertence ao conglomerado Rede Globo. Jornalismo business?

Rede Globo, 23 de junho, 20h30


Sintonizo a emissora pela segunda vez, ela exibe a "democrática" propaganda eleitoral, aguardo o início do Jornal Nacional, pois quero ver a abordagem que farão do evento em nível da praça brasileira. Os jornalistas Heraldo Pereira e Chico Pinheiro ocupam a bancada. Quero ouvir se informarão os números oficiais da PM quanto aos presentes.

O JN decepciona. Não dá o número com a precisão que o exercício do bom jornalismo recomenda. Faz quase um "repeteco" do SPTV, mas sem propaganda da Som Livre.
Vejo rápidos ângulos filmados em helicóptero e por terra. O rapaz que faz a reportagem apresenta a multidão, diz  ser demonstração de fé dos evangélicos, fala em pregação da tolerância, entrevista os pastores Silas Malafaia, Jabes de Alencar e também populares, adultos e crianças. Diz que o trajeto de caminhada são 4 km, e que haviam no Campo de Marte 1 milhão de fiés durante o show.  

A Rede Gospel e o templo


Eu assisti o evento a partir das 14 horas, aproximadamente, pela Rede Gospel. Assisti mensagem da SABESP transmitidos nos telões, sobre a necessidade de usar água com economia; anúncio que uma carteira com dinheiro havia sido encontrada e o dono dela deveria retirá-la ao lado do palco; dois grupos de coreografias dançarem. E, entre playbacks e apresentação ao vivo, vi e ouvi cantarem Magno Malta,  Lauriete, Cassiane, Regis Danese, PG, Marcelo Aguiar, Cleber Lucas, DJ Alpiste, Davi Sacer, Lázaro, Waguinho, Apocalípse 16, Ao Cubo, Renascer Praise, Pedras Vivas.

Também tive parente que esteve lá na Marcha, mas saiu de casa pela manhã sem pensar no destino do evento. No centro da cidade, encontrou a multidão se encaminhando à estação Tiradentes do Metrô, local designado como ponto de partida, e seguiu com ela contagiado pela alegria da turma. Voltou para casa com uma camiseta contendo o logotipo do evento estampado no peito, e vestido com ela foi ao culto na igreja - Assembleia de Deus; ministério Belenzinho; SP.

Tantos quantos a areia da praia?

A PM anunciou que houveram 1 milhão e quinhentos mil presentes, mas com certeza foi algo perto do dobro disso. Sim, porque não são todos os participantes que chegam pela manhã e ficam até o término. Uma parte chega cedo e sai ao meio-dia, duas da tarde. Outras, chegam no meio do dia e ficam até o fim.

O número da multidão ficou estimado em 1,5 milhão. Esse número é de presentes, mas sem levar em conta que a presença é flutuante.


Nota finais


Perdi a apresentação da Fernanda Brum. 

Foi bom assistir e participar, mesmo que distante, do momento em que o ex-padogeiro da música secular Waguinho cantou Segura na Mão de Deus com arranjo de samba, ao som brasileiro de cuíca e cavaquinho. Fui surpreendido, senti prazer e alegria espiritual.

Eu não assisti o Pr. Paulo Freire, deputado federal,  filho de José Wellingtom Bezerra da Costa (pastor presidente da CGADB e Assembleia de Deus Belenzinho - SP). Ele  gravou chamadas, transmitidas pela Rede Gospel, anunciando que estaria lá, convidou os assembleianos a participarem com ele. Com certeza esteve lá, eu é quem não vi a transmissão por inteira. 

Também não assisti o Pr. Silas Malafaia, mas o vi em vídeos no site YouTube, e em algumas fotos dos portais UOL e Terra . Os vídeos foram lançados na Internet poucas horas após o pronunciamento, bem antes do evento terminar, às 23h15. 

E.A.G.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Maçonaria e os Evangélicos

Posted by Eliseu Antonio Gomes on sexta-feira, junho 17, 2011 with 1 comment


A Maçonaria é pauta em debate de seminários, artigos de revistas, postagens de sites e blogs evangélicos. O assunto gera grande interesse, e
xistem diversas abordagens, o assunto vende.

Recentemente pastores evangélicos em Miami, Estados Unidos, foram vítimas de acusação de envolvimento com o movimento maçônico. E é fácil encontrar na Internet postagens citando nomes de líderes cristãos como membros da Maçonaria.
Alega-se que ao longo dos anos diversos pastores evangélicos exerceram ao mesmo tempo o Cristianismo e a Maçonaria.

É dito que nas últimas décadas pastores usam os púlpitos com o símbolo horus nas mãos e botons da Maçonaria.

É preciso tocar no assunto Maçonaria, mas desprezo as abordagem que contenham apenas palavras frívolas. É preciso cautela ao ler quem aborde o tema acusando a elite da liderança cristã evangélica. Isso deve ser discutido com os pés no chão, sem acusações vazias e sem fazer alardes desnecessários. Você é cristão evangélico?  Então sua função primordial  é pregar a Palavra de Deus às almas sem Jesus Cristo, esqueça as frivolidades.

Não é recomendável debater sobre suposições. Não devemos ouvir com seriedade assuntos com conteúdo acusativo e sem provas, que buscam lançar dúvidas, não trazem respostas.

As matérias sobre este tema vendem bem, algumas citam nomes, mas praticamente todas elas não provam quem é maçom e quem não é. 

Faço crítica dessa forma às condutas de cristãos equivocados, que trocam as Escrituras Sagradas por suposições. Faço menção daqueles que ao invés de evangelizar gastam tempo precioso procurando defeitos em irmãos de fé, como se existisse dom de "fiscal da igreja". Esses supostos fiscais, quando encontram um irmãozinho usando roupa em cor preto ou qualquer coisa que se pareça com um dos sinais de Maçonaria logo dizem que o mesmo é maçônico.

Símbolos de triângulo com as mãos, botons... Só porque a Maçonaria usa o triângulo então todos que usarem esses três traços deve ser visto como alguém que faz parte dela também?  Se o seu automóvel der pane na estrada, então, será obrigado parar no acostamento e colocar um acessório de sinalização em  forma de triângulo atrás do veículo. Tais motoristas que usam o triângulo nada têm a ver com Maçonaria.

I
nfelizmente, gente agindo como fiscal existe aos montes no meio evangélico. O quadro acima é uma crítica direta a eles! Espero que você, leitor, não esteja acometido com esse "vírus". O exagero de alguns ao usar o tema é  comportamento ridículo! Evite essa situação ridícula, amigo.  Tal comportamento é proprio daqueles que não possuem familiaridade alguma com as Escrituras Sagradas.

E.A.G.


Postado originalmente em Belverede com o título A Maçonaria e os Fiscais da Igreja Evangélica.

sábado, 11 de junho de 2011

A Chegada Dos Protestantes no Brasil

Posted by Wilma Rejane on sábado, junho 11, 2011 with 8 comments
 



Os evangélicos brasileiros formam um contingente que equivale a duas vezes e meia a população de Portugal. E os números não param de aumentar. Templos gigantescos, controles de meios de comunicação, conversões em massa, representantes no Congresso Nacional.   Embora uma explosão numérica tenha acontecido nas últimas décadas, os protestantes aportaram aqui no século XVI, tempo em que os católicos portugueses mal tinham se espalhado pela costa brasileira. A colonização do Brasil, iniciada sob o impacto das disputas entre a igreja de Roma e os protestantes, reproduziu ao longo dos séculos XVI e XVII as querelas religiosas do tempo de Lutero e Calvino. Aceitos no país definitivamente apenas na época de D.João VI, os cristãos reformados chegaram em massa ao Brasil no século XIX. O protestantismo se manifestou de diversas formas até o século XX, quando surgiram os movimentos pentecostais.

Primeiros Mártires Protestantes

A presença protestante no Brasil data do período colonial (1500-1822). Os franceses que invadiram o Rio de Janeiro no século XVI, em busca do pau-brasil e de refúgio religioso, eram huguenotes, isto é, reformados de origem francesa. Foram eles que oficializaram, em 1556, o primeiro culto protestante no Brasil. Disputas religiosas que já vinham da França dividiram, no entanto a comunidade, e os protestantes foram obrigados a voltar para a Europa. Os três religiosos que resistiram à intolerância do comandante Frances Nicolau Villegaingnon foram mortos, e são considerados os primeiros mártires protestantes no Brasil.

No século seguinte, em 1624, os holandeses da Companhia das Índias Ocidentais, interessados no comércio do açúcar e outros produtos tropicais, invadiram a Bahia, eles atacaram Pernambuco em 1630 e conquistaram parte da atual Região Nordeste, onde permaneceram até 1654. Nesse período, organizaram a Igreja Cristã Reformada, que funcionava com uma estrutura administrativa similar à européia, oferecendo escola dominical e evangelização aos indígenas e africanos.

Luta Por Território

Durante o período holandês, especialmente no governo de Maurício de Nassau (1637-1644), experimentou-se pela primeira vez no Brasil um clima de tolerância religiosa. Católicos, protestantes e judeus conviviam então pacificamente. Conforme o historiador Frans Schalkwiijk, citando um pastor holandês da época, “essa liberdade era tão grande que se não achava assim em nenhum lugar”.

Com a expulsão dos holandeses, em 1654, tudo voltou ao que era antes: as congregações reformadas desapareceram da colônia, restando o estigma do protestante estrangeiro, visto como “herege invasor” pelo padre Antônio Vieira (1608- 1697), que vivia na Bahia na época da invasão flamenga. A presença sistemática do protestantismo no Brasil, só ocorreria bem depois, na primeira metade do século XIX, após a chegada da corte portuguesa, em decorrência de uma conjunção de fatores de ordem econômica e política.

A disputa pela hegemonia político-econômica na Europa dos finais do século XVIII, entre a França e a Inglaterra, provocou conseqüências para os países europeus e suas colônias. Encurralada pelo bloqueio continental, imposto por Napoleão em 1807, a Inglaterra encontrou em Portugal uma brecha para não ser asfixiada economicamente. A colônia portuguesa na América seria o escoadouro da sua produção industrial, a solução para o boicote da França. Os interesses britânicos na transferência da corte de d. João para o Brasil culminaram na assinatura, em 1810, de dois tratados: O tratado da Aliança e Amizade e o de Comércio e Navegação. O novo cenário afetaria sobremaneira o quadro religioso brasileiro, tradicionalmente dominado pelo catolicismo.

Tratados de Paz

Como nação protestante, a Inglaterra garantiu para os seus súditos privilégios de caráter religioso sem precedentes, que se opunham frontalmente, aqui, ao monopólio da Igreja Católica. O Tratado de navegação e Comércio declarava em seu artigo 12, que “os vassalos de SM Britânica residentes nos territórios e domínios portugueses não seriam perturbados, inquietados, perseguidos ou molestados por causa de sua religião, e teriam perfeita liberdade de consciência, bem como licença para assistirem e celebrarem o serviço em honra a Deus, quer dentro de suas casas particulares, nas igrejas e capelas...”

Chegada da Igreja Anglicana no Brasil

A partir da primeira década do século XIX, centenas de comerciantes ingleses se estabeleceram na sede da monarquia e nas principais cidades, usufruindo todas as garantias e privilégios a eles concedidos pelo governo luso-brasileiro. Os britânicos estabeleceram a Igreja Anglicana no Rio de Janeiro, a Chist Church, lançando a pedra fundamental do seu templo em 1819. Nas grandes cidades onde havia empreendimentos ingleses, foram construídas capelas, templos e cemitérios britânicos, pois no período as necrópoles estavam sob a guarda da Igreja Católica, que não permitia o enterro dos protestantes nos seus sítios.

Formação das Comunidades Evangélicas

Outro fator que interferiu no quadro religioso foi a política migratória. Buscava-se resolver o problema da mão-de-obra, composta em grande parte por escravos, e os imigrantes europeus eram uma alternativa viável. A colônia de São Leopoldo, criada em 1824 no Rio Grande do sul, compunha-se de católicos e protestantes, especialmente luteranos vindos da Alemanha. Outras colônias alemãs se instalaram em Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os colonos plantavam nas lavouras, fundavam comunidades evangélicas independentes e escolas paroquiais, de língua Germânica para os filhos.

Inicialmente as comunidades evangélicas ficaram praticamente desassistidas, contando com pastores leigos escolhidos entre os próprios colonos, e sem formação teológica. Somente a partir de 1886, a Igreja luterana da Alemanha começou a enviar pastores para o país, fundando-se então a Igreja Evangélica Alemã no Brasil e o Sínodo Rio-grandense. Posteriormente, foram criados sínodos em outras províncias.

Primeiros Missionários Estrangeiros

William Bagby primeiro missionário Batista a chegar ao Brasil e sua esposa.

Um fator que contribuiu para a vinda dos missionários estrangeiros foi o avivamento religioso ocorrido na Europa no final do século XVIII e que se difundiu para os Estados Unidos na virada do Século XIX.  Em decorrência do fervor evangelístico, várias sociedades missionárias foram organizadas nas primeiras décadas do século XIX com o objetivo de converter almas.

O contexto socioeconômico e político dos Estados Unidos desempenhou um papel importante nesse processo. Dentre os 10 mil sulistas que deixaram os Estados Unidos após a guerra de Secessão (1861-1865), cerca de dois mil se radicalizaram no Brasil. Faziam parte desse grupo alguns líderes religiosos que não só exerciam funções pastorais, mas se transformaram em verdadeiros agentes a serviço da imigração, a exemplo de Bellard Smith Dunn que se estabeleceu em juquiá, litoral paulista. Para ele, o Brasil era a nova Canaã, a terra prometida onde os derrotados da guerra civil poderiam reconstruir suas vidas.

Outro fator importante foi a intensificação do comércio entre Brasil e Estados Unidos, após 1860. As missões protestantes faziam parte de um movimento de expansão norte-americana na América Latina. Os missionários que chegaram ao Brasil eram homens do seu tempo- da expansão capitalista dos Estados Unidos. Não por acaso, os primeiros missionários batistas a chegarem ao Brasil, desembarcaram no Rio de Janeiro, no navio da companhia da família Levering, família batista que aqui negociava com café.

Inicio da Igreja Presbiteriana e Metodista no Brasil

A Igreja Evangélica Fluminense (congregacional), fundada em 1858 no rio de Janeiro, foi o primeiro grupo protestante de origem missionária no Brasil. Em 1862, estabeleceu-se a Igreja Presbiteriana em São Paulo e a Igreja Metodista. Praticavam uma liturgia copiada do modelo americano e prescreviam uma ética rigorosa, que se definia em oposição à religião do Império, que já consideravam a sociedade brasileira pecadora, atrasada e condenável pela influência do catolicismo.

Oposição e Consolidação da Presença Evangélica no País

A hierarquia católica sempre reagiu à concorrência, porém nenhum outro fato agravou tanto as tensas relações entre católicos e protestantes no Brasil quanto à aprovação, pelo Senado imperial, da liberdade de culto. Quando da tramitação do projeto em 1888, o arcebispo-primaz no Brasil protestou com veemência contra aquilo que em sua opinião, “dissolveria entre os brasileiros a unidade de doutrina em matéria de fé”. Com o advento da República-que separou a Igreja do Estado- caíram as últimas amarras jurídicas que cerceavam a atuação dos evangélicos, propiciando a consolidação do protestantismo no país.

Por Wilma Rejane.

Fonte: Elisete da Silva doutora em História Social, professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) e autora da tese Cidadãos de outra pátria: anglicanos e batistas na Bahia (São Paulo, FFLCH-USP, 1998). Publicado na Revista Nossa História Edição 38.

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